Há quem diga que não há melhor tempero para um relacionamento do que uma dose de ciúme. Claro, cada caso é um caso e, segundo Roberto Rosa Fernandes, psicólogo da Sociedade Brasileira da Psicologia Analítica (SBPA), o sentimento está ligado ao instinto de autopreservação.

Sua “função” é ser um radar que nos faz preservar, observar e cuidar de um objeto de apego. “Ele, em si, é saudável e faz parte do arsenal instintivo humano e dos mamíferos, de maneira geral. Quem não tem ciúme está com algum instinto desligado”, diz.

A questão é justamente o tamanho dessa dose! Às vezes, chega em excesso, começa a sufocar e interfere diretamente na vida do outro!

Para a micropigmentadora Caroline S.*, 25 anos, esse foi personagem principal para o término de um relacionamento de 3 anos.

No começo, já achava que ele era ciumento demais. Aos poucos, ele acabou ficando muito carente também. Implicava com tudo: se curtiam minhas fotos, se falavam comigo, se eu via vídeos que tinham homens dançando… Eu nem podia olhar para o lado! Sempre que conversávamos, ele dizia que ia parar, chegou até a procurar ajuda profissional. Aos poucos, percebi que cada vez que ele dava um ‘piti’, recebia muita atenção da família”, relembra.

Fernandes explica que há perfis mais sucessíveis à situação. “Geralmente, as pessoas que são tomadas pelo ciúme patológico têm uma subjetividade de criança sem defesa. São egocêntricas, possessivas, não sabem dividir; são pessoas vulneráveis, frágeis e imaturas. Não tem a ver com o amor do outro, mas com o amor próprio ferido e a onipotência ferida. Essas pessoas não conseguiram se desenvolver emocionalmente, são imaturas”, explica o especialista.

É importante saber que um relacionamento ambientado no ciúme não acontece apenas por causa de um dos lados. Assim como existe um perfil com predisposição a ser ciumento, há um perfil predisposto a se submeter a isso.

“A pessoa que se submete ao ciúme patológico do outro entrará numa prisão e será obrigada a andar com uma ‘tornezeleira eletrônica’ imposta pelo pequeno tirano que existe em seu namorado ou namorada. São pessoas que não sabem se impor e não sabem preservar a própria liberdade e dignidade. Por possuírem baixa autoestima, se submetem à patologia de seu bem querer”, revela Fernandes.

A questão toda é que, quando entramos em um relacionamento, quase nunca percebemos que essa nova pessoa que está chegando na nossa vida é ciumenta. Costumamos estar empolgados com a novidade, paixão e outras questões. Esse sentimento acaba aparecendo depois, de surpresa, em situações inusitadas.

E aí, sempre fica a dúvida de como lidar com ele. Para isso, o caminho é simples: não se deixe sufocar! A partir do momento em que abre mão de viver sua vida por conta do parceiro, significa que o ciúme já chegou a nível extremo. Ou seja, é hora de se amar e perceber o que realmente importa para você.

* Nome alterado a pedido da entrevistada.

Fonte: Disney Bubbble

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