Na última semana ocorreu em Fátima, Portugal, o Congresso Internacional de Turismo Religioso e Peregrinação.

Com foco no Ano Internacional do Turismo Sustentável, declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Congresso trabalhou o potencial dos lugares sagrados como ferramenta para o desenvolvimento sustentável do turismo.

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Durante os dois dias de atividades, diversas palestras e painéis foram realizados com o objetivo de refletir sobre o mercado do turismo religioso e de que maneira é possível atrair mais peregrinos enquanto se fortalece a comunidade local.

A escolha de Fátima não foi em vão. A cidade se preparou para a celebração do centenário das aparições de Nossa Senhora na cidade e promoveu diversas atividades em 2017 para atrair turistas e peregrinos do mundo todo, o que conseguiu.

Assim, refletir sobre o turismo religioso em Fátima fez muito sentido. De acordo com o Secretário Geral da Organização Mundial do Turismo (OMT), Sr.Taleb Rifai, presente no evento, 1,235 bilhões de pessoas viajam para fora do seu país todos os anos, permitindo que as pessoas conheçam e possam entender melhor as diferentes culturas: “A viagem abre o mundo, a mente, o coração para o outro e o turismo religioso ajuda a estabelecer a paz entre os povos.”

Esteve presente também a Secretária da Qualificação e Promoção do Turismo do Brasil, Sra. Aparecida Maria Borges Bezerra, que ressaltou que o país tem o maior número de católicos batizados, mas que aqui são aceitas com respeito as diferentes manifestações religiosas. Há festas, como a “Lavagem do Senhor do Bonfim” em que Igreja Católica e Candomblé participam lado a lado.

Ainda do Brasil esteve também participando do Congresso Melissa Calsavara, Diretora da Sacratour, operadora especializada em turismo religioso e peregrinações. De acordo com Calsavara o evento foi excelente para avaliar as parcerias locais nos lugares sagrados: “vários questionamentos foram feitos também na questão da sustentabilidade do turismo. Na busca do equilíbrio entre comunidade local e o turista. Fico satisfeita pois estamos no caminho certo. Sempre foi o nosso foco fortalecer as comunidades cristãs nos locais em que levamos nossos peregrinos.”

Ainda nas apresentações, uma das mais aclamadas colocações ficou por conta da Professora Noga Collins-Kreiner do Departamento de Geografia e Estudos Ambientais da Universidade de Haifa, Israel, que ainda é Vice-Presidente da Associação Geográfica de Israel (IGA). De acordo com a professora, o turismo religioso começou a surgir com mais intensidade na década de 1970, mas há de se ressaltar que conforme a Maria da Graça Santos, da Universidade de Leiria, Portugal, que as peregrinações para locais sagrados sempre ocorreram. O que aconteceu no final do século XX é que diferentes operadores turísticos começaram a se especializar neste segmento.

Assim, ainda para Collins-Kreiner, o que vem ocorrendo é tornar turístico os lugares sagrados. Usando o termo Touristification, ela ressalta que diversos espaços religiosos passaram a criar estrutura específica para o turista, uma vez que o peregrino e o turista religioso começam a se fundir na mesma pessoa, ou seja, além da busca pelo Sagrado, o viajante também está buscando a parte histórica que o local lhe permite.

Investir em qualidade no turismo religioso é uma ótima alternativa para os países, pois nele é possível combinar história, cultura, natureza e gastronomia. Além de promover a economia da comunidade local, proporciona ao turista diferentes experiências em um único ambiente. É um caminho a ser mais explorado para o desenvolvimento sustentável do turismo.

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