Fico a pensar na missão de ser presbítero nesta Sociedade tão individualizada e relativista. Essa que se tornou indiferente a Deus, mesmo sendo religiosa e buscando o absoluto como objeto de sentido para a vida. Onde erramos, na ação missionária, que deixamos matarem deus? Quando éramos livres de todas as estruturas materiais e econômicas, os que nos precederam na fé, morreram por Ele, pois acreditavam, porque viram e ouviram, que Ele se encarnou, viveu, padeceu, morreu e ressuscitou para a nossa salvação, na pessoa do seu Filho. Este e o Pai são Um.

Nós, presbíteros, devemos nos situar mais. Estar mais atentos aos sinais dos tempos. Que espaços estamos ocupando, neste tempo? Só estamos nos nossos templos, celebrações, estruturas ordinárias e ordenadas? Apesar de necessários, estes arcabouços históricos e humanos nos viciaram e acomodaram. Se tornaram fim, em muitas situações, ao invés de serem meios. Pouco a pouco, foi assumida, pela tradição circular, o que deve ser a Tradição Viva da Igreja. Essa que é fruto e canal do protagonismo do Espírito Santo e da força transformadora e libertadora do Evangelho.

Nós, presbíteros, e sem dúvida, todos os demais cristãos, discípulos missionários de Jesus Cristo, não podemos ter medo de ultrapassar as fronteiras da indiferença a Deus e da indigência humana, causada pelo ofuscamento desse Deus, que Pai é misericordioso e amoroso. Não podemos pensar de modo superficial, e como slogan, a invocação do Papa Francisco sobre a urgência de uma “Igreja em Saída”. Nós, presbíteros, devemos ser Homens de coragem para enfrentar os riscos de anunciar e testemunhar o Evangelho.

O Mundo contemporâneo exige isso de nós. Jesus já o pedira, há mais de dois mil anos. A questão é: o que nos falta para que possamos assumir essa ousadia? Fé, amor, esperança, determinação, formação, conversão, apoio, preparação, pobreza, discernimento… o que nos falta? Um caminho de reflexão, meditação e aprimoramento deve e pode ser feito. Ele é exigente e cansativo; porém, nos tornará livres para uma autêntica e consistente integração presbiteral. As fronteiras que precisamos ultrapassar nos afrontam e podem ser perversas, mas quem quiser ser discípulo de Jesus Cristo e, consequentemente, missionário, não pode perder a mística da Cruz. Ela não é só um símbolo. É o sentido da vida para todos nós, Presbíteros-cristãos e Cristãos-presbíteros. Eis o caminho basilar a ser percorrido para que assumamos o élan sacerdotal.

Por fim, que o Senhor nos conceda a graça de perseverarmos nos bons propósitos. Assumamos a nossa missão com coragem e confiança para que o anúncio do Reino de Deus chegue a todos os lugares e aos lugares todos, até o fim dos tempos. Assim o seja!

Pe. Matias Soares cursando mestrado em Teologia Moral na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, pertence à Arquidiocese de Natal.
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