Certa vez, li em um texto de Dom Pedro Casaldáliga, Bispo de São Felix do Araguaia, em Mato Grosso, que dizia que o Menino Jesus havia desaparecido por causa de uma pequena distração de Maria e de José. Talvez pelo cansaço de tanto procurar um lugar para abrigarem-se, alguém tirou o Menino Jesus da manjedoura. Mas quem teria feito isso? E por quê? Um bebê pobre que não tinha sequer uma casa, nascido no meio dos pobres, junto com os animais. Não tinha nada material e seus pais eram humildes. O que aconteceu para ser vítima de um ato tão irresponsável? Quem teria interesse de esconder Jesus?

A história continua nos levando à reflexão e à busca do culpado. Seriam os Pastores? Não! Eles eram homens de fé e aguardavam a promessa de Deus sobre a chegada do Menino. Seriam os Magos? Não! Eles enganaram Herodes mentindo sobre o paradeiro de Jesus e sobre o sinal da estrela. Teria sido José, o Pai adotivo de Jesus? Não! Ele provou o seu amor ao Plano de Deus assumindo ser pai de Jesus e acreditou na pureza de Maria. Talvez os Anjos? Claro que não, pois cantaram a Glória de Deus e a fé dos homens. Então teriam sido os animais? Não! Como fariam isso? Jesus foi aceito por eles, que rodeavam a manjedoura para aquecê-lo. Quem, então, teria escondido Jesus? Você tem alguma ideia?

O mistério se desvela aos poucos. Há, sim, alguém que gostaria muito de retirar Jesus da cena do Natal. Há, sim, alguém que gostaria de ficar em seu lugar. Na verdade, ele conseguiu, pois ao chegar o Natal, na maioria quase absoluta das vezes, é ele que é lembrado, chamado e procurado. É ele que é anunciado como o sinal do Natal. Os adultos fazem questão de ensinar às criancinhas que ele é o mais importante personagem do Natal. Ele está em todos os lugares. Já sabe quem é ele?

“Vamos trazer Jesus de volta ao seu lugar! Vamos celebrar o Natal de Jesus!”

Papai Noel, pode até ser confundido, por causa do sentimentalismo como o “bom velhinho”, herança do bondoso, verdadeiro e cristão São Nicolau, mas o que de verdade é manifestado em Papai Noel? A descaracterização do Natal Cristão, do verdadeiro sentido que é o nascimento de Jesus Salvador. O que deveria ser presença de Deus em nossa vida, em nossa história passa a ser manifestação comercial. Papai Noel tira Jesus de cena e inaugura um ‘natal’ de consumo, de banalização, da sonegação da solidariedade pelo incentivo às andanças nos shopping. Tudo para fazer acontecer o ‘natal’ divulgado, anunciado, glamourizado pelas mídias e por quem não entende, não sente e não faz a experiência do Natal de Jesus. As crianças crescem sem referências cristãs e sem compreenderem e sentirem as celebrações religiosas; sem experimentarem o Natal do Jesus-Menino: o Menino das mãos fofinhas que nos acaricia e acolhe nossas esperanças e que valoriza nosso SER e não o TER.

Mas lembremo-nos que se Papai Noel escondeu o Menino Jesus, foi a “mando” de alguém. Alguém que pode ser eu, ser você, ser o outro. Se não somos os “mandantes”, no mínimo permitimos isso, pois nem sempre assumimos o Natal de nossa fé, o Natal Cristão, o Natal de Jesus. Deixamos e até incentivamos que Papai Noel fique no lugar de Jesus. Vamos trazer Jesus de volta ao seu lugar! Vamos celebrar o Natal de Jesus!

O Catecismo da Igreja Católica nos recorda com firmeza e poesia o Nascimento de Jesus e nos inspira a não permitir que ele seja retirado da cena do Natal. Ele é o aniversariante. Afirma o Catecismo:

“Jesus nasceu na humildade de um estábulo, no seio de uma família pobre. As primeiras testemunhas deste acontecimento são simples pastores. E é nesta pobreza que se manifesta a glória do céu. A Igreja não se cansa de cantar a glória desta noite: ‘Hoje a Virgem dá à luz o Eterno e a terra oferece uma gruta ao Inacessível. Cantam-n’O os anjos e os pastores, e com a estrela os magos põem-se a caminho, porque Tu nasceste para nós, pequeno Infante. Deus eterno!'”

O Natal não é o anúncio da comercialização, mas da Boa Nova! Papa Francisco nos alerta na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (Alegria do Evangelho) sobre os perigos do consumo. Afirma ele:

“Vamos aceitar o convite de cuidar do Menino-Jesus. Não vamos permitir que o consumismo endureça nossos corações. Se há preocupação em decepcionar as crianças ligando Papai Noel ao consumismo, muito maior deve ser a preocupação com a dessacralização do Natal. Qual é nossa resposta Cristã à proposta do consumismo pagão?”

Não vamos permitir que desapareçam com Jesus de nossas vidas e da vida de nossa Sociedade. Herodes tentou e fracassou. Não será Papai Noel que ofuscará a Luz, que é Jesus.

Fonte: A12

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