Imagens sacras que remetem as origens e espiritualidade da Igreja Católica.

Em Campos dos Goytacazes, Estado do Rio de Janeiro, a Catedral Basílica Menor do Santíssimo Salvador, bem no centro da cidade, chama a atenção para a beleza de sua arquitetura, transformando o espaço num oásis no centro urbano.  Desde a antiga Igreja Matriz, a igreja, um dos patrimônios edificados da cidade, e a Praça do Santíssimo Salvador, registram as transformações do espaço urbano.

A expressão das imagens, de vestir, de roca e em madeira policromada chama a atenção do visitante. A Igreja sede da Diocese de Campos dos Goytacazes além da função religiosa tem um atrativo para o incentivo do turismo religioso. Durante os séculos, a Praça do Santíssimo Salvador, cartão postal da cidade, passou por diversas reformas e mudou totalmente seu visual, e foi palco de encontros das mais diversas naturezas.

A primeira Igreja Matriz funcionou onde esta construída a Igreja de São Francisco, uma capela de madeira dedicada a São Salvador, em 1652, pelo General Salvador Correa de Sá e Benevides, e onde foi celebrada a primeira missa que se tem registro em Campos, pelo beneditino Frei Fernando de São Bento, primeiro religioso que chegou a cidade em 1648, tendo registro da construção de uma capela de palha e morada para o religioso, onde este edificado o Mosteiro de São Bento, em Mussurepe.

Essa capela primitiva já praticamente começou a sofrer com o desgaste de sua estrutura, e foi reconstruído na Praça São Salvador e em 1695 foi totalmente reformada e ampliada pelo Sargento Mor, José Madureira, Provedor da Irmandade do Santíssimo Sacramento.

Segundo o escritor Waldir Pinto de Carvalho, natural da Baixada Campista, a construção da segunda igreja matriz acontece em 1745. As informações históricas são bastante contrastantes, já que os historiadores nos fornecem datas diferentes, chegando a registros feitos por Alberto Lamego, que se refere à outra data, relatando o levante em 1748 em que o povo e a Câmara se rebelaram contra os governadores, envolvendo a família da proprietária rural Benta Pereira e sua filha Mariana Barreto.

Quando a Villa de São Salvador dos Campos foi elevada a categoria de cidade, no dia 28 de março de 1835, a igreja matriz já estava em estado precário, ameaçando ruir. O Cônego João Carlos Monteiro, que acabava de regressar a Campos em 1822, eleito à Assembléia Provincial, iniciou uma campanha para a reforma da igreja matriz, sendo feitos reparos, mas o prédio ainda estava com risco de desabamento.

Já em 1855 foi realizado um processo para a transferência das imagens, para preservação do acervo de arte sacra, já que a igreja estava com ameaça de desabar. Em 1858, nos festejos de São João Batista, o Visconde de Araruama, João Carneiro da Silva, seu cunhado João de Almeida Pereira e suas filhas Anna Seraphina Carneiro de Castro e Maria Izabel Carneiro de Castro, ocasião que chegou a conclusão que os reparos não sustentariam o prédio, já descaracterizado de seu estilo original.

Em 1652, o Visconde de Araruama ajudou na reforma da Igreja matriz, novamente erguida. Na ocasião das obras de reforma da Igreja matriz, as imagens do Santíssimo Salvador foram levadas para a Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte, retornando na inauguração da nova matriz, momento festivo, sendo aclamadas as festas pelo Vigário João Carlos Monteiro, que veio a falecer no dia 16 de janeiro de 1866.

 

Da velha Matriz a Catedral

 

Com a criação da Diocese de Campos, no dia 4 de dezembro de 1922, pela Bula “Ad Supremae Apostolicae Sedis Solium” do Papa Pio a Igreja Matriz foi elevada a Catedral sendo nomeado o primeiro bispo, Dom Henrique Mourão. A velha Matriz foi demolida já que o prédio havia sido prejudicado pelo tempo e por um raio que atingiu em 1869 a torre da Igreja. E, no seu lugar, graças ao trabalho do Mons. João de Barros Uchoa, surgiu o atual templo, que teve a cerimônia de dedicação celebrada no dia 28 de março de 1935 com a presença do Prefeito Francisco de Costa Nunes, o Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Sebastião Leme e vários Bispos do Episcopado brasileiro.   Por decisão de Sua Santidade o Papa Paulo VI, em 11 de dezembro de 1965 recebe o título de Catedral Basílica Menor do Santíssimo Salvador.

No Em 1937 Mons. Uchoa conseguiu para a Catedral a doação de um novo órgão de tubos da famosa firma Guilherme Bevner, contribuição da família Victor Sense que ofereceu os 56 mil contos de réis a empresa.   Monsenhor João de Barros Uchoa ficou conhecido como o construtor da Catedral. Uma campanha foi realizada e as obras iniciaram imediatamente. Os trabalhos foram executados por José Beneveneto e a parte elétrica foi contratada pelo engenheiro do Rio de Janeiro Milton Magalhães Lírio, auxiliado pelo campista Amaro Tavares. Monsenhor Uchoa adquiriu com auxilio da família Victor, o órgão de tubos, inaugurado com um concerto em 1937. Em 1938, Monsenhor Uchoa se despede de Campos.

Ao longo dos séculos a Praça sofreu as influencias das transformações do espaço urbano, mas a catedral guarda sua história preservada em suas imagens e no papel que desempenha como referencia no turismo religioso  como ponto de partida para o Projeto de Turismo Religioso Caminho de Santo Amaro.

Com seu estilo Neoclássico esboça um ar triunfalista e a consistência de uma arquitetura sacra expressiva de uma concepção de Igreja Católica em perfeita comunhão com o Vaticano.  Sua harmonia e a definição de sua fachada são notáveis, bem como seus vitrais que depois da Catedral de Petrópolis são os mais belos e formosos do Estado. 

“A Catedral, esse templo majestoso se encontra numa posição privilegiada no Centro da Cidade, tendo na sua frente a praça São Salvador uma verdadeira jóia de espaço urbano de lazer humanizado e representativo da cultura civil campista.”, avalia Dom Roberto Francisco.

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Ricardo Gomes é Jornalista e Pesquisador de Cultura Popular.

Contato: colunistaricardogomes.fotos@gmail.com

 

 

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