Para uma gestão eclesial eficiente é preciso ter em conta alguns procedimentos estratégicos. Eles farão a diferença na hora de gerir uma paróquia e servirão como antídoto contra determinados erros que podem prejudicar a gestão paroquial. Vou pontuá-los aqui e tratar, brevemente, de cada um deles, sem, contudo, esgotá-los no seu conteúdo e na sua capacidade de prevenção contra os males que podem atingir uma paróquia no que se refere à administração.

Conheça o CONAGE – Congresso Nacional de Gestão Eclesial

A cultura organizacional da paróquia

O primeiro procedimento para uma boa administração eclesial está relacionado com o campo estrutural. Para administrar bem uma paróquia é preciso ter uma visão conjuntural dela e não apenas de alguns setores. A maior parte dos problemas no campo da gestão eclesial é resultado de uma visão reducionista ou fragmentada da paróquia. Vê-la apenas pelo ângulo da economia, por exemplo, e negligenciar outras áreas, como a pastoral e missionária, a espiritual ou de pessoal, entre outras, resulta em uma administração limitada e passível de problemas.

Assine a Revista Paróquias e receba em casa material sobre Gestão Eclesial

A paróquia funciona como um corpo. Se um membro ou parte deste corpo está doente, todos os demais são atingidos de alguma forma e não dá para fingir que não está acontecendo nada. É preciso, portanto, cuidar do corpo como um todo e não apenas parte dele. Porém, se uma parte está com problema, ela requer prioridade. Sanado o problema, volta-se a atenção para o conjunto.

Nesse corpo conjuntural todas as partes ou membros são importantes, mas há aqueles que são fundamentais, dos quais dependem todos os outros. Dentro da estrutura organizacional da paróquia eles podem ser divididos em duas partes: o financeiro e o pastoral. Todos os demais dependem destes dois campos. Deles se desdobram todos os outros que, por questão de espaço, não é possível tratá-los aqui. Assim sendo, o primeiro antídoto para uma boa administração eclesial é não perder de vista a cultura organizacional da paróquia, sem negligenciar nenhum aspecto, por mais irrelevante que ele possa parecer.

Gestão partilhada

O segundo procedimento que ajuda a solucionar problemas na administração de uma paróquia é adotar uma gestão compartilhada. Gestão compartilhada significa, entre outras coisas, não fazer tudo sozinho. É o conhecido trabalho em equipe, tão prezado pelas empresas do primeiro e segundo setor. Sem trabalho em equipe nenhuma gestão será eficaz.

Esse talvez seja um dos maiores problemas nas nossas paróquias. Poucos ainda se abrem para o trabalho em equipe e não estou falando apenas dos párocos, que são os gerenciadores oficiais da paróquia. Refiro também aos leigos, agentes de pastoral, que muitas vezes se apoderam das pastorais e não abrem espaços para novos membros, novas lideranças e acabam por dificultar os trabalhos daqueles que, a sua volta, começam a se destacar.

É muito comum encontrar nas paróquias, coordenadores de pastorais que estão há 10, 15, 20 anos ou mais à frente da mesma pastoral ou movimento e não dão espaço para outros sob o pretexto que “ninguém quer assumir”. Pior ainda é quando o padre quer fazer tudo sozinho e enxerga no agente de pastoral leigo um concorrente, capaz de “fazer sombra” para o seu trabalho.

Quando algo desse tipo acontece, seja com o padre ou com os leigos, a paróquia toda é prejudicada. Para combater esse tipo de procedimento tão prejudicial para a gestão eclesial, o antídoto é a gestão compartilhada.

Dentro da estrutura paroquial esse compartilhamento administrativo pode ser feito por meio dos dois principais conselhos paroquiais: o CPP (Conselho Paroquial de Pastoral) e o CAEP (Conselho de Assuntos Econômicos Paroquial).

[Você conhece a ExpoCatólica?!]

O CPP agrega tudo o que está relacionado com a parte pastoral da paróquia (a evangelização, a missão, a espiritualidade, etc);

O CAEP com a parte que envolve o financeiro (a administração do patrimônio, a manutenção, construção e reforma; os recursos financeiros, como, por exemplo, as arrecadações, os assuntos relacionados com o departamento de pessoal, etc).

Com estas duas equipes bem formadas e funcionando adequadamente, toda a estrutura da paróquia será atingida. No entanto, não basta apenas criar ou instituir estes dois Conselhos. É preciso que eles tenham um regimento ou estatuto que contemple a participação da comunidade, por representatividade e que este documento seja cumprido.

Há paróquias que mesmo tendo instituído estes dos importantes Conselhos, não permitem que eles funcionem como deveriam, sobressaindo sempre à decisão do pároco ou de quem faz a sua vez, de modo autoritário e despótico. Quando uma gestão paroquial funciona sob a tutela de um líder com este perfil centralizador, sem partilhar funções e decisões, a paróquia perde qualidade em todos os seus setores, inclusive na questão da evangelização, porque se cria ali uma mentalidade paternalista e populista do seu líder, mas não se constrói uma verdadeira consciência de comunidade eclesial.

Há os que até preferem esse tipo de paróquia, porque ele favorece a acomodação. Porém, aqueles gestores que se preocupam com uma paróquia comprometida com a sua missão, combatem veementemente qualquer gestão que não seja compartilhada.

Mudanças de mentalidade

Para que ocorra uma gestão compartilhada, onde todos têm vez e voz, onde as decisões sejam tomadas em conjunto, por meio de assembléias e reuniões dos Conselhos, é preciso, sobretudo, que haja uma verdadeira metanoia na pessoa dos gestores eclesiais. Metanoia no sentido estrito da palavra, que significa mudança de mentalidade.

Aquele gestor, cuja mentalidade é de apoderamento, prejudica a paróquia porque a sua gestão é limitada e não cumpre o que se espera de um gestor eclesial que é de governar para o bem da comunidade. Quando um padre ou qualquer pessoa que assume o gerenciamento de uma paróquia, adota posturas que denotam visão parcial da realidade paroquial, atitudes centralizadoras e possessivas e não ouve a comunidade, a paróquia se reduz numa instituição meramente burocrática, esvaziada do seu significado de espaço de construção do Reino de Deus.

Para que isso não venha a ocorrer na paróquia, deve haver mudanças de mentalidade que sejam significativas, no sentido de promover a participação efetiva e afetiva da comunidade nas suas decisões. Porém, isso não é nada fácil. Exige do gestor um processo de conversão ou, como foi dito acima, de metanoia. Para que isso ocorra, é preciso que haja o empenho e a participação da comunidade, dos leigos, de todos os batizados, não se acomodando diante de certas atitudes do padre ou de qualquer outro gestor.

Portanto, é preciso reivindicar espaços de participação e de decisão na paróquia. Se a Igreja, como instituição profética, não promover estes espaços dentro de suas estruturas paroquiais, nenhuma outra instituição irá fazê-lo. As bases da Igreja estão nas paróquias. Quando as bases não mudam, não se pode esperar nenhuma mudança estrutural.

Participe do Congresso Nacional de Gestão Eclesial

Com tradição desde 2004, o Congresso Nacional de Gestão Eclesial é a grande oportunidade para aprimorar os conhecimentos e aprender sobre novas ferramentas para uma administração eclesial eficaz e comprometida com os interesses da Igreja Católica.

Gerir com competência uma paróquia ou casa religiosa é assunto sério e, por isso, é necessário investir na formação das pessoas que administram as igrejas católicas, paróquias e demais casas religiosas, capacitando-as para enfrentar todos os desafios frequentes neste setor.

O objetivo principal do CONAGE é oferecer às dioceses, paróquias, congregações e demais comunidades, cursos e palestras sobre gestão eclesial e prática pastoral.

Neste ano, o evento será realizado de 8 a 10 de junho, dentro da maior feira católica da América Latina, a ExpoCatólica, no complexo Expo Center, próximo de principais vias de acesso da Capital, como a Marginal Tietê e a Avenida Cruzeiro do Sul, em São Paulo, SP.

Para mais informações acesse o site: http://conage.catholicus.org.br/. Neste endereço também é possível realizar sua inscrição para o evento, as vagas são limitadas.

Pe. José Carlos Pereira, CP é Doutor em Sociologia, Mestre em Ciências da Religião e Autor de diversos livros, dentre eles: “Assembleia Paroquial. Roteiro de preparação e realização”, “Manual da Secretaria Paroquial”, publicados pela Editora Vozes.

Contato: [email protected]

Fonte: Revista Paróquias, ed. 29. Para ler mais matérias sobre gestão eclesial, assine já: (12) 3311-0665 ou [email protected]

Faça um comentário