'Ainda bem que tenho fé', diz padre Marcelo Rossi em entrevista
'Ainda bem que tenho fé', diz padre Marcelo Rossi em entrevista (Foto:Divulgação)

Toca o telefone e é o Padre Marcelo Rossi do outro lado da linha, iniciando a conversa com O DIA sobre o novo DVD, ‘Imaculada’. Para quem for entrevistá-lo, fica o aviso: prepare-se para anotar bastante e para ouvir histórias.

Aos 50 anos, completados em 20 de maio, Padre Marcelo retorna com vontade de falar: sobre como deixou a depressão, sobre o que o levou a gravar um novo DVD em meio à produção de um novo livro (que fica para 2018) e sobre os desafios enfrentados em 20 anos de evangelização pelos meios de comunicação – TV, discos, rádio, DVDs e agora redes sociais.

E sobre ‘Imaculada’, que une clássicos de seu repertório como ‘Erguei As Mãos’ e novas como ‘Acaso Não Sabeis?’.

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Depressão

“O título ‘Imaculada’ vem por causa da depressão. Precisei vencer a minha sem usar antidepressivos. Eu estava me automedicando com anti-inflamatórios (o Padre teve uma queda da bicicleta ergométrica em 2010 e passou seis meses em cadeira de rodas).

Quase peguei cirrose hepática medicamentosa, a pior que existe. Se uma pessoa bebe muito e tem cirrose, o fígado dela se regenera quando ela para de beber.

Nesse caso, isso não acontece. Iria ficar numa fila de transplante e esperar que o fígado fosse compatível. Deus me salvou.

Tive uma experiência mística fantástica, que está no making of desse DVD. Quero mostrar às pessoas que é possível. Bendita seja a depressão, inclusive, porque ela me fez acordar e voltar para a minha missão”.

‘Imaculada’

“No DVD, falo da importância da pessoa se ligar com Deus. Nós temos uma mãe, e nada melhor do que um colinho de mãe. A ideia do DVD é levar à pessoa um colinho de mãe, e depois levá-la a questionar. Lembrar a pessoa que ela não é descartável, que ela está aqui para uma missão”.

Deus é para todos?

Padre Marcelo pergunta ao repórter se ele reza antes de todas as refeições. Diante da negativa, responde: “Eu gosto de pegar ateus e questioná -los. Até costumo perguntar:

‘Você acha mesmo que a vida acaba aqui? Para que tanto conhecimento, para que falar tantas línguas, então?’ Até aproveito para provocar, falo que ainda bem que tenho fé, porque se não tivesse, minha depressão acabaria comigo. Não sairia dela nunca”.

Meia-noite

Desde junho, o ‘Momento de Fé’, programa que o padre tem na Rádio Globo, está no horário da meia-noite. “Faço o programa ao vivo. Passei por uma depressão e sei que meianoite é o horário das trevas. A pessoa nem consegue dormir, fica estática”.

Jovens

“Comecei a usar redes sociais em maio e atingi os jovens. Em janeiro, perguntei na missa quem tinha menos de 35 anos. Eram uns 5%. Nesse mês, fiz a mesma pergunta, e tinham 50%.

Eu dei palestra num colégio, cantei ‘Erguei as mãos’ e uma menina de 15 anos não sabia que a música era minha. A banda que eu tenho o maior carinho é o U2 e eu conheço adolescentes que nunca ouviram as músicas deles!”

O começo na TV

“Quando comecei (a ir a programas como o do Gugu e o do Faustão), o Padre Zezinho me disse: ‘Cuidado, você vai entrar numa linha tênue’. Era algo que ninguém tinha tido coragem de ultrapassar, porque o Padre Zezinho ficava no mundo católico e eu ia entrar no mundo laico.”

Livro

“Eu não era para ter lançado esse DVD neste ano. Em maio, no meu aniversário, abracei o (produtor musical) Guto Graça Mello e ele falou que eu estava com músicas maravilhosas, que eu tinha que trabalhar nisso. E depois outra pessoa me falou o mesmo.

Eu estava trabalhando num livro que é coisa de cabeceira, e era para tê-lo lançado. Dei o livro na mão de uma pessoa que é islâmica e ela me disse que achou maravilhoso o que escrevi. Ainda bem que não lancei o livro, porque em janeiro vou agregar coisas nele, vou colocar mais 50% de material”.

Padres cantores

“Sou amigo do Padre Fábio de Melo. Alguns novos padres que cantam, não conheço, não tenho como falar. Quando converso, digo apenas: ‘Não perca o foco. Você não é artista, não é um show, é uma missa’. Agora, sou totalmente contra qualquer religioso se candidatar a cargo público. Meu conselho é: não vote nessa pessoa. Tem algo de errado”.

Fonte: O Dia

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