Quem disse que trabalhar na Igreja é sinônimo de ausência de problemas e frustrações?

Quem trabalha nos bastidores da Igreja deve conhecer alguém que hora era apaixonado pela Igreja e depois que começou a trabalhar em alguma pastoral, movimento ou serviço, essa paixão diminuiu consideravelmente. Nos serviços administrativos, em que colaboradores são contratados pelas paróquias ou dioceses, há certos relatos neste sentido: “depois que comecei a trabalhar nos bastidores, perdi a fé”.

Como em qualquer atividade em que há relações humanas, as atividades eclesiais também possuem suas falhas. Quem disse que trabalhar na Igreja é sinônimo de ausência de problemas e frustrações? Pelo contrário. É na Igreja em que acolhemos os grandes problemas da humanidade, os sofrimentos, as angústias do Povo de Deus. E quem trabalha nesses bastidores deve estar preparado para lidar com tudo isso. O desafio é grande!

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No estudo de gestão de pessoas há um termo chamado “coesão organizacional”, que significa o grau de comprometimento que a pessoa tem com a causa, com a organização, com as metas do grupo. Quando eu estou em estado de “coesão”, nada é capaz de tirar meu foco da meta estabelecida.

No caso da Igreja, a nossa grande meta é evangelizar. Eis a missão de todos nós católicos. Quando tenho isso bem claro em minha mente, o processo de coesão organizacional flui e se estabelece um grande alicerce para o meu trabalho profissional ou voluntário na Igreja.

Antes de ser uma meta global, evangelizar é uma meta particular. Independe do outro. Se o padre me ofende, se o líder pastoral me esnoba, se o catequista me agride, se o ministro de música não é simpático comigo, nada disso é impedimento para que eu evangelize. A minha caminhada não depende da simpatia, da gentileza, do carinho do meu irmão.

O que acontece nos bastidores da Igreja, é que as pessoas esperam demais do outro e se esquecem da causa maior.  Esperam respeito, e muitas vezes não encontram. Esperam, ternura, docilidade, paciência, agilidade, eficácia e eficiência, doação, e…muitas vezes não encontram nada disso. Desanimam, se decepcionam e “perdem a fé”.

Se perdem a fé por causa desses desapontamentos humanos, certamente há aí falta de “coesão organizacional”. Precisamos de maturidade na fé, para, assim, colaborar com os trabalhos da Igreja.

Quem se deixa abater e derrotar pelas decepções humanas e não consegue retomar o caminho, não visualizou ainda a grande causa da Igreja.

Uma causa maior

Estudos comprovam que os jovens de hoje não querem apenas um trabalho, um emprego. Eles querem lutar por uma grande causa. As novas gerações gostam de causas, de desafios. Não importa o salário. Importa a causa.

Na verdade, não são só os jovens que gostam de grandes causas. Todo ser humano tende a se apaixonar por grandes causas, quando elas são comunicadas de uma forma eficaz. Quer maior causa do que evangelizar?

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A Igreja precisa usar todas as técnicas de comunicação para comunicar a sua grande causa, pois temos a mais linda causa da humanidade: a salvação, por meio de Jesus.

Um caminho de esperança para renovar as nossas estruturas de gestão eclesial é o uso da comunicação. Com processos estratégicos, é possível comunicar aos nossos públicos interno e externo qual é a causa que nos move. Se a sua pastoral, movimento, organismo, paróquia ou diocese está com baixo índice de produtividade, talvez muitos dos seus líderes estejam atrofiados, decepcionados e perderam a “coesão organizacional”, já não se lembram da grande causa que, no princípio, era fator de motivação.

Palestras, treinamentos, cursos, são excelentes estratégias para retomar o estado de “coesão”. Isso tudo deve fazer parte do organograma de atividades formativas das estruturas eclesiais. Mas nada disso funciona se, antes, não houver oração. Só o Espírito Santo é capaz de transmitir de forma plena a nossa grande causa. Só Ele é capaz de impactar corações, transformar mentes e criar engajamento sustentável. Planeje, execute, mas, antes, coloque tudo em oração. Os frutos virão. Deus abençoe!

Everton Barbosa é jornalista e palestrante nas áreas de comunicação, empreendedorismo cristão e desenvolvimento humano.

Contato: [email protected]

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