País de origem do Papa Francisco, a Argentina é um dos países que já confirmaram participação na JMJ Cracóvia 2016. Na última edição internacional da Jornada, realizada no Rio de Janeiro, os jovens argentinos foram o maior grupo entre os peregrinos de fora do Brasil. Eles até conseguiram um encontro especial com o Papa Francisco na Catedral em meio à agenda apertada do pontífice.

Agora, a distância e o cenário econômico no país devem dificultar a viagem até Cracóvia. Facundo Salvatierra faz parte da Secretaria Permanente da Pastoral de Juventude na Argentina, no serviço de animação para a JMJ, e conta-nos como está a preparação, os frutos da JMJ Rio2013 na realidade eclesial do país e como o Ano da Misericórdia vai inspirar a juventude neste ano.

Como os jovens argentinos estão se preparando para a JMJ Cracóvia 2016? Qual é a expectativa para o número de argentinos que estarão em Cracóvia?
Facundo: Para esta nova JMJ, a expectativa de participação foi afetada especialmente pela distância e os custos de viagem. Porém, mais de mil argentinos, entre peregrinos e voluntários, estão preparando com muito sacrifício para garantir sua participação em Cracóvia 2016. Esperamos que este número aumente a medida que a data do evento se aproxima. Uma vez que é uma viagem de vários dias, muito cara e para um país distante, é necessária boa organização, acertar todos os detalhes logísticos e de angariação de fundos, que são feitas junto à preparação espiritual, alinhada ao Jubileu da Misericórdia. As redes sociais também são um lugar privilegiado para pôr-se em marcha. Grupos no Facebook criados por peregrinos e voluntários, hashtags no Twitter, assim como sites específicos de ação da pastoral juvenil, estão compartilhando informações, dúvidas, expectativas e iniciativas dos jovens.

Haverá algum evento para aqueles que não poderão vir?
As diferentes dioceses de todo o país vêm organizando, para cada JMJ, vigílias que incluem transmissão ao vivo dos eventos centrais e a oração em unidade com os peregrinos que puderam participar. As pastorais juvenis também oferecem formas de acompanhar e viver bem a Jornada.

No Rio, a Argentina foi o país com mais participantes na JMJ (depois do Brasil, é claro). E vocês viveram essa jornada de modo muito único, pois foi a primeira do Papa Francisco e ainda foi realizada na América Latina. Você vê frutos na Argentina depois da participação de tantos jovens na JMJ do Rio?
O principal fruto que vemos foi a vontade de “fazer barulho nas dioceses” que os peregrinos trouxeram as suas comunidades, que se traduziu em variadas propostas pastorais para os jovens, como encontros e vigílias juvenis, peregrinações, missões diocesana, iniciativas solidárias, fortalecimento de grupos de jovens nas paróquias, etc. Foi claro como as palavras de Francisco no Rio caíram fundo no coração dos jovens e impulsionaram processos de revitalização nas pastorais juvenis.

Como os jovens argentinos vivem a misericórdia em seu cotidiano? Fale um pouco sobre a realidade da Igreja na Argentina e a papel da pastoral juvenil nesse contexto.
Ao pensar sobre as atitudes a considerar neste ano de misericórdia e vendo todos os problemas sociais que têm a juventude na Argentina e as realidades que enfrentam, especialmente nas áreas mais excluídas. Vemos que as nossas paróquias e nossos grupos de jovens não precisam ser fechados, como disse Francisco, apenas conversando, abraçando, compreendendo aqueles que estão ao nosso lado, mas sair às periferias do nosso bairro, da nossa própria existência, que é carente de afeto, companheirismo, evangelização, presença, escuta. As atitudes que, à luz da Misericórdia, surgem na vida cotidiana são as de sair, aprender, ver, não rotular e, uma vez imerso, ajudar aqueles que tanto necessitam. Os desafios da pastoral juvenil para este Ano da Misericórdia, assim, incluem a abertura, a escuta empática, e como primeiro passo, sentimos antes a misericórdia de Deus para poder transmiti-la e transferi-la para o nosso ato cotidiano.

Fonte: Cracóvia JMJ 2016

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