“Coisas novas estão surgindo” (Is 43,19). Estas palavras do profeta Isaías abrem perspectivas para que as paróquias, na sociedade pós-contemporânea, sejam criativas, operativas, funcionais, organizadas, estratégicas e estabeleçam entre os fiéis um envolvimento diferenciado e possibilitem a experiência concreta do Cristo Ressuscitado.

Muitas vezes, o que acaba acontecendo é que as experiências negativas de vida paroquial do passado acabam gerando desconfiança e insensibilidade, que levam muitos a não perceberem o novo que se impõe, que chega e que não condiz com a repetição de coisas que já aconteceram no passado.

Assim sendo, o profeta Isaías abre horizontes para o novo tempo que precisa ser conquistado. Nosso Deus é aquele que cria caminho onde não existe caminho algum. Ele cria algo novo, uma saída para situações em que não se enxerga mais possibilidade alguma.

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Novas formas de ser e pensar

No mundo pós-contemporâneo, estamos cansados, estressados por tantas questões vindas do ambiente paroquial em que vivemos ou somos responsáveis. O risco do burnout [1], síndrome do esgotamento pode atingir a todos, leigos e ministros ordenados. Esta situação exige que os párocos façam do seu ministério um dom de amor, de entrega, de dedicação e de envolvimento com as pessoas para que nossas paróquias sejam mais vivas e se destaquem como um sinal do Reino de Deus na vida das comunidades de fé.

Precisamos que bispos, sacerdotes e leigos trabalhem juntos para lançar as sementes do Verbo em um contexto complexo e que nos traz perplexidades.

Neste tempo caracterizado como de “mudança de época”, as paróquias devem ser um lugar privilegiado de evangelização, de encontro, de alegria, de conforto, de acolhida, de encorajamento e de expressão da comunhão e participação eclesial; um ambiente propício à reflexão e à escuta orante da Palavra de Deus; um lugar de oração pessoal e comunitária e da vivência dos sacramentos, principalmente da eucaristia.

Devemos buscar juntos caminhos para que nossas paróquias progridam como:

a) Espaço de santificação dos seus membros:

“Seguindo o exemplo da primeira comunidade cristã (cf. At 2,46-47), a comunidade paroquial se reúne para partir o pão da Palavra e da Eucaristia e perseverar na catequese, na vida sacramental e na prática da caridade “para que todos os discípulos missionários possam, nos sacramentos, dar frutos permanentes de caridade, reconciliação e justiça para o mundo” (DAp 175).

b) Lugar privilegiado onde os fiéis possam fazer a experiência concreta da Igreja (arqui) diocesana:

“A paróquia é a realização concreta da Igreja num determinado lugar. É sinal da Igreja universal” (AA 10).

c) Comunidade onde os leigos participam ativa e ardorosamente:

“As paróquias devem ser: “espaços da iniciação cristã, da educação e celebração da fé, abertas às diversidades de carismas, serviços e ministérios, organizadas de modo comunitário e responsável, integradoras de movimentos de apostolado já existentes, atentas às diversidades cultural de seus habitantes, abertas aos projetos pastorais e supraparoquais e às realidades circundantes” (DAp 170).

d) Comunidade fiel à missão de anunciar o Evangelho:

As paróquias sejam missionárias (cf. DAp 173) e “todos os membros da comunidade paroquial são responsáveis pela evangelização dos homens e mulheres em cada ambiente” (DAp l71)

O quê definir?

Olhando para estes paradigmas, dando-lhes vida e priorizando-os, podemos dizer com o profeta Isaías que “coisas novas estão surgindo” (43,19).

Os ingleses usam uma expressão muito interessante que pode ajudar nossas paróquias se tornarem comunidades vivas e demonstrar que estamos evoluindo juntamente com a sociedade: “Together everyone achives more”, isto significa que “Juntos cada um obtém mais”.

Precisamos trabalhar juntos na vida paroquial onde, em um trabalho missionário, em clima colaborativo e em equipe, podemos complementar nossas competências e conhecimentos sobre a missão e finalidade da paróquia no mundo contemporâneo.

Necessitamos investir na organização da missão e da finalidade das paróquias na vida eclesial para que elas possam se tornar uma prática vantajosa, altamente benéfica que, por sua vez, atesta a necessidade de rever e criar novos ministérios, formando novas funções e idealizando novas tarefas numa sociedade em constante transformação.

Assim, certamente, a paróquia contribuirá para a realização de um mundo renovado segundo o projeto de Deus: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21,5).

Dom Edson Oriolo  é Bispo Auxiliar na Arquidiocese de Belo Horizonte/MG, Mestre em Filosofia Social, Especialista em Marketing, Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Pessoas, Professor, “Leader and Professional Coach” pela Act Coaching Internacional e membro do Conselho de Conteúdo da Revista Paróquias. Autor do livro “A nova pastoral do dízimo: formação, implantação e missão na Igreja”, publicado pela Catholicus Editora e “Paróquia Renovada: sinal de esperança”, Paulus Editora.

Contato: [email protected]

Fonte: Revista Paróquias, ed. 38. Para ler mais matérias sobre gestão eclesial, assine já: (12) 3311-0665 ou [email protected]

[1] É um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso definido pelo psicanalista Herbert Freudenberger (1026-1999). Burnout (do inglês to burn out, queimar por completo). Alguns autores definem como uma das consequências mais marcantes do estresse ou desgaste profissional, e se caracteriza por exaustão emocional e avaliação negativa de si mesmo. Este tipo de estresse consome-se física e emocionalmente, passando a pessoa a apresentar um comportamento agressivo e irritadiço.

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