Alguns já me questionaram sobre esse tipo de reflexão sobre o dízimo. Acredito que estamos vivendo um tempo de maturidade eclesial suficiente para repensar a experiência do dízimo em nossas comunidades.

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A experiência do dízimo tem passado por uma evolução crescente pelos séculos. O que vemos hodiernamente, não é mais uma contemplação passiva do dízimo projetado no Antigo Israel. Houve um enriquecimento da experiência e novos modos de abordagens a esse respeito. Certamente que isso não foi tranquilo para a grande maioria daqueles que optaram por essa forma de contribuição. Por outro lado, também houve inúmeros exageros que fazem ‘dó’ à releitura decimal.

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Será a respeito disso que estarei refletindo nesse artigo. Sobre o tema, pretendo escrever um livro mais elaborado a respeito dessa nova tendência (pastoral) decimal.

Sem muito rodeio e de forma bastante resumida, vamos à reflexão em três tempos.

PRIMEIRO: DÍZIMO 1.0

O foco é o dízimo em si mesmo. Resumidamente e com alguns questionamentos ele nasce naturalmente e sem a pretensão de se tornar algo questionável no Antigo Testamento, apenas o dízimo por si mesmo.

Nessa primeira fase o dízimo nada mais é que a devolução dos produtos de cereais e de animais. Historicamente antes da Lei. Sem demora podemos conferir alguns textos elementares: Gênesis 14,20; Genesis 28,22; 2Samuel 8,15-17; Números 18,21-24.

Nesse contexto, o dízimo era uma troca de favores; nada obrigatório ou imposto por Deus, apenas pessoal e uma atitude que tinha um procedimento metodológico: vender, comer e repartir.

O dízimo sobre a lei ganha outro destaque: planejado para a manutenção dos levitas e, consequentemente, descrito como parte dos produtos da terra.

SEGUNDO: DÍZIMO 2.0

O foco será a comunidade inscrita no Novo Testamento. Aqui o dízimo ganha outra dimensão ou contorno que não o de obrigatoriedade, algo pessoal ou coisa que o valha. A comunidade será a mais nobre expressão de argumentação e de sustento para a identidade nascente.

O dízimo, nesse período, é praticamente extinto da reflexão, apenas o interesse em se manter a comunidade que se organiza de forma a criar comunidades alicerçadas no amor fraterno e na solidariedade humana.

O “dízimo” nesse contexto (até século VI) era para satisfazer as necessidades dos santos. Podemos conferir: Atos 2,44-45; Gálatas 6,9-10; Mateus 25,31-40; 2 Coríntios  9,7. À margem dessa reflexão crescia a consciência de auxílio aos pobres, às necessidades dos cristãos em geral e a manutenção dos agentes de pastoral: apóstolos, presbíteros, diáconos e outros.

Esse é um grande capítulo que merece bastante atenção. Por ora ficamos apenas com essas singulares ideias.

TERCEIRO: DÍZIMO 3.0

É uma página bastante empobrecida sobre a experiência do dízimo que merece mais atenção e cuidado pastoral. É uma mistura de contra valores que faz pena pensar o dízimo como reflexão de pastoral.

A consequência é pelos valores perdidos em função da aborrecida tendência mercantilista da maioria: dinheiro a todo custo! O comércio religioso, em nome do dízimo, sem liga com a experiência de Deus contradiz a proposta inicial de um dízimo limpo e sustentável. O dízimo nesse patamar deve ser inventado, seduzido, pregado e conquistado.

A teologia da prosperidade com sua saga de domínio sobre as pessoas: busca de prazer e conforto individual. O dízimo nessa instância deve ser constantemente reinventado; seduzir para conseguir mais dividendos aos cofres da igreja.

Apelemos, enfim, para um dízimo sadio, ético e evangelicamente equilibrado.

A comunidade que apela ao dízimo como mantenedor da atividade pastoral deve ficar atenta aos desafios próprios de certas tentações. Enfim, muitos vivem de um dízimo saudável. Isso faz toda a diferença na pastoral do dízimo!

Pe. Jerônimo Gasques é Conferencista, Pároco da Igreja São José, Presidente Prudente-SP e Autor de diversos livros, dentre eles “As Sete Chaves do Dízimo”, publicado pela Paulus Editora.

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Fonte: Revista Paróquias, ed. 31. Para ler mais matérias sobre gestão eclesial, assine já: (12) 3311-0665 ou [email protected]

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