As boas práticas em administração paroquial

Após a ordenação, o sonho mais comum entre os novos padres é de se tornarem párocos, ou seja, assumir a coordenação pastoral e consequentemente a administração de uma paróquia. Anos de dedicação à filosofia e à teologia vão agora possibilitar uma prática, não mais como auxiliar, mas como titular em uma comunidade.

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Em quase todas as dioceses os seminaristas, desde os primeiros anos de formação são incentivados à pastoral. Cedo são designados a colaborar com algum pároco para aprender na prática o que professores das disciplinas pastorais ensinaram. E como fica a orientação administrativa? Poucos são os que tiveram aulas de gestão paroquial e menos ainda os que tiveram acesso às práticas administrativas no período de formação. Por isso, é comum ouvir entre os párocos a expressão “Ah, se eu soubesse!” Eles revelam que é preciso muita criatividade e paciência para (entre erros e acertos), conquistarem algum conhecimento em gestão paroquial.

Critérios para uma boa administração paroquial

Com o objetivo de adquirir competências em planejamento, organização, direção e controle, o pároco precisa ter oportunidade de conhecer algumas questões operacionais. É claro que existe uma infinidade de assuntos que precisam ser explicitados. Por isso, é difícil imaginar que qualquer pessoa consiga saber muito de tudo isso, além de cuidar da pastoral e da vida espiritual de uma paróquia. Mas é perfeitamente possível que se saiba avaliar o material produzido por colaboradores, após estudar um pouco desses mecanismos administrativos.

Por isso, cursos de administração paroquial passaram a ser oferecidos para ajudar os sacerdotes e a própria publicação da “Revista Paróquias & Casa Religiosas” propicia formação de qualidade para superar a lacuna deixada no período formativo. Mas vale um alerta: os institutos de formação sacerdotal precisam inserir disciplinas de gestão paroquial no currículo e o acompanhamento da prática administrativa deve fazer parte da vivência pastoral. É natural que de início haja resistência de alguns párocos em falar de prestação de contas, registros, planejamento orçamentário e ainda mais em aceitar a presença de um seminarista (para aprender com o sacerdote), mas essas dificuldades precisam ser enfrentadas, afinal o administrador não é dono da paróquia.

A melhor ferramenta para a boa gestão paroquial é a criação do Conselho para Assuntos Econômicos (ou o chamado Conselho Administrativo). O critério para a participação nesse grupo deve ser a capacidade de auxiliar o pároco e não mera simpatia. Toda paróquia pode ser entendida em de três dimensões: religiosa, social e administrativa. As pessoas que formam o Conselho devem também ter vivência religiosa e pastoral para ser testemunho de fé na comunidade.

Seguindo Jesus Cristo todos aprenderemos valiosas lições que alimentam tanto nossa espiritualidade quanto inspiram ações pastorais e administrativas.

10 coisas que o pároco precisa saber:

    1. Conselho Administrativo (CA): mesmo sendo um órgão consultivo ele é a melhor ferramenta de gestão. Valorize o trabalho em equipe;
    2. Gestão do patrimônio eclesiástico: tanto para manutenção como para compra e venda de bens da Igreja;
    3. Captação de recursos financeiros: como aumentar as doações espontâneas e solicitadas e as coletas; dízimos, sem pedir em excesso, o que enfraquecem a credibilidade da Igreja;
    4. Justiça do Trabalho e Previdência Social: a paróquia tem obrigações que precisam ser cumpridas. Não é raro que equívocos administrativos paroquiais recaia sobre a diocese;
    5. Serviço voluntário: peça aos seus colaboradores que assinem um “termo de voluntario”, para proteger a paróquia de futuros problemas trabalhistas;
    6. Prestação de contas: entenda de contabilidade básica para prestar contas tanto a comunidade quanto a diocese;
    7. Nenhuma comunidade precisa ter conta bancária. A administração deve ser centralizada (cf. At 4, 32). Toda arrecadação deve ser depositada na conta da paróquia e o recibo entregue ao tesoureiro do CA.
    8. Para a manutenção da paróquia incentive a pastoral do Dízimo. Não faça festas religiosas com objetivo financeiro e só em casos extraordinários (como construção), faça promoções com objetivo financeiro.
    9. Organize estatutos e regimentos e inventários seguindo a normas da Agência Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e deixe sempre documentados convênios e Livros (de Tombo, Espórtulas, Caixa, Arquivos, Prestação
    10. Cuide da formação: faça cursos e leia publicações especializadas em gestão paroquial.

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Gladstone Elias de Souza (Rio Pomba/MG, 1971), mais conhecido com Padre Elias é sacerdote da Arquidiocese de Belo Horizonte. Atualmente é pároco da Paróquia Santo Antônio na capital mineira onde também administra a OSCOPSA (Obra Social e Comunitária da Paróquia Santo Antônio). Especialista em Comunicação e gestão empresarial pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC/MG), ele é colaborador da Revista Paróquia e Casas Religiosas. Assistente Doutrinário da Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresa (ADCE), e Graduando em Psicologia pela PUC/MG. Autor do livro: “Novas formas de captação de recursos: como criar, estruturar e administrar projetos”, Catholicus Editora.

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