A carta do papa Francisco às famílias, Amoris laetitia, é um belo itinerário para viver a alegria do amor no lar de das famílias do mundo inteiro. O próprio papa faz um resumo: “No desenvolvimento do texto, começarei por uma abertura inspirada na Sagrada Escritura, que lhe dê o tom adequado. A partir disso, considerarei a situação atual das famílias, para manter os pés no chão. Depois lembrarei alguns elementos essenciais da doutrina da Igreja sobre o matrimônio e a família, seguindo-se os dois capítulos centrais, dedicados ao amor. Em seguida destacarei alguns caminhos pastorais que nos levem a construir famílias sólidas e fecundas segundo o plano de Deus, e dedicarei um capítulo à educação dos filhos. Depois deter-me-ei em um convite à misericórdia e ao discernimento pastoral perante situações que não correspondem plenamente ao que o Senhor nos propõe; e, finalmente, traçarei breves linhas de espiritualidade familiar” (n. 6).

Francisco recorda que a Sagrada Escritura está repleta de histórias de famílias com suas alegrias, belezas e dificuldades, sem que essa instituição perca o seu brilho. A expressão “Tu e tua esposa”, ou seja, o homem e a mulher, terem seus filhos e filhas como brotos de oliveira ao redor de tua mesa (cf. Sl 128/127,3); as primeiras comunidades cristãs se reúnem em casas, local da convivência familiar por excelência. Na família que ocorrem também experiências dolorosas de brigas, doenças e mortes, mas, no fim dos tempos, Deus enxugará nossas lágrimas e não haverá mais morte ou dor (cf. Ap 21,4). No ambiente familiar com suas cruzes, é superado pelo esforço diário do convivo material e espiritual, do trabalho e do carinho de um abraço, compromisso de todos.

A essência do Matrimônio está em “aperfeiçoar o amor dos cônjuges”, para isso são apresentadas alguns pontos essenciais extraídos da Carta de Paulo aos Coríntios (13,4-7): paciência, atitude de serviço, cura da inveja, combater o orgulho e a arrogância, ser amável, desprender-se de si mesmo, não guardar violência interior, perdoar, alegrar-se com os outros; desculpar-se, confiar, esperar, suportar-se, bem como crescer na caridade conjugal tendo tudo em comum, valorizando a alegria e a beleza da vida a dois que leva a se casar por um amor que se manifesta e cresce a cada dia, dialoga, se apaixona, navega pelas fantasias lícitas, sente alegria nos filhos, vive a dimensão erótica do amor conjugal, combate a violência e a manipulação e não menospreza, ao lado do casamento santo, a vida una e indivisa da virgindade e do celibato nem deixa que o amor se transforme com o passar dos anos em que as aparências físicas não são as mesmas: o amor não cria rugas como o corpo.

Diz o papa: “Se uma criança chega ao mundo em circunstâncias não desejadas, os pais ou os outros membros da família devem fazer todo o possível para aceitá-la como dom de Deus e assumir a responsabilidade de acolhê-la com carinho”. A Igreja louva as famílias numerosas, mas pede responsabilidade na geração dos filhos a fim de que não se coloque no mundo uma criança que passará graves necessidades. Pede ainda a valorização da gravidez com o amor da mãe e do pai àquela criança, bem como exorta ao que se chama de “paternidade alargada”, ou seja, ser pai ou mãe não é apenas um fato biológico, mas do coração. Daí, as adoções, o cuidado com os abandonados e frágeis. A vida familiar bem vivida é caminho de santificação, na oração comum e diária, ainda que breve, entre os cônjuges e com os filhos, resplenderá a luz do Cristo ressuscitado. O ponto alto da oração na vida matrimonial é a Eucaristia.

Que Deus abençoe todas as famílias. Vamos viver o amor nas nossas famílias e gerar alegria para toda a sociedade.

Por Dom Anuar Battisti – Arcebispo de Maringá-PR

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