Um simples olhar sobre a realidade brasileira, principalmente nos grandes centros urbanos, nos mostra que a religião se tornou fonte rentável para muitas denominações, cristã ou não, onde o apelo ao divino vem sempre cercado do oferecimento de produtos e serviços.

Diante desse contexto, nossas paróquias vêm enfrentando um duplo desafio:

  1. Sobreviver no mundo capitalista;
  2. Captar recursos sem fazer da religião um bem de consumo.

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Para planejar bem o orçamento da paróquia, sugiro algumas dicas:

Relacione as despesas para o ano

É importante ter claro quais serão as despesas principais ao longo do ano, escolhendo dentre elas uma que seja capaz de sensibilizar e aglutinar os esforços da comunidade: reforma do telhado da igreja, compra de materiais áudios-visuais para a catequese, realização de um passeio comunitário, etc.

Enumere as fontes de recursos

Com a planilha de custos nas mãos, a próxima etapa é saber quanto e onde se poderá arrecadar o valor necessário: dízimo, festas, rifas, feiras temáticas…

Organize o calendário e as equipes

Algumas receitas são constantes ao longo do ano, como o dízimo, o aluguel do salão de festas, os valores arrecadados com a terceirização do estacionamento da igreja, etc.

Outras receitas são pontuais – dependem do calendário ou ocorrem uma vez por ano: festas de padroeiro, da primavera, do sorvete, junina, das nações, da pizza, feiras temáticas…

Com as datas agendadas dentro do calendário da paróquia, o próximo passo é organizar as equipes de trabalho. Elas se responsabilizarão pelo planejamento conjunto das atividades, estratégia de marketing, previsão de custos e metas de arrecadação, e também pela avaliação dos resultados.

Feira temática: boa proposta de geração de renda

A segunda pergunta, sobre o desafio de captar recursos sem fazer da religião um bem de consumo, nos lembra da novidade trazida pelo cristianismo: o ideal comunitário. Se o capital exige acúmulo e exclusão, nós deveremos oferecer partilha e inclusão. Assim, a paróquia deve ser, também, um espaço privilegiado de articulação das diversas formas alternativas e comunitárias de geração de renda.

A feira temática é uma atividade interessante que as paróquias e comunidades têm para realizar essas duas necessidades: captação de recursos e articulação.

Essa feira faz parte do imaginário religioso católico, oferecendo também momentos de descontração e confraternização.

Poderá realizar-se de duas formas (ou com ambas):

  1. A partir de produtos doados pela comunidade (peças usadas em bom estado, materiais confeccionados por grupos etc.);
  2. Por meio de expositores, de preferência ligados a cooperativas de produção populares (a paróquia ganharia uma porcentagem das vendas), com temáticas específicas ou gerais. Para quem expõe, é grande a satisfação de ver o resultado de seu trabalho ser comercializado e admirado pelos visitantes do evento. Tudo isso, gera cidadania e esperança num outro mundo possível.

Agora é só usar a criatividade, boa sorte!

Regina Maria de Almeida é Teóloga e Assessora Bíblica Popular do Centro Ecumênico  de Estudos Bíblicos (CEBI), em São Paulo – SP.

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