A todo instante ouve-se falar em globalização, mercados financeiros, internet, mercados de créditos, efeito estufa, manipulações genéticas, organismos geneticamente modificados, mídia, marketing, merchandising. São tantas as inchações econômico-financeiras, metafísicas, morais e religiosas! Fazemos história e evangelizamos em uma sociedade totalmente relativista, individualista e consumista.

O Papa Emérito Bento XVI afirmou: “ter fé clara, segundo o credo da Igreja, é ser frequentemente etiquetado como fundamentalista, enquanto que o relativismo, isto é, o fato de se deixar levar ‘aqui e ali por qualquer vento de doutrina’ aparece como o único comportamento à altura dos tempos atuais. Está se construindo uma ditadura do relativismo” (Trecho da homilia do Cardeal Joseph Ratzinger – Decano do Colégio Cardinalício – na Celebração Eucarística “Pro Eligendo Romano Pontífice”-L’osservatore Romano, 23/04/2005, p.2).

Explicando

Desde as primeiras edições da “Revista Paróquias & Casas Religiosas”, venho escrevendo sobre a Pastoral do Dízimo, usando da filosofia do marketing como instrumental. Tenho, porém, a grande preocupação de não cair em ideias relativistas ou consumistas sobre o dízimo porque, querendo ou não, contradizem a doutrina católica no tocante às verdades bíblicas, teológicas ou mesmo pastorais.

Com essas motivações, quero falar sobre a grande diferença que existe entre o marketing como instrumental para a Pastoral do Dízimo e a Teologia da Prosperidade que tem a mídia como instrumento de divulgação. Preservo, assim, a fidelidade ao ensinamento do Magistério ordinário e extraordinário em relação ao dízimo.

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O ensinamento da Igreja

A Igreja Católica sempre necessitou de ajuda para se manter e para manter os seus ministros. Por isso, segue algumas orientações acerca do que o “Direito Canônico” prescreve e o que o “Catecismo da Igreja Católica” exorta:

  1. O “Código de Direito Canônico” pondera: “Os fiéis têm obrigação de socorrer às necessidades da Igreja, a fim de que ela possa dispor do que é necessário para o culto divino, para as obras de apostolado e de caridade e para o honesto sustento dos ministros” (cân. 222 § 1).

2.O “Catecismo da Igreja Católica” ensina que “o quinto mandamento (Ajudar a Igreja em suas necessidades) recorda aos fiéis que devem ir ao encontro das necessidades materiais da Igreja, cada um conforme as próprias possibilidades” (n. 2043).

O dízimo é uma das maneiras para suprir essas necessidades da Igreja. É um gesto consciente de gratuidade e de amor.

O que é a “Teologia da Prosperidade”?

Na década de 40, nos EUA, nasceu a “Teologia da Prosperidade”, solidificada depois, na década de 70, chegando ao Brasil nos anos 80. É conhecida também como “Confissão Positiva”, “Palavra da Fé” ou “Movimento da Fé”. Trata-se de uma prática religiosa que precisa ser muito bem compreendida pelos agentes da Pastoral do Dízimo.  Rege-se por uma hermenêutica bíblica que prega um Deus fiel e que tudo o que se pedir a Ele será concedido. Porém, Deus precisa ser ajudado financeiramente, necessita de ofertas para poder banir a pobreza, a doença e levar a pessoa a desfrutar de uma excelente situação na área financeira e na saúde, gozando de amplo bem-estar.

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Os adeptos da “Teologia da Prosperidade” pensam que se pode reivindicar o que se quiser de Deus, mediante contribuição. Basta lembrar alguns chavões:

  1. “Quem não é capaz de dar é porque não crê”;
  2. “Quanto mais você é capaz de doar mais você recebe”;
  3. “Quem oferta deve esperar riquezas espirituais e materiais”;
  4. “Quem doa ao que necessita, além de emprestar a Deus, também semeia, para colher no dia de sua necessidade”.

Contribuindo financeiramente, fazendo confissão da Palavra em voz alta e “no nome de Jesus” para recebimento das bênçãos almejadas, por meio da confissão positiva, a pessoa compreende que tem direito a tudo de bom e de melhor que a vida pode oferecer: saúde perfeita, riqueza material, etc.

Construindo o dízimo consciente

Nunca é demais ter presente essa diferença quando se usa o marketing como instrumental na Pastoral do Dízimo. A Igreja Católica e muitas Igrejas Cristãs quando usam os recursos de marketing na prática do dízimo não o fazem incentivando um “toma lá e dá cá”, mas procuram conscientizar os fiéis do verdadeiro sentido do dízimo:

“uma retribuição que fazemos a Deus de parte do que gratuitamente dele recebemos, um pouco de nós mesmos; e o fazemos por meio da Igreja, para que ela possa cumprir a missão da qual Jesus a incumbiu”.

Não se trata de uma exigência imposta a Deus para que esteja a nosso serviço. Pelo contrário, é um gesto de doação da parte da pessoa, reconhecendo o seu amor, misericórdia e bondade para conosco.

Dom Edson Oriolo  é Bispo Auxiliar na Arquidiocese de Belo Horizonte/MG, Mestre em Filosofia Social, Especialista em Marketing, Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Pessoas, Professor, “Leader and Professional Coach” pela Act Coaching Internacional e membro do Conselho de Conteúdo da Revista Paróquias. Autor do livro “A nova pastoral do dízimo: formação, implantação e missão na Igreja”, publicado pela Catholicus Editora e “Paróquia Renovada: sinal de esperança”, Paulus Editora.

Contato: [email protected]

Fonte: Revista Paróquias, ed. 18. Para ler mais matérias sobre gestão eclesial e pastoral do dízimo, assine já: (12) 3311-0665 ou [email protected]

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