Para que uma Diocese crie um Departamento Contábil, o ideal seria em seu âmbito, eliminar com isto as contratações de escritórios de contabilidades pelas paróquias, abolindo a terceirização, gerando empregos diretos sob uma filosofia cristã, para servir de exemplo as empresas em geral e, ainda, reduziria o custo com honorários contábeis, sendo beneficiada pela formação de um quadro de pessoal técnico altamente confiável.

Uma diocese com mais de 40 paróquias dispende atualmente em honorários contábeis de 20 a 30 mil reais, dependendo do porte das paróquias, considerando que os escritórios de contabilidades estabelecem porcentuais sobre o salário mínimo como referência aos honorários.

Então um departamento de contabilidade, faria todo o serviço contábil, seguramente em uma forma mais econômica.

As Dioceses devem trabalhar em um sistema de ‘caixa-único’, com a movimentação de numerário (pagamentos e recebimentos) centralizado na Diocese, com transmissões diárias, tempestivas, de dados quer via intranet ou internet, com geração de balancetes e diários de caixa por paróquias, a exemplo das grandes empresas, como por exemplo, às das áreas bancárias, o que proporcionará um controle de fluxo de caixa e possibilitará projeção de gastos, sem o risco de descontrole de saldo bancário.

Inscrições abertas para o CONADIZ – Congresso Nacional da Pastoral do Dízimo e da Partilha
Conheça e participe do CONASPAR – Congresso Nacional de Secretários Paroquiais

Com a implantação de uma conta corrente única para a Diocese, que ao contrário de grandes empresas, tem a base territorial definida dentro de determinada região, normalmente de âmbito estadual; esta conta que receberá depósitos diários sempre que o limite permitido de encaixe técnico por paróquia for atingido (encaixe técnico é o limite de numerário que poderá ficar no caixa paroquial), proporcionará maior segurança e tranquilidade as unidades paroquiais, pois não ficarão com seus caixas abastecido de valores expressivos, que possam suscitar a ocorrência de assaltos, principalmente nesta época conturbada em que estamos vivendo.

A estipulação deste encaixe técnico servirá para fazer frente às pequenas despesas tais como cozinha, material de escritório, etc, despesas estas de caráter extraordinário, pois as compras deverão ser efetuadas por um departamento de compras centralizado na diocese, que em vista ao volume e poder de compra poderão negociar melhores preços como compras no processo de atacado, sob licitação.

No sistema contábil, deverão ser criadas sub-contas para as paróquias, para efetivo controle de arrecadação e gastos particularizados, o que proporcionará controle e planejamento na utilização e alocação de recursos. As despesas de maior porte deverão ser objetos de empenho prévio (autorização por parte da Diocese, com colocação de verba em disposição contábil).

O Direito Canônico em seu Cân. 1287 dispõe sobre a prestação de contas por parte dos administradores e em sua nota de rodapé, enfatiza que embora não seja obrigado, seria conveniente que para se evitar preconceito e concepções sobre pretensas riquezas da Igreja, que as pessoas jurídicas canônicas dêem maior publicidade ao público de todos os seus orçamentos, balanços publicando os balanços em jornais de grande circulação.

3 passos para a criação do Departamento Contábil

1o. Caixa Único – este objetivo deve ser perseguido, pois há a tendência de pastorais ou grupos, manterem caixas separados com controle distintos, o que por lei é proibido; isto se chama “Caixa 2”.

Todos os recursos devem ser repassados para o caixa central, que manterá sub-conta contábil, para efetivo controle de saldos, pois se uma pastoral ou grupo faz um evento para arrecadar recursos para fins específicos, deve o montante arrecadado ser destinado a este fim.

Esta última afirmativa, também deverá valer para novas comunidades que organizam eventos para construírem os prédios próprios das Igrejas; nada mais justo que o arrecadado nestes eventos seja destinado para o fim específico, o que sem sombra de dúvida fortalecerá o espírito comunitário pela união em torno do objetivo principal, que é o da construção da Casa de Orações.

2o. Movimentação Financeira Bancária – a Pessoa Física do pároco não deve confundir-se com a Pessoa Jurídica da paróquia, constituindo isto um dos paradigmas da contabilidade, onde explicita categoricamente que as pessoas físicas e jurídicas não podem ser confundidas.

Para suas despesas particulares ou da casa paroquial (salvo aquelas que demandarem em conservação de patrimônio), os cheques devem ser sacados da conta particular do Pároco, ficando a conta corrente da Pessoa Jurídica para fazer frente às despesas decorrentes de sua existência.

3o. Plano de Contas – deverá ser montado com vista às necessidades atuais e futuras e para isso, devem ser estruturados por elementos de profundo conhecimento contábil e ainda do Sistema Eclesiástico.

Um sistema como este, proporcionará uma visão conjuntural, inclusive para investimentos nas construções de novas paróquias, atendimento aos pobres, etc, com alocamento de recursos das mais privilegiadas financeiramente para aquelas situadas em regiões mais carentes e aqui estaremos atingindo o ápice da verdadeira comunhão, em uma imitação do que encontrávamos no início da nossa Igreja, conforme nos relata os Atos dos Apóstolos: “A multidão dos fiéis tinha uma só alma e um só coração, não chamavam de própria nenhuma de suas posses; ao contrário, tinham tudo em comum” (At 4, 22-35).

Esta abordagem é genérica, pretendendo apontar diretrizes, que deverão ser muito bem planejadas com as particularidades que se fizerem necessárias para a perfeita consecução do projeto.

Antônio dos Santos é Bacharel em Economia, com Pós-Graduação em Contabilidade e Auditoria. Aposentado da Caixa Econômica Federal, onde exerceu por cerca de 10 anos a função de Gerente de Agência. Tesoureiro paroquial por nove anos.

Contato: [email protected]

Fonte: Revista Paróquias, ed. 28. Para ler mais matérias sobre gestão eclesial, assine já: (12) 3311-0665 ou [email protected]

Faça um comentário