Apesar da palavra “dízimo” significar dez por cento ou a décima parte de alguma coisa, a Igreja Católica flexibiliza, deixando como critério o que determina o coração do fiel. Nós podemos doar 5%, 3%, 12%, de acordo com a nossa disponibilidade financeira e a vontade de nosso coração.

Mas se podemos doar 6% que não doemos 5%, nem só o que sobra de nosso salário no final do mês, pois dízimo não é esmola nem é uma ajudazinha qualquer; é um compromisso com Deus. Que cada um de nós doe sem constrangimento nem tristeza, pois Deus ama a quem dá com alegria (cf. 2Cor 9, 7).

A partir do ano de 1969 a CNBB voltou a instituir o dízimo nas paróquias do Brasil, mas sem estipular porcentagens nem valores. O dízimo assume um caráter participativo dos fiéis que assumem uma corresponsabilidade pela existência da Igreja. O Papa Bento XVI altera significativamente o sentido do dízimo ao trocar o termo “dízimos” (plural) – “pagar os dízimos conforme o costume” – no quinto mandamento da Igreja. Agora o mandamento é:

Atender às necessidades materiais da Igreja, cada qual segundo as próprias possibilidades“. Esta alteração pode ser conferida no compêndio do Catecismo da Igreja Católica, promulgado pelo Papa Bento XVI em 28 de junho de 2005 e republicado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Com esta nova redação o mandamento fica mais claro. O fiel católico deve ajudar a sua comunidade conforme as suas possibilidades, ou seja, sem a obrigação de ter seu salário taxado em 10% ou outra quantia qualquer. Esclarecemos na continuação da leitura.

O dízimo não deve ser cobrado. Deve nascer do coração, não se tornando um peso, mas, ao contrário: uma alegria de ajudar na missão de Jesus Cristo. Não é uma imposição ao fiel, por isso devemos nos sentir convidados a contribuir ou a devolver o que Deus nos proporcionou. Fica em nossa consciência doarmos o que pudermos, mesmo que não seja os dez por cento. Mesmo assim esta doação deve ser denominada de dízimo, por ser a oferta que a pessoa quer ou pode dar. Para ser dízimo independe de valor, quer sejam dez por cento ou um por cento dos nossos vencimentos.

Repetindo, o valor a ser doado deve ser fruto de uma conversa com o próprio Deus através da oração. Se o fiel sentir vergonha do valor de seu dízimo é porque ele pode devolver mais. Se a consciência pesar é porque o valor está abaixo de suas possibilidades. Mas, se ao contrário, o fiel devolver o dízimo com felicidade, é sinal de que o valor é justo. Portanto, devemos rezar muito antes de definir o valor da contribuição.

Mesmo após as orações não podemos estabelecer este valor como valor fixo e definitivo. Sempre que a situação permitir, podemos aumentar o valor de nossa contribuição. Uma fórmula simples é: ao estabelecermos o valor da contribuição verificar o quanto ele representa em percentual. Se hoje devolvemos dois por cento, que tal firmarmos um propósito com Deus de subirmos para três por cento dentro de seis meses ou doze meses?

Não devemos nos esquecer de rever o valor do dízimo sempre que recebermos um aumento salarial ou uma promoção, respeitando a proporcionalidade. Quem é assalariado recebe o chamado décimo terceiro salário e isto deve ser considerado na hora de calcularmos o valor da contribuição do dízimo naquele mês. Se recebermos um bônus salarial também devemos nos lembrar de incluí-lo nos cálculos. Os autônomos também podem determinar um valor de referência para realizar suas doações, lembrando-se de rever estes valores periodicamente.

A elevação do custo de vida e a alta dos preços também afetam diretamente os custos de manutenção das paróquias que precisam, geralmente, diminuir investimentos nos trabalhos missionários ou buscar doações para manter o mesmo nível de atividades missionárias.

Logo, para não haver comprometimento das atividades pastorais é preciso que façamos esta reflexão quando observarmos alterações na área econômica do país. Se a taxa de inflação se eleva é preciso que observemos se a paróquia está sendo afetada e ponhamos mais de nossos recursos financeiros a disposição para manter a ação missionária ativa. É claro que as crises financeiras também atingem a nossa família, mas, como orienta a Igreja, ajudemos de acordo com as nossas possibilidades. Se nós podemos disponibilizar um pouquinho mais, que o façamos.

A Pastoral do Dízimo nunca deve estabelecer valores para a contribuição do dízimo das pessoas, por ser este discernimento um ato pessoal, fruto de uma conversa entre o fiel e Deus. Dízimo não é um imposto, não é uma taxa, nem uma contribuição ou uma esmola. Dízimo é uma contribuição a Deus. É uma ação espontânea fruto de uma tomada de consciência de partilha por parte do fiel, e só ele conhece as suas possibilidades e suas dificuldades.

Fonte: Gilbenício Brandão. (Coordenação da Pastoral do Dízimo)

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