Há dois meses o Papa Francisco inaugurou o Jubileu da Misericórdia ao abrir a Porta Santa da Basílica de São Pedro no Vaticano, depois da qual se abriram outras no mundo inteiro.

A Porta Santa permite que uma pessoa, por ocasião do Ano Santo, ganhe uma indulgência plenária ao cumprir com os requisitos mínimos. Mas, o que é uma Porta Santa? Para responder a esta pergunta, o Grupo ACI entrevistou o Pe. Donato Jiménez, sacerdote Agostiniano Recoleto e também professor emérito da Faculdade de Teologia Pontifícia e Civil de Lima.

1. O que é uma Porta Santa?
Pe. Jiménez indicou que a porta é um “símbolo humano” e esteve presente sempre em todas as culturas. “O homem tem atitudes em relação à porta”: entrar e sair.

Por exemplo: “todos dizemos a um amigo ‘a minha casa está aberta, quando quiser bate na porta’ e diz a um inimigo ‘não quero te ver mais por esta porta’”.

No caso de uma Porta Santa, também entramos e saímos, mas há um elemento importante: são derramadas bênçãos e graças especiais quando a cruzamos.

Em um Jubileu, a Porta Santa serve para “indicar aos fiéis que passar pela porta da igreja significa uma atitude de acolhida, de agradecimento, de pedir perdão, de pedir novas graças ou saber com segurança que vamos receber uma bênção e isso é o que significa”, explicou.

2. O que significa passar pela Porta Santa?
Cada vez que cruzamos uma Porta Santa, ganhamos uma graça especial e essa é chamada indulgência plenária.

O sacerdote indicou que cruzá-la supõe uma “renovação” e uma “atitude de conversão e de arrependimento. A Porta Santa significa todas essas coisas boas e renovadas que o cristão deve colocar para mudar de vida”, acrescentou.

O presbítero assinalou que quando Cristo se refere a si mesmo como a “porta”, significa que a pessoa encontrará n’Ele “a salvação, a segurança, a acolhida e o calor. Todas as condições para que o redil esteja seguro dentro da porta e aquele que quiser entrar por ela é livre. Pode entrar e sair”.

3. Por que a Porta Santa somente é aberta em um Jubileu?
O sacerdote indicou que no Novo Testamento há uma palavra chamada “kairos”, a qual faz referência ao tempo mais propício no qual Deus concede todos os seus bens.

“Sabemos que Deus está preparado para conceder-nos seus bens em qualquer momento, mas há um tempo especial onde Deus está mais disposto dar-nos o que lhe pedimos. Este tempo é o ano do perdão, o Ano da Misericórdia. O ano da circunstância mais vantajosa que pode encontrar”, explicou.

4. A Porta Santa é um chamado para que as pessoas se aproximem de Deus?
O Pe. Jiménez indicou que entrar pela Porta Santa é entrar na “acolhida de Deus”, sobretudo no “Deus da misericórdia”.

“Há muitos cristãos frios ou que estão afastados da Igreja. Com este Ano Santo são chamados a refletir: ‘Bom, sou um cristão e tenho uma relação com meu Pai (Deus). É verdade que tenho muitos pecados, mas Deus é um Deus de perdão’”.

Nesse sentido, prosseguiu o sacerdote, quando a pessoa se arrepende, se confessa, cumpre os requisitos prévios e cruza pela Porta Santa, obtém a indulgência plenária, a manifestação da “misericórdia de Deus”.

“Então este é o momento de aproveitar, Deus nos chama de várias formas a fim de que não nos afastemos da Igreja”, precisou.

5. O que acontece com uma pessoa quando cruza uma Porta Santa?
Em primeiro lugar, o sacerdote disse que cruzar uma Porta Santa “não é nada mágico”. O que a pessoa vai sentir “é aquilo para o qual se preparou”.

“Ou seja, não é que as pessoas vão cruzar a porta e logo acaba, faz o sinal da cruz e cumpriu. Não. O cruzamento da Porta Santa deve ser feito com espírito de conversão e de renovação. Deve entrar confiando em Deus que é misericordioso”.

6. Por que a indulgência plenária é importante?
“A indulgência plenária é uma anistia, ou seja, Deus perdoa tudo: perdoa todos os pecados, independente de quantos e quais sejam”.

O Pe. Donato explicou que quando uma pessoa se confessa, o seu pecado é perdoado, mas permanece a culpa e as consequências.

Por exemplo, “eu roubo um dinheiro que não é meu e o gasto. Me arrependo e me confesso, mas ainda permanece a culpa de que eu já não poderei devolver o dinheiro”. A indulgência plenária apaga esta culpa e as consequências, além dos pecados. A alma fica totalmente livre, como se a pessoa estivesse recém batizada e se morre já não terá que passar pelo purgatório.

7. Que condições devem ser cumpridas para cruzar a Porta Santa e obter a indulgência?
O Pe. Donato disse que antes de cruzar a Porta Santa, e obter a indulgência, a pessoa deve confessar-se, comungar e rezar pelas intenções do Papa.

8. Qualquer pessoa pode abrir uma porta Santa?
Não. O Pe. Donato Jiménez ressaltou que a Porta Santa somente pode ser aberta pelo Papa e pelos bispos nos lugares que eles designem.

9. Por que não se abrem as portas de todos os templos?
Segundo o sacerdote, são escolhidos certos templos “simplesmente para chamar um pouco mais a atenção”. Do mesmo modo, indicou que uma Porta Santa não é algo “simples ou ordinário”, mas algo “extraordinário”.

Além disso, o Pe. Donato, comentou que as igrejas assinaladas apresentam uma ocasião propícia para que a pessoas façam “uma peregrinação”. Explicou que esta pode ser simplesmente “sair do seu bairro e ir a essa igreja que está a duas horas da sua casa”.

“Toda essa peregrinação faz parte de uma atitude de conversão e desejo de receber a graça”, sublinhou.

10. Como podemos cruzar uma Porta Santa?
Fisicamente, o fiel pode cruzar a Porta Santa como “quiser e segundo sua devoção”. O Pe. Donato expressou que uma pessoa pode cruzar de joelhos, com a cabeça baixa ou “com uma atitude na qual mostre que está pensando nela”.

A nível espiritual, a pessoa cruza a porta segundo sua devoção e fazendo as orações que quiser. Acrescentou que algumas pessoas têm a intenção de atravessar a Porta Santa, mas não sentem nada, não têm a devoção ou não sabem manifestá-la. Entretanto, eles também “recebem a graça da indulgência plenária e do Jubileu sempre que cumprirem com as condições anteriores”.

Já compreendemos o que é uma Porta Santa. O que estamos esperando para cruzá-la? Procure saber quantas Portas Santas há em sua Diocese e comece a sua peregrinação espiritual.

Fonte: ACI

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