Sempre me impressiono com a celebração da Santa Missa como Sacramento do Ressuscitado, na minha vida e na vida dos “irmãos”, que dela participamos! Desde o Seminário, tive uma formação sólida e participativa dessa Aliança do “invisível” com o seu povo escolhido. A Celebração Eucarística é o mistério pascal atualizado: “anunciamos Senhor a vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição, vinde Senhor Jesus!”

Como sacerdote nas paróquias onde passei, constatei uma grande dificuldade das pessoas sintonizarem com “O Deus Cristão”: preocupação de toda Pastoral Litúrgica como um todo.  Os documentos da Igreja são objetivos e claros no assunto; aliás, se dependesse da quantidade de documentos nós, católicos, a cada missa celebrada, poderíamos estar cantando: “Vem Senhor Jesus”, mais confiante e real como é, na verdade!

A Eucaristia, de fato, nos projeta à eternidade e à tão esperada Parusía, onde Deus será todo em todos. O Senhor virá pela segunda vez, e ninguém sabe quando será; nem o Filho, nem os Anjos, somente o Pai!, afirma Jesus. É na Celebração Eucarística que Ele está presente na assembleia e se vive as núpcias com o Cordeiro.

Encontrei no texto base do XVI Congresso Eucarístico Nacional, batida muito importantes para vivermos “coerentemente” “o ser” discípulos, chamados também a viver a missão, ponto alto da fé cristã!

9 pistas para celebrar o mistério eucarístico

  1. Discípulos e discípulas de Jesus precisam almejar um estilo sempre mais eucarístico para nossas comunidades, imitando o Mestre em sua decisão radical de dar a vida ao mundo.
  2. O gesto do “Lava-pés” indica a presença eucarística de Jesus como Servo da humanidade, nos levando a compreender que também nós, seus seguidores, devemos ter os mesmos sentimentos do nosso Mestre, Cristo Jesus: Jo 13, 12-14 “Compreendeis o que vos fiz… se portanto, eu, o Mestre e o Senhor, vos lavei os pés, também deveis lavar-vos os pés uns aos outros”
  3. O mandato do relato eucarístico – “fazei isto em minha memória” – tem uma correspondência no relacionamento entre os discípulos, indicada pelo “deveis lavar-vos os pés uns aos outros”, constituindo-os como comunidade.
  4. A fórmula litúrgica, o rito e a expressão cultual requerem também uma “fórmula comunitária” de compromisso de amor, de um amor que se inclina diante do outro, que se abaixa para acolher e servir, para promover os relacionamentos e ávida entre os discípulos.
  5. Se por um lado devemos seguir Jesus no esvaziamento, no serviço amoroso aos irmãos e irmãs, por outro, precisamos também saber acolher esses mesmos gestos de serviço quando realizados a nosso favor.
  6. Na comunidade também aprendemos a ser amados. Trata-se do amor do próprio Senhor que sempre nos serve a mesa da vida e da comunhão.
  7. Pela Eucaristia entra-se, assim, com maior realismo na verdade da fragilidade da própria vida humana. Na comunidade devemos assumir as próprias limitações e a necessidade de apoio por parte dos irmãos e irmãs em um clima de grande confiança, que gera o diálogo e a compreensão, a partilha, a acolhida e a gratidão.
  8. Ao declararmos nossa dependência de Deus, que nos dá o alimento para a vida, e ao celebrarmos Jesus Eucarístico na Igreja, em comunidade, crescemos na liberdade de assumir nossas frágeis vidas, responsabilizando-nos uns pelos outros.
  9. O amor serviçal nunca ameaça, ao contrário, garante o ambiente em que a vida é querida e cultivada, sobretudo, em sua fragilidade e por causa dela.

Conclusão

O dom eucarístico de Jesus e o dom da comunidade na vivência do Lava-pés fazem com que os discípulos missionários de Jesus se distanciem da arrogância e da prepotência, que só causam divisões e se aproximem da unidade pelo poder do amor. O desejo da unidade, por sua vez, os ajuda a viver a liberdade da não imposição e do diálogo, e convoca todos à participação, com a aceitação das disposições e dos dons com os quais cada um pode colaborar para a edificação da comunidade.

(Confrontar: texto base XVI CEN “Eucaristia, Pão da Unidade dos Discípulos Missionários”, p. 23.29-56).

Pe. Guillermo Alaveiro G. Gallo é Membro do Conselho de Conteúdo da Revista Paróquias, Formado em Filosofia pela Faculdade São Boaventura, em Bogatá/Colômbia, Pároco da Paróquia Nossa Senhora Imaculada Conceição, em Brasília/DF.

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