A célula é a parte com forma definida que constitui um ser vivo, porque é a menor porção da matéria viva, a unidade estrutural e funcional dos organismos vivos.

A paróquia é estrutura constitutiva da organização diocesana em virtude do princípio da territorialidade e, se a Igreja local não é uma parte da Igreja universal, mas uma porção, isto é, a realização da Igreja do Senhor em um determinado lugar, também na paróquia se realiza esta mesma Igreja.

Para entender a paróquia, como célula da diocese, é necessário delinear a missão da diocese.

A revitalização da paróquia só vai acontecer quando entendermos a razão de ser, a finalidade e a estrutura organizacional da diocese. A partir daí, podemos gerenciar uma paróquia com objetividade e clareza.

A paróquia, com parte constitutiva da diocese, é uma comunidade estável por ter sido devidamente ereta na Igreja particular (cf. Cân. 374, §1) pelo bispo diocesano (cf. Cân. 515, § 2).

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O Código de Direito Canônico define a diocese como uma porção do povo de Deus confiada ao pastoreio do bispo com a cooperação do presbitério, de modo tal que, unindo-se ela a seu pastor e, pelo Evangelho e pela eucaristia, reunida por ele no Espírito Santo, constitua uma Igreja particular, na qual está verdadeiramente presente e operante a Igreja de Cristo una, santa, católica e apostólica” (Cân. 369).

Nesse cânone, o Código de Direito Canônico apresenta três critérios importantes sobre a diocese, base estrutural e organizacional da paróquia como célula da diocese.

3 critérios da estrutura organizacional da diocese

1º. A diocese é confiada ao bispo;
2º. Deve ter a cooperação do presbitério;
3º. A unidade é pelo Evangelho e a Eucaristia.

Confiada ao bispo: o bispo é o responsável por uma determinada Igreja local, mediante a ordenação e em continuidade com os apóstolos. Para existir como tal, a paróquia deve estar “constituída estavelmente” (Cân. 515, §1), isto é, ter sido ereta pela autoridade eclesiástica competente; neste caso, hoje em dia, pelo bispo diocesano, tendo ouvido o conselho presbiteral (cf. Cân. 515, § 2).

As paróquias são comunidades de fiéis, organizadas localmente sob a direção de um pastor que faz às vezes do bispo (cf. SC 42; CD, 30).

A nomeação episcopal dos párocos, a bênção dos santos óleos para os sacramentos nas paróquias, a celebração do sacramento da confirmação por um bispo, a oração pelo bispo na eucaristia, o exercício do ministério pastoral sob a autoridade do bispo diocesano, são sinais demonstrativos de que a paróquia é célula da diocese.

Cooperação do presbitério: é importante para o bispo ter ao redor de si a realidade do presbitério, da comunidade de sacerdotes que se ajudem, que estejam juntos em um caminho comum, solidários na fé comum (cf. Bento XVI, discurso, 25 de julho de 2005).

Os presbíteros constituem verdadeira comunidade de irmãos que devem sustentar-se e ajudar-se mutuamente. Essa comunhão entre os sacerdotes é hoje mais importante que nunca, pois “nenhum sacerdote é sacerdote sozinho, nós somos um presbitério, é só nessa comunhão com o bispo que cada um pode prestar o próprio serviço” (cf. Bento XVI, discurso, 6 de agosto de 2008). A paróquia é do presbitério.

A unidade é pelo Evangelho e a Eucaristia: a paróquia é a Igreja reunida pela Palavra de Deus, pelo Evangelho como palavra de graça e prática que testemunha a nossa fé.

Na paróquia, os sacramentos devem estar subordinados à eucaristia.

Santo Tomás de Aquino mostrou como, em última análise, todos os sacramentos estão subordinados à eucaristia e giram em torno dela (cf. STh, III, 65,3). Batismo e confirmação são a porta de entrada para a Eucaristia. O sacramento da Penitência, como segundo e laborioso batismo, acolhe novamente na comunidade eucarística quem pecou gravemente. A Unção dos Enfermos prepara seriamente os doentes e moribundos para a participação na plenificação eucarística no banquete nupcial celeste. A Ordenação Presbiteral confere plenos poderes para a celebração da eucaristia. O sacramento do Matrimônio retrata a unidade e o frutífero amor entre Cristo e a Igreja e torna o casamento e a família uma espécie de Igreja doméstica (cf. LG 11).

Portanto, a paróquia, como célula que é, deve estar voltada e orientada por uma instância maior, a diocese. Deve ser delineada de acordo com os critérios, objetivos e estratégias estabelecidas pela estrutura organizacional da diocese.

Célula da diocese cabe à paróquia promover uma articulação pastoral mais orgânica e missionária em todas as instâncias pastorais, movimentos, comunidades em um caminho de santificação, vivido na comunhão do presbitério de uma Igreja local (cf. PO, 12; PDV, 24).

Por isso, a fim de manter a paróquia como célula viva da Igreja de Cristo uma nova exigência se impõe e se torna mais premente: conhecer a estrutura organizacional da diocese.

Dom Edson Oriolo  é Bispo Auxiliar na Arquidiocese de Belo Horizonte/MG, Mestre em Filosofia Social, Especialista em Marketing, Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Pessoas, Professor, “Leader and Professional Coach” pela Act Coaching Internacional e membro do Conselho de Conteúdo da Revista Paróquias. Autor do livro “A nova pastoral do dízimo: formação, implantação e missão na Igreja”, publicado pela Catholicus Editora e “Paróquia Renovada: sinal de esperança”, Paulus Editora.

Contato: [email protected]

Fonte: Revista Paróquias, ed. 31. Para ler mais matérias sobre gestão eclesial e administração paroquial, assine já: (12) 3311-0665 ou [email protected]

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