Katy Perry vai receber US$ 5 milhões em danos morais após um processo de compra de um convento

Katy Perry vai receber US$ 5 milhões em danos morais após um processo envolvendo um arcebispo católico, freiras e uma empresária de Los Angeles. A cantora e o padre José Gomez acionaram judicialmente a empresária Dana Hollister por “interferir maliciosamente” na negociação de compra de um convento pela cantora.

Desde 2015, Katy vem tentando comprar a propriedade, localizada na região de Los Feliz, em Los Angeles, para transformar em sua residência. Avaliado em US$ 14,5 milhões, o imóvel também era disputado por Dana Hollister, que pretendia transformá-lo em um hotel boutique.

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A proposta de Katy já havia sido aprovada pelo arcebispo, responsável pela venda, mas, de acordo com o processo, Dana teria convencido de forma fraudulenta as freiras que ali viviam a intercederem a seu favor, rejeitando a proposta da cantora de “Roar”.

Em sua tentativa de convencer as freiras, Katy, de família religiosa, visitou o convento e até mesmo cantou músicas gospel para suas moradoras. Ainda assim, elas aceitaram a oferta de Dana, que seria maior. Além disso, as freiras declararam não ser fãs da cantora — “devido a motivos que devem ser óbvios para freiras católicas”, disseram em um documento — e permitiram que Dana começasse a reformar a propriedade.

Os advogados da arquidiocese, porém, argumentaram que o lance de Dana, que garantia US$ 100 mil em dinheiro vivo, contra os US$ 10 milhões oferecidos por Katy, estavam “infestados com muitos problemas”. Eles então passaram por cima da decisão das freiras.

Katy já tinha recebido US$ 1,6 milhão para cobrir seus custos com o processo, e agora vai receber mais US$ 3,3 milhões em danos morais. A arquidiocese, por sua vez, vai receber mais de US$ 10 milhões. As partes ainda precisam determinar os termos da venda, que incluem a busca de um novo lar para as freiras antes que a cantora possa se mudar.

O antigo convento que é alvo de disputa na Justiça americana: arcebispo a favor de Katy Perry e freiras em defesa de empresária

ENTENDA O CASO

O arcebispo acusava Dana Hollister de tirar vantagem das freiras Rita Callanan e Catherine Rose Holzma, ambas idosas, e de outras que viviam no casarão, dando a elas apenas um pagamento inicial e uma nota promissória. De acordo com a ação judicial, em que alegava que apenas ele e o Vaticano poderiam decidir o destino do imóvel, localizado em uma colina, José Gomez pedia para que a venda a Dana Hollister fosse “anulada por ser produto de abuso de idosos”.

Em 2015, Dana Hollister disse que a acusação era “ridícula” e defendeu a saúde mental das freiras.

— Elas não são tontas, de jeito nenhum — disse ela, na quarta-feira. — Ninguém diz que Warren Buffett, por ter 84 anos, não poderia administrar a própria empresa.

A irmã Jean-Marie Dunne também não gosta da atitude do arcebispo Gómez. Aos 88 anos, ela disse que não quer se envolver com o enfrentamento público, segundo documentos judiciais, mas um e-mail que ela enviou a ele foi incluído nos registros. “IDADE AVANÇADA não necessariamente = SENILIDADE”, escreveu ela.

Segundo as freiras Rita e Catherine Rose, Gómez disse a elas apenas que queria vender o imóvel a “uma pessoa chamada Katherine Hudson”, que elas descobriram depois tratar-se de Katy Perry. Elas não ficaram felizes com a ideia de não controlarem o valor arrecadado com uma venda, nem com a perspectiva de que o casarão fosse ocupado por alguém que adora bustiês e que foi descrita como “a máxima fantasia masculina” pela revista “GQ”.

As freiras então se encontraram com Katy a pedido de Gómez. A cantora, que é filha de pastores e tem “Jesus” tatuado no pulso, cantou “Oh Happy Day“ para elas, segundo o “Los Angeles Times”, mas não conseguiu causar uma boa impressão.

Asfreiras e a organização sem fins lucrativos processaram o arcebispo Gómez e ele concordou em não fechar a venda a Katy Perry antes de uma audiência sobre esse caso, que vinha se arrastando há mais de dois anos. Quanto ao processo, segundo ele, o objetivo foi “ajudar as freiras a reconquistarem a posse do imóvel e garantir que qualquer recurso futuro de uma venda autorizada seja dedicado aos cuidados delas”, disse a arquidiocese, na semana passada.

A irmã Jean-Marie não acreditou nisso. Ela disse que falta à arquidiocese “humildade e honestidade” em seu e-mail, e que os homens que estão no poder “estão obcecados com sua concepção equivocada de sua importância canônica, eclesiástica e soberana”.

Fonte: O Globo

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