Administrar uma paróquia envolve uma infinidade de conhecimentos e qualidades pela sua complexidade. Para nos auxiliar nesse entendimento, recorremos ao Cân. 515, §1, do CIC. Ali se afirma, “paróquia é uma determinada comunidade de fiéis, constituída estavelmente na Igreja particular, e seu cuidado pastoral é confiado ao pároco como a seu pastor próprio, sob a autoridade do Bispo diocesano”.

É a partir dessa definição que entendemos porque a Igreja, já a partir do século IV, começa a dar passos com vistas à organização paroquial, cujo modelo de estrutura estável foi oferecido pelo Concílio de Trento (séc. XVI). O Concílio do Vaticano II acentuou o seu caráter pessoal, de comunidade, das diversas unidades eclesiais. Caráter este afirmado claramente na Constituição Dogmática Lumem Gentio e no novo Código de Direito Canônico.

Elementos fundamentais

Mais recentemente, o Documento de Aparecida, no item 172, lembra que “a renovação das paróquias no início do terceiro milênio exige reformulação de suas estruturas, para que sejam uma rede de comunidades e grupos, capazes de se articular, conseguindo que seus membros se sintam realmente discípulos e missionários de Jesus Cristo em comunhão”. Isto significa que uma paróquia é formada por diversas estruturas (comunidades, movimentos, grupos, conselhos, pastorais, etc,), que se não forem organizadas não permitem um trabalho participativo e comunitário. A sua identidade deve ser preservada e o que existe de particular nas células menores deve ser valorizado/respeitado.

O mesmo documento, no item 304, afirma que “as Paróquias são células vivas da Igreja e lugares privilegiados em que a maioria dos fiéis tem uma experiência concreta de Cristo e de sua Igreja”. Portanto, a Paróquia deve constituir-se em espaço de referência, sendo modelo e fermento para o mundo, a partir do cuidado com os seus espaços físicos, culminando com a excelência na qualidade dos serviços oferecidos. E, nesse particular, há que destacar que o nível de qualidade de produtos e serviços é aferido pelos fiéis (clientes) e não por quem produz ou os oferece. Evidente, quem oferece os serviços tem que desenvolver sua autocrítica, para perceber se oferece o melhor e se corresponde à satisfação dos fiéis.

Conheça o CONADIZ – Congresso Nacional da Pastoral do Dízimo e da Partilha
Participe também do CONASPAR – Congresso Nacional de Secretários Paroquiais

O espaço gerencial

Para conduzir essa porção do povo de Deus e para que o trabalho demandado seja realizado com competência e sintonia com toda a teia eclesial, requer-se um pastor que dê resposta a esse cenário das duas realidades seja pastoral ou administrativa, cada vez mais exigentes. Para responder a tais exigências, faz-se necessária a busca de uma formação permanente.

A Paróquia deve ser exemplo de organização para a comunidade, mesmo estando situada em um lugar simples e humilde. O espaço deve ser acolhedor, organizado e dinâmico, capaz de produzir nas pessoas sentimentos de vida, que favoreçam a difusão de uma nova cultura.

Por outro lado, todos os segmentos paroquiais devem favorecer a realização das metas estabelecidas. Como é gratificante o entrosamento do Conselho Pastoral Paroquial com o Conselho Econômico Paroquial, cada um com sua missão específica, mas, ambos com o propósito de melhor servirem à comunidade!  O gestor eclesiástico deve sempre contar com os leigos, que em um trabalho voluntário, dão expressão de ação da sua fé, agregando ao serviço pastoral suas habilidades, partindo sempre da orientação do pároco local e dos documentos emanados das diversas esferas eclesiásticas.

Fique atento

E assim, podemos relacionar alguns traços, conhecimentos, habilidades e atitudes (CHA), que devem ser inerentes a um gestor eclesial para que possa desempenhar bem o seu ofício nessa empresa singular. Um equívoco, que parece estar presente nas paróquias, é acreditar que as lideranças ou voluntários mais próximos estão todos prontos e são conhecedores dos conceitos básicos. É sempre salutar oferecer uma formação permanente, nas diversas áreas: bíblico-catequética, doutrinal, bem como fazer o diferencial, criando espaços onde se propiciem a revisão e o aprofundamento de conceitos das diversas ciências: administração, sociologia, psicologia e outras. Assim, será possível formar equipes qualificadas capazes de responder às expectativas dos fiéis.

É bom lembrar que alguns administradores têm dificuldades de lidar com toda essa complexidade, daí a necessidade de ter sensibilidade e humildade para buscar apoio de pessoas preparadas e de ferramentas adequadas ao processo de aperfeiçoamento. O administrador deve ter o discernimento de formar equipes eficientes, para a delegação de algumas tarefas, sem nunca perder de vista a questão da sua responsabilidade.

Algumas dicas

No que se refere às ferramentas necessárias ao processo de inovação paroquial, podemos trazer da experiência das empresas e, é claro adaptando-as ao ambiente eclesial, aquelas que foram aplicadas e favoreceram a eficiência e eficácia, a exemplo dos 5W2H, PDCA, 5S, 8S dentre tantas outras.  Inclui-se, também, a informática como uma ciência que pode auxiliar nas tarefas eclesiais, aproximando as pessoas, facilitando e tornando célere a comunicação/informação.

Com esse enfoque, ratificamos que a paróquia pelo seu dinamismo é algo em construção, que o seu o crescimento estará assegurado e o gestor terá cumprido seu encargo com a diligência de um bom pai de família.

Mons. Nereudo Freire Henrique é Sacerdote e Ecônomo da Arquidiocese da Paraíba, com formação em Ciências Sociais, UNICAP/PE. Especialização em Psicopedagogia, FAFIMC/RS, MBA em Gestão de Pessoas, UNIPÊ/PB e MBA Gestão Empresarial pela FGV.

Fonte: Revista Paróquias, ed. 20. Para ler mais matérias sobre gestão eclesial, assine já: (12) 3311-0665 ou [email protected]

Faça um comentário