Dom Edson Oriolo: Por uma verdadeira e autêntica Pastoral do Dízimo

Atualmente quando um sacerdote assume uma paróquia, uma das suas primeiras preocupações é saber sobre o “dízimo paroquial”, sem se preocupar tanto com a “pastoral do dízimo”. A partir daí, ele vai direcionar todo o seu esforço para articular o dízimo da paróquia e acaba se esquecendo que o dízimo é uma opção pastoral. Mas, para tanto é necessária uma mudança de mentalidade.

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O dízimo em si, muitas vezes está vinculado a recursos financeiros para despesas, dinheiro, orçamento paroquial, pagamento de funcionários, aumento de recursos, conservação de patrimônio e prestação de contas. A pastoral do dízimo, por sua vez, implica em estímulos, conscientização, criatividade, motivação, evangelização, zelo, cuidado, missão, etc.

Para entender o dízimo como opção pastoral e fazer frutificar uma verdadeira e autêntica pastoral do dízimo, podemos recorrer a três estratégias básicas de um plano de marketing:

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1. Onde você está?

A primeira atitude para reestruturar e entender o dízimo como opção pastoral é determinar com precisão em que nível a Igreja Paroquial se encontra em relação aos paroquianos. É importante a criação de comunidades, pastorais e ministérios a fim de que os paroquianos realmente se sintam sujeitos da missão. É nas comunidades que estarão os meios para alimentar a fé, sobretudo, pelos momentos de oração, pela leitura da palavra, pela vivência dos sacramentos e pela prática do serviço fraterno. As comunidades começam, então, a ganhar uma compreensão ativa e dinâmica de si mesmas.

Os membros vivem nela, para ela, mas com a consciência de que fazem parte de um corpo maior: a paróquia. E todos começam a se sentir “em casa” e não simplesmente números a mais. Os paroquianos começam a cuidar de sua comunidade e daquilo que ela possui; zelam pela evangelização, pela missão e cuidam dos necessitados. Os paroquianos passam a se sentir corresponsáveis pela evangelização e manutenção da paróquia.

2. Para onde vai?

A segunda estratégia é estabelecer objetivos. Mostrar que a sustentação da paróquia se dá pela consciência do dízimo; que este não é somente coleta de valores monetários, mas, acima de tudo, sinal de maturidade eclesial, de pertença e de comprometimento com o todo em forma de partilha e comunhão. Na medida em que a paróquia vive em comum a decisão de fazer crescer a consciência desta partilha, o espírito de comunhão também cresce e não faltarão recursos para o sustento do templo e de seus ministros e para a evangelização.

3. Como chegar lá?

A partir destas motivações, o fiel vai perceber que o dízimo é o sinal de nossa gratidão a Deus pelos bens que Ele nos oferece, todos os dias. Vai perceber que este é o primeiro sentimento necessário para se oferecer o dízimo. É como se nós disséssemos a Ele: “Senhor, aqui está uma amostra da sua bondade na minha vida e na vida da minha família; aqui está o sinal do seu grande amor para comigo”. É tão bom agradecer! A gratidão é profundamente libertadora. Finalmente Deus cumpre sua promessa e nunca deixa faltar nada em nossa vida.

Estas três estratégias ajudarão a paróquia a assumir o dízimo como opção pastoral, por ser uma recomendação bíblica, uma pratica cristã que ajuda a pessoa a viver aberta a um horizonte maior e não somente pensando em si mesma.

Dom Edson Oriolo é Bispo Auxiliar na Arquidiocese de Belo Horizonte/MG, Mestre em Filosofia Social, Especialista em Marketing, Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Pessoas, membro do Conselho de Conteúdo da Revista Paróquias. Autor dos livros: “A nova pastoral do dízimo: formação, implantação e missão na Igreja”, Catholicus Editora; “Paróquia renovada: sinal de esperança”, “Gestão paroquial: para uma Igreja em saída” e “Pastoral do Dízimo: da comunicação ao comprometimento”, Paulus Editora.

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