Busque na espiritualidade o caminho para uma administração mais harmônica

Hoje em dia, há uma busca intensiva pelo poder muito mais que pelo ser. As organizações e instituições tem se valorizado e valorizado seus colaboradores pelas suas questões financeiras e econômicas, deixando de lado valores éticos, sociais e morais. Competência hoje é sinônimo de uma produtividade apenas materialista. E o essencial que é invisível aos olhos, não se percebe de forma clara, mas se valorizado transforma o indivíduo que transformará a empresa e, enfim, a sociedade deixou de sê-lo de forma completa.

Nesse sentido, queremos utilizar da espiritualidade como um dos caminhos para o desenvolvimento humano. Sendo assim, ela seria de grande relevância para os gestores e colaboradores de nossas dioceses, paróquias e para as diversas instituições religiosas, especificamente para os gestores e colaboradores de paróquias e dioceses.

Observações específicas

A espiritualidade está presente em todas as vertentes da vida, inclusive de uma empresa, e ela dá sentido ao ser humano, indivíduo que compõe a empresa no papel de gestor ou de colaborador. E na história da administração, nossa Igreja sempre foi referência da dimensão hierárquica. A título de experiência, há 10 anos trabalho no setor administrativo de uma paróquia, de forma direta na gestão de pessoas, e percebo entre outras coisas, uma deficiência no processo das relações.

Contudo, é necessário perceber a importância da espiritualidade, levantando informações sobre o valor da mesma, diferenciando o ser espiritualizado do espiritualista, levando em consideração o desenvolvimento humano como consequência de toda essa realidade, e explicando a toda a equipe paroquial o sentido da espiritualidade em suas vidas.

No mundo moderno o ser humano tem se tornado importante, principalmente para as organizações, quando ele acelera os processos da negociação, nas inovações, na rapidez em assimilar as mudanças e antecipar-se ao futuro. Assume a ótica da eficiência, da competição, da relação constante com o mercado e o cliente. Tudo se tornaria essencial se junto a esses fatores fossem também considerado os valores sólidos, a gratuidade, o reforço da identidade, da busca do que é perene e estável em um ritmo diferente do tempo cronológico.

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A espiritualidade no ambiente de trabalho

É na espiritualidade dos funcionários de nossas paróquias (administradores, auxiliares administrativos, tesoureiros, auxiliares de serviços gerais, auxiliares do lar sacerdotal) que queremos focar. Há uma exigência urgente em que esses colaboradores vivam uma autêntica espiritualidade em seus ambientes de trabalho, desenvolvendo ao máximo as possibilidades de auto-aperfeiçoamento e humanização, no serviço a Deus e aos outros.

Por um indivíduo trabalhar em uma paróquia ou em uma cúria/mitra diocesana a suposição seria que essa pessoa tenha espiritualidade, e ela pode até ter, mas a regra não é geral. Falar de indivíduo espiritualizado seria mais fácil se o indivíduo pudesse cumprir e desempenhar seu trabalho como vocação, e as organizações entendessem esse sentido. Vocação essa que não pode estar desvinculada da vocação de toda pessoa humana.

O Concílio do Vaticano II formulou um conjunto de exigências éticas para que o trabalho constitua um processo de humanização.

3 exemplos de exigências éticas

  1. O trabalho é injusto quando na sua organização e desenvolvimento prejudica os trabalhadores;
  2. É igualmente injusto, e não pode ser justificado pelas leis econômicas, quando os trabalhadores se tornarem em certo sentido, escravos do seu próprio trabalho;
  3. Também quando se nega aos trabalhadores a possibilidade de desenvolverem as suas qualidades e a sua personalidade no próprio âmbito do trabalho (Dicionário de moral).

Podemos identificar um ser espiritualista ao percebermos aquela pessoa que vive em torno da própria doutrina, que se basta e não percebe no outro a pessoa de Cristo, que vive a religião como obrigação, que deixa de ver a beleza nos ritos e preceitos religiosos, enfim, vive a sua religiosidade, que seria “a manifestação tangível da fé, realizada por cada pessoa ou grupo, em um contexto cultural preciso”. Diferente da pessoa espiritualizada, que tem sua vida inserida na doutrina, mas quer que a mesma possa ser compartilhada com o irmão, por isso uma pessoa espiritualizada não vive a fé para si, mas vai além da expressão da religiosidade, do visível, exercendo assim sua vocação, que existe para a utilidade comum dos homens. São pessoas que amadureceram espiritualmente, deixaram as atitudes infantis, e por meio do autoconhecimento passaram a entender o outro.

A maturidade caracteriza-se pela harmonia de todos os elementos da personalidade do indivíduo, de onde decorre a adaptação a si mesmo e aos outros, a integração na própria personalidade, o senso de responsabilidade e a capacidade de autocontrole. Trata-se de condições psicológicas altamente positivas, que levam ao equilíbrio físico e psíquico, à possibilidade de enfrentar serenamente qualquer situação nova na vida (Dicionário de espiritualidade).

André Luiz Moreira dos Santos é Graduado em Administração com Habilitação em Marketing, Pós-Graduado em Gestão de Pessoas, trabalha na área de Administração Paroquial. Palestrante e promotor de encontros na área de Administração e Secretariado Paroquial, Marketing Católico, Relações Humanas e Lideranças Comunitárias, Dízimo.

Contato: [email protected]

Fonte: Revista Paróquias, ed. 26. Para ler mais matérias sobre gestão eclesial, assine já: (12) 3311-0665 ou [email protected]

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