Toda pessoa para se tornar plenamente consciente de seus atos e escolhas tem a necessidade de refletir com profundidade sobre as opções que faz na vida e descobrir sempre o porquê de fazer ou não fazer alguma coisa. Em assuntos de fé e religião, temos como principal recurso para tomarmos as nossas decisões quanto aos compromissos que iremos assumir, – o fundamento da Sagrada Escritura. Entre tantas passagens bíblicas que serviriam de exemplo, podemos ler uma que nos ajuda nesta reflexão: “…quem se concentra numa lei perfeita, a lei da liberdade, e nela continua firme, não como ouvinte distraído, mas praticando o que ela manda, esse encontrará a felicidade no que faz.” (Tg 1,25).

Quanta sabedoria nesta expressão do apóstolo Tiago. Ele aponta a lei perfeita da liberdade como orientadora das ações que produzem felicidade em nossas vidas. Aquela pessoa que participa de uma comunidade e em nada contribui para a sua existência e seu dinamismo – certamente será um cristão que não desfruta nela uma liberdade plena e talvez se sinta de alguma forma questionado por sua omissão. O mesmo se dá numa casa com um filho que trabalha e tem seu salário, mas não ajuda nas despesas da família e que também experimentará algum tipo de frustração consigo mesmo por omitir-se de uma participação solidária nas responsabilidades do lar em que habita.

A vida é exigente e cobra o comprometimento com as realidades que nos cercam. Somos convocados a nos posicionar e interagir com os diversos círculos de nossa atuação: na família, na comunidade, na sociedade. Em cada uma destas instâncias temos os nossos direitos e as nossas obrigações a cumprir. Em cada um destes planos temos privilégios mas também temos os nossos deveres. As pessoas que cobram os privilégios, mas não correspondem com a prática de seus deveres, costumam ser pessoas insatisfeitas consigo mesmas, arredias, infelizes sem descobrir a causa. Já aquelas que assumem plenamente as suas responsabilidades gozam também em plenitude o sentimento do dever cumprido que as torna realizadas, satisfeitas, felizes. Como afirma o apóstolo no texto citado de sua carta.

Muitas vezes somos conduzidos por preconceitos e deixamos de praticar as ações que nos tornariam pessoas mais realizadas e plenas em nossa experiência de fé. Em relação ao Dízimo, por exemplo, – e falo por experiência própria no passado – não é raro encontrar católicos que abrigam algum tipo de preconceito, reputando esta forma de participação na comunidade como coisa de “crente”. Encontramos ainda outros que não conseguem ser dizimistas por não conseguirem entender a “lógica” dessa entrega de uma parte do seu salário para a comunidade: são por demais apegados aos seus bens que até sentiriam um pouco de vergonha em confessar-se dizimistas.

É preciso convencer-se que não há como ser um católico autêntico e plenamente participante da comunidade sem contribuir, cada um de acordo com suas possibilidades e capacidades, para que a Igreja cumpra o seu papel evangelizador, para que a comunidade tenha o seu templo tão digno quanto possível, para que as pastorais sejam sustentadas em seu dinamismo.

Há muitas formas de contribuir, ninguém o nega. Mas também não se consegue visualizar nenhuma forma tão adequada, tão justa e tão regular como é o Dízimo para quem se decidiu a ser Dizimista.

O dizimista é um cristão livre e feliz porque com plena liberdade compromete a sua vida com a vida da comunidade. E o dízimo realmente é um compromisso libertador.

Autor: Luiz Tarcísio

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