Comissão papal sobre o diaconato das mulheres divulga os primeiros comentários em público
Foto: (Fordham University/ Leo Sorel)

Evidências indicam que as mulheres diaconisas têm uma longa história na Igreja e que são necessárias no ministério eclesial em todo o mundo.

Nova York – Um estudo que o papa encomendou sobre a possibilidade de ordenar mulheres diaconisas foi completado e agora está sobre a mesa de Francisco.

Phyllis Zagano e o sacerdote jesuíta Bernard Pottier, dois membros dessa comissão, disseram a um auditório lotado no campus da Fordham University no Lincoln Center que as evidências indicam que as mulheres diaconisas têm uma longa história na igreja e que são necessárias no ministério eclesial em todo o mundo.

“A história sozinha não é dispositiva. Não pode responder à pergunta de uma forma ou de outra”, disse Zagano, autora de numerosos livros e artigos sobre o tema das mulheres no papel do diaconato. Ela também é pesquisadora associada sênior da Hofstra University em Hempstead, Nova York. Contudo, como Zagano apontou, a necessidade do ministério está lá.

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Essa colunista do National Catholic Reporter, há muito estuda o diaconato na antiga igreja e está envolvida nas discussões atuais sobre a temática. “Eu gostaria de pensar no futuro do diaconato das mulheres. Mas não posso fazer promessas para vocês”, disse ela à uma plateia de mais de 300 pessoas no seminário promovido pelo Centro Fordham de Religião e Cultura.

A comissão, fundada há dois anos e liderada pelo cardeal Luis Ladaria, é a primeira do Vaticano composta por 12 membros, incluindo um número igual de homens e mulheres. Sua tarefa era estudar a história do diaconato das mulheres e oferecer luzes para a reflexão.

“Somos melhores, quando homens e mulheres trabalhamos unidos”, disse Pottier, membro permanente da Comissão Teológica Internacional do Vaticano, argumentando que a comissão modelou o que um clero misto de gêneros poderia realizar.

O diaconato permanente foi reinstituído na igreja depois do Vaticano II. Existem atualmente 45.000 diáconos permanentes no mundo, homens que servem em vários ministérios e podem pregar e testemunhar casamentos e realizar batismos, entre outros deveres. Incluindo homens casados e solteiros, com cerca de 18.000 servindo nos Estados Unidos, por exemplo. Enquanto no Brasil, são cerca de 48001.

Os diáconos transitórios serviram durante muito tempo em funções ministeriais semelhantes como um trampolim para a ordenação sacerdotal.

Zagano passou meses, no longo do período de dois anos no Vaticano, pesquisando o tema e participando de discussões. Ela disse que cardeais e bispos que conheceu de todo o mundo, mesmo em lugares como Ásia, África e América Latina, onde há poucos diáconos, apoiaram o diaconato e estavam abertos para a ordenação de mulheres.

Uma arquidiocese latino-americana tem 400 padres para ministrar e servir a mais de cinco milhões de católicos. Em uma paróquia venezuelana, por exemplo, 14 diferentes capelas são atendidas por dois padres. A necessidade de ministros ordenados é grande, disse Zagano.

“Nossa obrigação moral é levar o evangelho às pessoas do mundo”, apontou ela.

Grande parte da discussão aqui se concentrou na longa história das mulheres diaconisas, que remonta à referência de São Paulo a Febe, uma mulher que serviu como diaconisa. A tradição das mulheres diaconisas continuou através da história da igreja, sendo suprimida na igreja do Ocidente, à medida que os ritos de ordenação eram percebidos como intimamente ligados ao sacerdócio exclusivamente masculino.

O papa Bento XVI enfatizou, no entanto, a diferença entre a vocação ao sacerdócio e a vocação ao diaconato. Essa distinção encorajou os defensores da ordenação de mulheres diaconisas porque separa a questão da ordenação de mulheres, que foi categoricamente descartada pelo Papa João Paulo II.

A Irmã Dominicana Donna Ciangio, chanceler da Arquidiocese de Newark, disse que as pessoas nos bancos estão prontas para ordenação de mulheres. Alguns até assumem que ministra ativas em suas paróquias já são como diaconisas e querem ouvir as mulheres pregarem, querem um ministério que esteja aberto às diaconisas, disse ela.

O painel enfatizou que eles estavam discutindo sobre mulheres diaconisas, não mulheres sacerdotisas. Karen Gargamelli-McCreight, membro da plateia, perguntou para as pessoas do painel sobre a ordenação de mulheres ao sacerdócio, mas foi rejeitado e informado de que esse era um assunto que não estava na agenda da noite.

“Não tem nada a ver com o que estamos fazendo esta noite”, disse Zagano.

Zagano disse que tem confiança de que o papa tomará a decisão certa sobre ordenar mulheres diaconisas, tendo em mente as necessidades ministeriais da igreja.

Ela citou o pedido de Francisco para que as pessoas reajam sobre assuntos da igreja que lhes dizem respeito. “Ele é um homem de profunda oração”, disse Zagano. “Ele é um homem de ‘verdade’”.

National Catholic Reporter – Tradução: Ramón Lara
Fonte: Dom Total

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