Ninguém discute: as cores branca e bege são cores clássicas, nobres e lindas, ao mesmo tempo em que as cores primárias são dominantes e “cheias de personalidade”. Mas um ambiente também pode ser colorido com cores e tons diferentes – intensas ou suaves – e continuar nos sendo agradável. Basta mantermos a harmonia e equilíbrio, de acordo com os usos e necessidades de cada espaço e considerando ainda a região geográfica que o ambiente ocupa, pois naturalmente sofremos influências culturais, além de seguirmos os modismos e tendências.

Quando elaboramos estudo de cores para um Templo Sagrado, devemos considerar vários fatores que nos provocam reações inconscientes. A decisão por esta ou aquela cor não deve ser rápida nem prematura, merecendo uma análise profunda de um conjunto de fatores: incidência de luz e sombra, a volumetria do espaço, o equilíbrio entre os planos cheios e vazados etc. Além disso, o resultado final depende da mistura de pigmentos, pois uma mesma cor assume tonalidade fria ou quente. Trata-se de acertar o tom.

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Nessa escolha aplicamos ainda algumas teorias e técnicas, usando dégradées de uma mesma cor para dar harmonia e movimento, usando a técnica do contraste para valorizar e destacar alguma peça ou parede, ou, ainda, a técnica das cores derivadas, para imprimir dinamismo.

As texturas são igualmente importantes, auxiliando na questão de luz e sombra, destacando uma parede e ainda podendo nos ajudar na acústica. Saliento que uma parede texturizada dificulta sua limpeza, então tenhamos muito critério nos locais para sua aplicação.

Encontramos nas cores a seguinte linguagem:

1. As cores frias nos afastam, são cores que não ajudam a criar um ambiente aconchegante. Seus nomes já nos indicam tudo: neve, cinza, gelo;

2. As cores quentes nos aproximam, nos acolhem e provocam mais conforto. As cores derivadas do amarelo e vermelho são consideradas quentes: palha, terracota, marfim, areia, pérola, etc.

3. As cores claras indicam leveza, nos trazem paz. São suaves e “macias”;

4. As cores escuras são formais, austeras, nos chamam à introspecção;

5. As cores saturadas (puras), são vivas, chamam atenção à distancia, podendo cansar, causar intranquilidade;

6. As cores des-saturadas são difusas, ajudam a diminuir a tensão. São de fundamental importância para dar equilíbrio e harmonia às combinações cromáticas.

Tanto as cores quanto as texturas dos materiais de acabamento em geral, que revestem o interior e o exterior das igrejas, devem servir de instrumentos para conseguirmos ter um lugar aconchegante que nos remeta à comunhão, ao silêncio e à oração, pois as cores também são instrumentos de liturgia e, toda a liturgia é ação simbólica, que nos convida a mergulhar cada vez mais no mistério do amor incondicional de Deus.

Claudia A. Z. Reis é arquiteta e urbanista. Formada pela UNISINOS-RS, especialista em arquitetura religiosa.

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