Diante da realidade de nossas paróquias, cujos desafios do mundo globalizado testam cada dia a nossa capacidade de liderança, é de se perguntar: além de pároco, estou sendo, verdadeiramente, um líder democrático, que distribui trabalhos e valoriza a ajuda de outros ou sou um líder autoritário, centralizador, “multifuncional”, que dispenso a colaboração dos demais por medo de perder o poder?

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Para responder a esse questionamento, segue um esquema comparativo entre os dois tipos de lideranças que podem marcar o cotidiano de um pároco: o pároco, líder autoritário e o pároco, líder democrático.

O pároco se torna um líder autoritário quando:

1) Não dá voz aos outros, não aceita idéias e pensa que só ele sabe das coisas e, portanto, só ele pode dar opiniões e tomar decisões:
2) Não acredita nos fiéis leigos e acha que todos são desorganizados e sem objetivo;
3) Não sabe escutar e gosta de só ele falar;
4) Vive na defensiva e o seu maior prazer é dar ordens, fazendo tudo sozinho, por medo de perder autoridade;
5) Tem medo de perder o controle da situação e por isso quer dominar tudo. Não dialoga e considera toda conversa, perda de tempo;
6) Não divide tarefas, quer fazer tudo, estar em todos os lugares e controlar tudo e todos:
7) Todos devem esperar por ele, crendo que apenas ele tem capacidade para formar e informar;
8) Decide tudo sozinho e, quando muito, apenas comunica a decisão;
9) Acredita que é o responsável por tudo e que essa responsabilidade não tem limites;
10) Não dá oportunidade a outros e, mesmo nas reuniões, é ele quem dirige, sendo sempre sua a última palavra;

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É um líder democrático quando:

1) Escuta, dá vez e voz aos fiéis leigos, trabalha em equipe e sabe que os outros também sabem, portanto, tem uma postura de humildade e busca aprender com os outros e respeitar as opiniões alheias;
2) Acredita, sabe que a liderança de outros podem somar a sua e com isso a paróquia só tem a ganhar;
3) Sabe ouvir, aceita opiniões, consulta o CPP e o CAEP e a comunidade em geral, decidindo e assumindo em conjunto;
4) Tem segurança, não receia perder o domínio porque confia na sua capacidade e na dos outros;
5) Gosta de dialogar, trocar idéias, acata opiniões e valoriza o trabalho alheio;
6) Sabe repartir o trabalho e as responsabilidades e com isso corre menos riscos de se sobrecarregar e se estressar. Dá chance para que todos assumam;
7) Ajuda na formação de novas lideranças, colocando-se como um membro da comunidade paroquial que não está acima pelo cargo que ocupa, mas que está para servir e também aprender;
8) Não decide por si, mas faz com que toda decisão passe pela comunidade;
9) Sabe que não pode ser responsável por tudo e por isso, além de animar para que outros assumam responsabilidades, confia e valoriza a ação de outros quando elas são, de fato, boas;
10) Propicia oportunidades, descobre e valoriza os dons e talentos de sua paróquia, conferindo a mesma um verdadeiro sentido de comunidade eclesial.

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Enfim, para ser um pároco, líder democrático, não é preciso ter todas as respostas, mas saber fazer todas as perguntas e permitir que elas sejam respondidas pela comunidade. É saber estimular a criatividade e a inovação da vida da paróquia e estar sempre pronto a aprender.

Para isso é preciso ter paixão pelo trabalho ministerial, pelas celebrações, pelas festas, etc, acolhendo bem a todos. É a única forma de contagiar as pessoas e fazer com que elas, de fato, se sintam verdadeiramente partícipes da comunidade. Saber identificar e reconhecer os potenciais, ser o fio condutor do processo de desenvolvimento da comunidade eclesial.

Pe. José Carlos Pereira, CP é Doutor em Sociologia pela Puc-SP e autor de diversas obras, dentre elas “Guia de gerenciamento e administração paroquial”, pela Editora Paulus e “O ofício de pároco” e “Assembléia paroquial. Roteiro de preparação e realização” pela Editora Vozes.

Fonte: Revista Paróquias, ed. 16. Para ler mais matérias sobre gestão eclesial, assine já: (12) 3311-0665 ou [email protected]

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