O Papa Francisco dedicou o mês de julho, período de suas férias, para cuidar da sua saúde. O Pontífice, de 80 anos, estava passando por um tratamento contra as dores no Nervo Ciático que o incomodam há anos.

Esse é o maior nervo do corpo humano, e controla a articulação do quadril, joelho, tornozelo e da perna, especialmente os músculos posteriores das coxas e da perna. Especialistas alertam que o mais importante é repousar até receber o atendimento médico adequado e nunca se automedicar.

“As dores na coluna, de um modo geral, são a terceira causa de procura de atendimento médico no mundo. Hoje, cerca de 35% dos atendimentos que realizo na minha clínica ocorrem por causa de dores lombares e compressão do nervo ciático”, conta o Chefe do Serviço de Neurocirurgia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, Carlos Lima.

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Em caso de dores na região lombar, o paciente pode procurar um clínico geral. Ele saberá indicar qual o especialista adequado para tratar do problema. Neurocirurgião, ortopedista e neurologista podem ser indicados de acordo com a origem do problema.

“Os problemas relacionados ao Ciático vão desde uma inflamação (neurite), compressão por uma hérnia de disco (mais frequente) ou ser decorrente de trauma, como queda e pancada. A pessoa pode identificar uma alteração pois ela sentirá uma dor intensa que começa nas costas e irradia para a perna. Apresentando esse quadro, a pessoa deve procurar um Clínico Geral, que irá encaminhar para o especialista adequado, que pode ser um neurocirurgião, ortopedista ou neurologista”, explica Carlos Lima.

“A dor ciática ocorre, habitualmente, devido à compressão de uma de suas raízes na coluna lombar ou sacra, sendo considerada, portanto, uma radiculopatia lombar. Desta forma causando dor ao longo do seu trajeto e, em alguns casos, perda da força muscular e dormência na área afetada”, acrescenta o ortopedista do Hapvida Saúde, Leonardo Cezar.

Como forma de tratamento, o Papa foi submetido, no último mês, a duas sessões semanais de massagens e injeções para aliviar o desconforto na perna. Porém, no final do ano passado ele havia sido flagrado, em Roma, comprando sapatos ortopédicos que ajudam a reduzir suas dores no Nervo Ciático.

“Essas medidas que o Papa está tomando são eficientes. Essa é uma dor muito intensa e tende a piorar quando a pessoa tosse, espirra, quando vai fazer alguma necessidade fisiológica e necessita fazer força, abaixar ou pegar peso”, diz Carlos Lima.

“A massagem pode ser a fisioterapia, que inclui não só o alongamento. Uma das consequências da compressão do ciático é o espasmo da musculatura, que fica dolorida. Uma parte da dor é do nervo, mas outra é do músculo que cansa. Essa espasticidade é involuntária, então, quando você faz uma manipulação e alivia cerca de 30% da dor, para um paciente que está sofrendo é muito bom. A injeção pode ser tanto um bloqueio dentro da coluna ou pode ser na musculatura em pontos anestésicos pra aliviar essa espasticidade e trazer algum alívio e conforto para o paciente”, completa Sérgio Gurgel, médico ortopedista especialista em coluna do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho e do Hospital São Vicente de Paulo.

Já em 2015, o Pontífice argentino visitou Nova York enquanto realizava uma dieta a base de peixe e arroz para perda de peso. A medida fora indicada pelos médicos que acompanham o Papa com o objetivo de não piorar as dores em decorrência do Nervo Ciático.

“As dores na coluna, de um modo geral, são a terceira causa de procura de atendimento médico no mundo inteiro. Hoje, cerca de 35% dos atendimentos que realizo na minha clínica ocorrem por causa de dores lombares e compressão do nervo ciático. Essa é uma dor incapacitante, a pessoa não consegue pisar, ela fica deitada com a perna encolhida. Na maioria dos casos, não há necessidade de um atendimento cirúrgico para resolver o problema”, conta o especialista.

As dores relacionadas ao Nervo Ciático também são causadas pela predisposição genética. Porém, exercícios físicos e controle do peso com base em uma boa dieta são indicados como forma de prevenir a enfermidade.

“O melhor tratamento é a prevenção, evitar sobre peso, ter hábitos de vida saudáveis tanto alimentares quanto de atividades físicas regulares. Evitar ma postura, esforço físico exacerbado”, informa Leonardo Cezar.

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