A Comissão Brasileira Justiça e Paz, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), criticou o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), quando autorizou a abertura de processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Em nota, a CNBB questionou os motivos que levaram Cunha a aceitar o pedido de abertura do processo.

Manifestando “imensa apreensão”, a comissão da CNBB disse que a atitude de Cunha “carece de subsídios que regulem a matéria” e que a sociedade está sendo levada a crer que “há no contexto motivação de ordem estritamente embasada no exercício da política voltada para interesses contrários ao bem comum”. Para a CNBB, Cunha agiu por interesse pessoal.

A entidade católica, que, na época em que o então presidente Fernando Collor enfrentou processo de impeachment, participou de uma manifestação pela ética na política, afirmou em um comunicado que “o impedimento de um presidente da República ameaça ditames democráticos, conquistados a duras penas”.

“[…] Que autoridade moral fundamenta uma decisão capaz de agravar a situação nacional com consequências imprevisíveis para a vida do povo? […] É preciso caminhar no sentido da união nacional, sem quaisquer partidarismos, a fim de que possamos construir um desenvolvimento justo e sustentável”, acrescentou a comissão da CNBB.

O anúncio da aceitação do pedido de abertura do processo de impeachment foi feito no começo de dezembro de 2015 por Cunha. Poucas horas depois da aceitação do pedido, Dilma fez pronunciamento no qual disse que não tem contas no exterior, nem participa de “barganhas” com o Congresso.

Cunha, que quando anunciou ter aceitado o pedido de abertura do processo disse não estar feliz por tomar a decisão, rebateu as declarações da presidente.

Ele disse posteriormente que Dilma “mentiu à nação” quando disse que seu governo não barganhava com o Congresso.

Fonte: Exame

 

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