A formação dos futuros sacerdotes inclui quatro aspectos: humano, espiritual, intelectual e pastoral, unidos em um todo harmônico.

A formação humana é o fundamento de toda a formação religiosa e sacerdotal. A má inteligência da relação entre natureza e graça é a raiz de muitos males. A graça não destrói a natureza, mas sim a regenera, eleva, aperfeiçoa, dignifica, enobrece.

No sacerdote, como em todo cristão, mas segundo a maior exigência de sua vocação, deve refletir-se a mesma Encarnação do Verbo, em quem brilha, sem misturas, mas em união intimíssima, a perfeição humana e a perfeição divina. Ademais, o sacerdote, escolhido entre os homens e constituído em favor dos homens no que se refere a Deus (Hb 5,1), deve servir de ponte e não de obstáculo para outros, e deve fazer que seu ministério seja humanamente o mais crível e aceitável.

“Deve ser capaz de conhecer em profundidade a alma humana, intuir dificuldades e problemas, facilitar o encontro e o diálogo, obter confiança e colaboração, expressar juízos serenos e objetivos”. Portanto se requer a “formação de personalidades equilibradas, sólidas e livres”.

Equilibradas: que não deixem de ver o todo por ficar cativos da parte, que não se entusiasmem humanamente com essa parte que consideram o todo, que não se deixem levar pela depressiva atitude de ver mais o mal que o bem. Que deem capacidade em sua alma a todas as coisas, sem as desprezar, sem as minimizar, mas com hierarquia e ordem.

Sólidas: que não se deixem arrastar por todo vento de doutrinas e novidades. Que se movam e julguem por princípios. Que não sejam brandos ou sentimentalistas, nem duros ou distantes.

Livres: que tudo o façam por amor. Que façam o bem ainda que ninguém os olhe, nem o superior os vigie, nem por louvores ou prêmios. Que não sejam obsequentes com os superiores, tratando de obter vantagens. Que saibam fazer a correção fraterna, sem lhes importar o que pensem deles. Que entendam com Santa Teresa de Jesus, que “era tudo nada e como acaba em breve”.

“Faz-se assim necessária a educação para amar a verdade, a lealdade, o respeito pela pessoa, o sentido da justiça, a fidelidade à palavra dada, a verdadeira compaixão, a coerência e, em particular, o equilíbrio de juízo e comportamento”. A educação para amar a verdade deve realizar-se por meio de uma formação intelectual ampla, que se ordene à verdade e que não fique em conhecer as meras opiniões dos teólogos. Que seja uma formação filosófica tal como São Justino entendia esta palavra. Que dê tempo à teoria, ao ócio intelectual, à disputa sincera, que é uma busca comum da verdade. Que nas aulas se ensine e se aprenda. “Um programa simples e exigente para esta formação o propõe o apóstolo Paulo aos Filipenses: Tudo que há de verdadeiro, de nobre, de justo, de puro, de amável, de honroso, tudo que seja virtude e coisa digna de louvor… isso praticai.” (Fl 4,8).

Do mesmo modo, junto com a educação da inteligência, é necessário formar adequadamente à vontade, mediante a prática constante de todas as virtudes e o domínio das paixões, de maneira tal que sempre e em tudo se busque e escolha só o bem melhor. Queremos formar homens autenticamente livres, donos de si mesmos, que por possuir-se possam dar-se totalmente. Neste aspecto consideramos muito importante a prática de esportes, a realização de acampamentos, convivências etc.

Fonte: Verbo e Carne do Brasil

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