Foto: Marco Pinto/ Ed. Globo
Foto: Marco Pinto/ Ed. Globo

Imagine um estúdio inteirinho branco e três crianças empolgadíssimas para brincar e se sujar com uma tinta em pó azul. “Já é a hora da farra da tinta?”, pergunta Romeo, ansioso. “Sim, Romeo, finalmente é a hora da tinta”, respondo, feliz. Entrego para Marcos Mion os seis tubos turquesas para que ele comande a festa. Afinal, temia que aquele lugar se transformasse no mundo dos Smurfs em apenas cinco segundos.

Calmamente e muito didático, o apresentador do Legendários, da Record, diz para os três filhos tomarem cuidado para não jogarem o pó na boca, nos olhos e nariz. Em seguida, com todos posicionados e cientes dos “perigos” da tinta, ele dá o start na folia, jogando cor em todo mundo.

Esse foi o clima divertido do ensaio em celebração ao Dia dos Pais com Marcos Mion, Suzana Gullo e os filhos, Romeo, de 12 anos, Donatella, de 8, e Stefano, de 7. O azul foi escolhido por dois motivos bem nobres. O primeiro, é que a cor é símbolo do Transtorno do Espectro Autista, condição na qual Romeo se enquadra. Só para lembrar, Mion lançou em 2016 o livro A Escova de Dentes Azul. Na obra, ele conta as lições que aprendeu com o filho mais velho e desmistifica os preconceitos com o autismo.

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Segundo, porque o azul transmite a tranquilidade da fase em que a família vive, depois que Suzana – que já havia passado por três gestações de risco e um aborto espontâneo – venceu um câncer de mama, detectado pelo próprio Mion, no ano passado. “Demos as mãos e descemos até o inferno. Com a fé, junto dos remédios e da equipe médica maravilhosa, voltamos vitoriosos”, comemora ele.

No bate-papo cheio de emoção, Marcos Mion fala sobre o desejo que tinha de ser pai desde a adolescência – ele até pensou em tentar uma produção independente antes de conhecer Suzana. Lembra das dificuldades que enfrentaram juntos nas três gestações da mulher. Conta com orgulho das personalidades de cada filho. E explica como o câncer de mama da mulher os aproximou da religião e aumentou sua fé.

TRÊS VEZES PAI 
“Sempre digo que a experiência mais intensa na vida de um homem, o divisor de águas, é quando ele recebe a notícia de que vai ser pai. Essas palavras te enchem de uma alegria e emoção tão grandes que é muito difícil descrever. Mas eu sabia que dali para frente minha vida nunca mais seria a mesma, que eu estava vivendo meu sonho e simplesmente tudo ganharia sentido. Graças a Deus, tive a oportunidade de receber essa notícia três vezes. Quatro, na verdade. Teve uma que voltou para o lado de Jesus Cristo antes de vir para o nosso colo. Foi recrutado de volta rápido demais.”

PEDIDO REALIZADO
“Eu sempre quis ser pai. A lembrança mais remota disso, foi quando assoprei as velas do bolo do meu aniversário de 16 anos e meu desejo foi: ‘Eu quero ser pai antes dos 21 anos’. Chegou um momento na minha vida em que pensei em me tornar pai antes de casar, antes de encontrar a mulher ideal para ser mãe dos meus filhos, o amor da minha vida. Graças a Deus, não consegui. Perdi várias namoradas no meio do caminho por conta dessa pressão que eu colocava nelas (risos). Hoje, com a experiência, eu posso falar. Acho que é muito importante antes de ter um filho, ter um companheiro, uma pessoa para dividir a vida. No meu caso, é a Suzana, minha mulher. Criar um filho é uma jornada muito difícil. Acho necessária a presença dos pais. Os dois andando juntos, dialogando, seguindo o mesmo caminho na educação e criação. Óbvio, que nem sempre isso é possível. Existem pais separados, recasados, pais que faleceram, todas as situações são possíveis. E nenhuma é melhor do que a outra. Existe felicidade em todos os lares. Mas estou falando da minha experiência.”

GESTAÇÕES DE RISCO 
“Todas as gestações da Suzana foram complicadas. A Suzana tem uma síndrome que dá uma certa incompatibilidade comigo e a gente só descobriu quando, de fato, ela começou a perder líquido amniótico na gestação do Romeo. A gravidez do Romeo foi superdelicada, porque quando a Suzana começou a perder o líquido, estávamos na lua de mel. Fomos viajar para San Diego e Las Vegas sem saber direito o que a Suzana tinha. A gente foi para o deserto, um lugar muito seco e isso ajudou a agravar a situação. Quando voltamos, o líquido amniótico estava muito baixo. Ela tinha que fazer ultrassom a cada dois dias. Até o dia em que a gente saiu do ultrassom e o obstetra ligou dizendo: ‘Chega em casa, pega as coisas e vem para o hospital. Já estou na sala de cirurgia esperando por vocês’. Me lembro que encostei o carro, meu coração acelerado, olhei para a Su e falei: ‘É agora. Vamos ser pais!’. Foi uma loucura, foi no susto. Depois, com a Donatella, teve a mesma coisa, mas a Suzana ficou de repouso por nove meses direto. Na do Stefano, ela teve uma gestação um pouco mais normal, mas graças às injeções e medicamentos que mantiveram ele dentro da barriga. Ela foi muito guerreira. Engordou 40 quilos, tomou muitos remédios para manter as gestações. Amo demais a Suzana, sou grato e eterno admirador por tudo que ela fez pelos nossos filhos. Ela foi muito guerreira, uma leoa, uma semideusa. Ela se doou por eles.”

A FÉ QUE VENCEU UM CÂNCER
“Sempre tive criação católica, mas era um católico que ia à missa de Natal apenas. Depois que conheci a Suzana, passei a ir à missa aos domingos. Até que a gente enfrentou esse episódio do câncer de mama e foi tudo muito evidente. Foi praticamente esfregado na minha cara e seria uma hipocrisia eu não assumir a presença de Jesus Cristo, de Maria e José no nosso processo de cura. No nosso mergulho. Demos as mãos e descemos até o inferno. Com a fé, junto dos remédios e da equipe médica maravilhosa, voltamos vitoriosos. A gente chegava todos os dias na quimioterapia e colava na janela imagens da nossa família, religiosas. A Suzana ficava lá a manhã inteira, sempre rezando, com todas as imagens que eram importantes para a gente. As viagens de peregrinação que fizemos logo depois (para Fátima e Lourdes), nos fortaleceram ainda mais. Parece que dei uma possibilidade das pessoas serem religiosas e demonstrarem sua fé publicamente. Pessoas que eu convivia há muito tempo, passaram a falar de Jesus do meu lado. Até criei uma frase: ‘É muito fácil levar cristo no peito, difícil é ter peito para falar de cristo publicamente’”.

RELIGIOSIDADE RENOVADA
“Eu sempre falo que não estou aqui para converter ninguém, não vou catequizar ninguém, mas sou obrigado (eu me obrigo) a passar adiante a minha verdade. Como comunicador, é isso que fiz a vida inteira. E a minha verdade é Jesus Cristo, é a fé. Tenho que passar isso adiante. As pessoas se sentiram com uma ‘permissão’ de poderem mostrar sua fé. Aí, começo a achar que talvez isso seja uma missão. Eu peço para Deus sempre, se for essa minha missão – catequizar e levar a palavra adiante – me mostre que eu vou. Hoje, eu tenho feito isso mais por instinto.”

Fonte: QUEM

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