Em uma entrevista publicada no sábado, 21 de janeiro, pelo jornal espanhol El País, o Papa Francisco destacou a importância da comunicação, seja através da mídia ou dentro dos lares. Entretanto, lamentou que, em ocasiões, haja famílias que durante o jantar, em vez de se comunicar entre seus membros, preferem ver televisão ou enviar mensagens “a outros que estão fora”.

Durante a entrevista, o Santo Padre recordou que há mais de 25 anos não vê televisão. “Só foi ao centro televisiva que estava ao lado do arcebispado (de Buenos Aires) para ver um ou dois filmes que me interessavam, que podiam me servir para a mensagem”, relatou.

No entanto, afirmou que “a comunicação é divina. Deus se comunica. Deus se comunicou a nós através da história. Deus não ficou isolado. É um Deus que se comunica, e nos falou, e nos acompanhou, e nos desafiou, e nos fez mudar de rota, e segue nos acompanhando”.

Mas, “tenho um pouco de medo quando os meios de comunicação não podem se expressar com a ética que lhes é própria. Por exemplo, há modos de se comunicar que não ajudam, que atrapalham a unidade”.

“Coloco um exemplo simples”, assinalou. “Uma família que está jantando e não falam, ou veem televisão ou os filhos estão com seu telefone enviando mensagens a outros que estão fora. Quando a comunicação perde o carnal, o humano, e se torna líquida, é perigosa. Que se comunique em família, e se comunique com as pessoas, e também de outra maneira, é muito importante”.

Francisco assinalou que “o mundo virtual de comunicação é riquíssimo, mas corre o perigo se não vive uma comunicação humana, normal. O concreto da comunicação é o que vai fazer que o virtual da comunicação vá por um bom caminho. Ou seja, o concreto é inegociável. Não somos anjos, somos pessoas em concreto. A comunicação é chave e tem que ir adiante. Há perigos como em todas as coisas”.

O Papa recordou aos responsáveis dos meios de comunicação que “em suas mãos (têm) um grande tesouro. Hoje em dia, comunicar-se é divino, sempre foi divino porque Deus se comunica, e é humano, porque Deus se comunicou humanamente”.

Nesse sentido, ao se referir à Secretaria para a Comunicação que criou em junho de 2015 e que reúne os meios de comunicação vaticanos, o Papa assinalou que “funcionalmente há um dicastério, obviamente, para canalizar tudo isso. Mas é uma coisa funcional o dicastério. Não é porque é importante hoje se comunicar, não. Porque é essencial para a pessoa humana a comunicação, porque também é essencial para Deus”.

Fonte: ACI Digital

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