Mais uma vez de volta a reflexão sobre a necessidade de se captar recursos para a comunidade paroquial. Refletir esse tema na ótica de Igreja nos faz voltar a atenção sobre as finanças e os bens eclesiásticos. Admirados com tantos escândalos no mundo da política nos faz contemplar alguns desmandos não inerentes à missão da Igreja. Assim, podemos definir nossa reflexão: atividades que se desenvolvem dentro de uma organização sem fins lucrativos com o objetivo de levantar recursos, de maneiras variadas, junto aos diversos elementos da sociedade, a fim de garantir a sustentabilidade da organização e de seus projetos.

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De forma geral, observamos as paróquias envolvidas em inúmeras atividades para manter a sua estrutura administrativa. Em geral, faz-se aquilo que por sinal, infelizmente, se tornou comum: festas, promoções, bingos, sorteios, bateu-levou, rifas, bailes, leilões, chás beneficentes, quermesses, etc. Montou-se uma parafernália de “atividades” lucrativas para a manutenção da Igreja do Senhor. A maioria (ou todas?) delas é juridicamente ilegal. Mesmo assim continuamos com as mesmas atividades fazendo-se de conta que tudo é para o bem comum e beneficência da comunidade e nada de mal possa advir de tudo isso.

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Essas promoções, em geral, têm um destino certo: quando não é para auxiliar os pobres da comunidade são para construções, reformas ou manutenção das atividades paroquiais. Cabe aqui questionar que não somente a Igreja se locupleta dessa atividade bem como outras Instituições (religiosas e laicas) com fins filantrópicos.

Questões pertinentes

Será que toda e qualquer promoção pode ser válida, mesmo tendo em vista as necessidades da comunidade (pobres, construções, reformas, etc)? Não haveria outro recurso “mais” cristão ou menos nocivo e agressivo? Não deveria existir mais comedimento nessas situações? Alguém poderia acordar para um novo modo de se captar recursos na comunidade? “A renovação da paróquia exige atitudes novas dos párocos e dos sacerdotes que estão a serviço dela” (n°. 201), lembra o Documento de Aparecida.

Parece-me, ainda, que esses (ou alguns) recursos estão cada vez mais se escasseando. Muitas comunidades que viviam à custa de leilões de gado para se manter estão sentindo na pele a necessidade de outra alternativa. Com o advento do plantio da cana de açúcar, em muitas regiões do Brasil, o jeito agora seria apelar para o dízimo. Depois de muitos anos de comodismo, certamente, a comunidade encontrará mil dificuldades para fincar o passo em busca de um dízimo que supra sua deficiência econômica.

Tristemente vemos alguns recursos se esgotando e, agora, caminhar para o dízimo. Isso nunca deveria ter acontecido. Algumas comunidades apelam tanto para convocar o povo ao dízimo que certo dia li escrito em uma faixa: “quem nega o dízimo está roubando a Deus”.  Exagero ou apelo desnecessário? Precisa-se chegar a esse ponto para alertar a comunidade? (Idem, p. 14).

O dízimo como prática bíblica, escola de solidariedade, comunhão fraternal e opção cristã resolvem todos esses entraves que, por vezes, a paróquia pode estar passando. Mas para se optar pelo dízimo deve haver coragem em se enxugar as entradas de recursos financeiros da comunidade. Dízimo e promoções não combinam; não se ligam; não interagem. Vale o destaque de Jesus: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Lc 16,13). O cristão deve saber ou aprender onde fitar seu olhar pastoral (cf. Mt 6,19-23).

Interessa-nos perguntar: o que se quer? Dinheiro a todo o custo, embora contrariando toda ética, ou um dízimo sarado e curado de todo desmando capitalista! Esse é o questionamento para uma captação de recursos coerente com o Evangelho.

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9 sugestões para se evitar o desmando alucinado e desfocado do Evangelho

  1. Propor uma avaliação de caminhada da comunidade. Isso pode ser por meio de assembleia paroquial;
  2. Reestruturar a vida financeira da comunidade;
  3. Reengenharia de pastoral revendo as entradas e saídas;
  4. Criação do Conselho Econômico e de equipes de pastoral do dízimo;
  5. Propor uma iniciativa voltada exclusivamente para o dízimo como entrada enxuta de recursos;
  6. Fazer com que o dízimo seja a única fonte de recursos da comunidade paroquial;
  7. Trabalhar pastoralmente a informação sobre o dízimo durante um bom período de conscientização, de evangelização;
  8. Seriedade – transparência – na prestação de contas para a comunidade. Isso vale tanto para a Igreja quanto às Instituições;
  9. Admitir que o dízimo só será verdadeiro quando o contribuinte fizer a experiência de Deus.

Outras ideias poderão ser encontradas/buscadas em nosso livro às paginas 15, 21-22 (estratégias). “A nossa Igreja (comunidade) precisa mais do que nunca de um rumo. Acertar os passos quanto à captação de recursos. Nem todo o recurso a ser captado poderá ser digno ao serviço da evangelização” (idem p. 23).

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O CONADIZ – Congresso Nacional da Pastoral do Dízimo e da Partilha é um evento voltado para a capacitação técnica dos agentes dessa Pastoral. Este encontro nacional busca proporcionar um momento formativo e também celebrativo.

Além de promover uma rica troca de experiências entre as pastorais diocesanas e paroquianas, o método pretende ainda desenvolver e aprimorar questões relacionadas aos aspectos administrativos e financeiros, com base na gestão eclesial contábil e financeira dos recursos captados, assim como sua aplicação em benefício da comunidade.

Pe. Jerônimo Gasques é Pároco da Igreja São José, Presidente Prudente-SP e Autor do livro “Dizimo e captação de recursos – desafios às comunidades do século 21”, publicado pela Paulus Editora.

Contato: [email protected]

Fonte: Revista Paróquias, ed. 21. Para ler mais matérias sobre gestão eclesial, assine já: (12) 3311-0665 ou [email protected]

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