A excelência e qualidade de um templo religioso não estão apenas em suas proporções, mas justamente na sinestesia que a boa arquitetura produz no homem quando seus elementos interagem harmoniosamente.

De onde a arquitetura religiosa retira sua excelência? Será a arquitetura capaz de expressar uma visão de mundo, do homem e de Deus em seus ambientes?

Podemos imaginar que sim, na medida em que vivenciamos uma experiência inigualável ao entrar, por exemplo, em uma grande catedral. Por outro lado, uma pequena capela pode nos trazer o recolhimento necessário, na medida exata, para uma prece silenciosa. A excelência e qualidade de um templo religioso não estão apenas em suas proporções, mas justamente na sinestesia que a boa arquitetura produz no homem quando seus elementos interagem harmoniosamente.

Nessas condições, o divino e o humano se unem de forma inconfundível, tornando a arquitetura uma ferramenta eficaz desta comunhão. É com este intuito que devemos buscar as qualidades arquitetônicas de um templo. Não apenas sua ornamentação ou sua aparência interna, mas uma conjunção de fatores que tragam o recolhimento da alma, a comunhão com Deus e o sentimento de pertencimento aos fiéis.

 

Atualidade e desafios

“Uma vez que a arquitetura de hoje é o patrimônio de amanhã, tudo deve ser feito para assegurar uma arquitetura contemporânea de alta qualidade”. A frase que define muito bem um dos maiores desafios da arquitetura atual foi eternizada, em 1975, pela Declaração de Amsterdã, uma das Cartas patrimoniais mais conhecidas da atualidade e que descreve os desafios e demandas para a arquitetura contemporânea e preservação do patrimônio.

Essa questão da boa arquitetura é muito pertinente quando discutimos os projetos de cunho religioso, pois os templos vivenciam constantemente este cotejo entre o novo e o antigo, sendo que historicamente a construção de igrejas e catedrais muitas vezes significou avanços tecnológicos e grandes feitos do homem em termos artísticos e monumentais.

Não é possível perder de vista esse caráter histórico ao projetarmos e construirmos um novo templo seja ele uma capela ou uma catedral. Independente de suas proporções, seus ambientes devem refletir e eternizar a espiritualidade humana por meio do projeto de seus espaços, cores, mobiliário, luzes, sombras e elementos artísticos. Esse é, portanto, um grande desafio da arquitetura religiosa atual, na medida em que nossos antepassados realizaram a mesma tarefa com grande maestria.

 

Consciência

Em uma época de imediatismo como a de nossos dias, o resgate de tais valores se tornam essenciais, principalmente no que se refere ao papel dos templos. Ao longo dos séculos, a arquitetura religiosa já produziu alguns dos mais famosos monumentos do planeta, como a Catedral de Hagia Sofia, em Istambul ou a Basílica de São Pedro, em Roma. Para que continue a produzir templos da mesma distinção, é preciso que seus profissionais busquem uma consciência voltada para a excelência, a alta qualidade e, acima de tudo, a expressão dos valores divinos. Tratar o projeto como um todo, considerando todas as suas potencialidades e não apenas sua edificação ou ornamentação isoladamente é o primeiro passo para atingir este objetivo.

 

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Eliane Pavan é Arquiteta Especializada em Patrimônio Histórico, atua há cerca de uma década na área.
Contato: elitassi@uol.com.br

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