Homem assiste à beatificação da freira que ele mesmo matou
Homem assiste à beatificação da freira que ele mesmo matou (Foto:Divulgação)

No dia 4 de novembro de 2017, aconteceu na Índia a beatificação da Irmã Rani María Vattalil, assassinada brutalmente em 1995. Foi a primeira mulher indiana declarada beata depois de ser martirizada.

Mais de 10 mil pessoas participaram da cerimônia, que também contou com quatro cardeais.

Entre as pessoas que assistiram à beatificação, na primeira fila estava um personagem chave de todo esse processo: Samunder Singh, o homem que assassinou a franciscana, dando-lhe 54 punhaladas.

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Ele diz ter-se arrependido do ato abominável e foi perdoado pela família da nova beata. Agora, depois de ter cumprido a pena, é mais um membro da família da Irmã Rani.

A manifestação da vontade de Deus

“Estou muito feliz por ‘Didi’ (a irmã mais velha) ter sido reconhecida como mártir”, afirmou o assassino. Durante a cerimônia de beatificação, Singh disse que ainda sente o peso do “crime espantoso”, apesar do perdão recebido da família. Ele também revelou que, com o tempo, veio a certeza que “todos os fatos que conduziram ao seu martírio foram manifestações da vontade de Deus”.

A Irmã Rani María Vattalil, nasceu em Kerala. Mas, já como religiosa, foi transferida para a diocese de Indore para servir à população mais pobre do lugar. A missionária dedicou todo o seu tempo para melhor as condições de vida das pessoas – algo que não agradou os chefes das aldeias próximas.

Convencido para assassinar a religiosa

Os chefes das aldeias começaram a conspirar para que a jovem freira fosse embora do local. Mas, no fim das contas, convenceram Samunder Singh, um homem pobre de uma das aldeias, a matar a irmã. Eles ofereceram até as armas.

Em 1995, Samunder atacou a freira e a apunhalou violentamente 54 vezes. Ele foi preso e condenado. Sua família o abandonou, assim como os chefes das aldeias que o incentivaram a matar a freira. Depois de 11 anos na prisão, a intervenção da família da nova beata conseguiu colocá-lo em liberdade, já que a condenação era à prisão perpétua.

Samunder passou os primeiros anos de cadeia cheio de ódio contra aqueles que o enganaram. Todos os dias, pensava em matar o homem que o convenceu a acabar com a vida da religiosa.

Um padre: o único que não o abandonou

Porém, Samunder nunca ficou completamente sozinho. Na prisão, um padre o visitava frequentemente, oferecendo consolo espiritual. Foi isso que levou o assassino para o caminho do arrependimento.

Porém, o perdão total aconteceu no dia em que uma freira, irmã da religiosa assassinada, foi visitá-lo na prisão. O gesto mudou para sempre a vida do assassino.

O gesto da mãe da nova beata

Quando saiu da prisão, o homem foi a Kerala, cidade natal da Irmã Rani, para pedir perdão à família. Lá estava a mãe da religiosa, cujo gestou deixou Samunder completamente em choque: a mulher quis beijar as mãos dele, dizendo: “sobre elas está o sangue da minha filha”.

Em declarações para o site AsiaNews, Samunder Singh afirmou: “antes de me incentivarem a matá-la, ouvi muitas mentiras odiosas sobre os missionários e cristãos.

Eles costumavam dizer que os cristãos convertiam as pessoas através de truques e que o trabalho deles com os pobres era só enganação.

Agora, entretanto, posso dizer, sem dúvida, que os missionários não fazem nada além de trabalhar e ajudar aos pobres marginalizados. Não têm nenhum plano secreto, além de servir a Deus”.

Agora, o assassino segue o exemplo da religiosa

Singh diz que seu objetivo, agora, “é seguir o exemplo” da mulher que ele assassinou, “ajudando aqueles menos afortunados”.

Convencido, ele fala para todo mundo: “Quero que todos saibam que os cristãos trabalham para fazer com que a Índia seja melhor. Através de seus serviços, os missionários nos dão esperança”.

O Papa Francisco se referiu à beatificação, dizendo: “a Irmã Vattalil deu o testemunho do Cristo no amor, na mansidão. E se une à extensa fila dos mártires do nosso tempo. O sacrifício dela é uma semente de fé e paz, especialmente na Índia. Ela era tão boa, que a chamavam de ‘a irmã do sorriso’”.

Um documentário sobre o perdão

Toda essa história ficou mundialmente conhecida graças ao documentário The heart of the murderer [O coração do assassino].

“O filme nos faz acreditar que é humanamente possível reagir, mudar de ideia e não devolver o mal com o mal, mas dar amor e fazer acontecer o milagre de mudar a pessoa que está na sua frente, que te magoou”, explica a diretora do documentário, Catherine McGilvray.

Fonte: Aleteia

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