O que eu faria se fosse pároco?

Bastante difícil e delicado colocar-se no lugar de outro para imaginar o que faria. De qualquer forma, penso que quatro elementos são fundamentais: Acolhida-Comunhão; Visitação-Missão; Ministérios-Carismas e Formação-Preparação.

 

O PRIMEIRO PASSO: ACOLHER A TODOS

 

Tudo precisa ser acolhido. Dedicar tempo e disponibilidade para acolher o diferente de nós. Não ter medo do novo e do diferente. A Igreja é casa de todos. Lugar de acolher e escutar a todos. Os fiéis precisam sentir que a paróquia é sua casa. Lá se sentem bem em um ambiente familiar e fraterno. Lá, na comunidade, na paróquia, a pessoa encontra alguém preparado e, que sabe acolher, e sabe ganhar tempo para escutar aquele que chega. Desenvolver a pastoral da acolhida, muito necessário para o nosso tempo. As pessoas sentem necessidade de serem conhecidas e amadas e, chamadas pelo nome, isto é, que sejam identificadas tanto pelo nome, como pelo afeto.

Na paróquia podemos oferecer algo muito simples, mas algo que contenha alma, coração, amor. Ao pensar nisso, a secretaria paroquial é porta de entrada para a Igreja. Na secretaria, pessoa educada, acolhedora, amável fala a linguagem da Igreja/Mãe. Sabe abrir as portas para o fiel que chega. Aqui, a pessoa sente a Igreja amiga, solidária, Igreja comunhão – Igreja próxima.

 

O SEGUNDO PASSO: VISITAÇÃO-MISSÃO

 

A Igreja-Paróquia não existe firmada em si mesma, para si mesma, ou melhor, não existe para si. Ela é visitação/missão. A paróquia existe para o mundo e para a sociedade. Existe para fora. A segunda coisa, portanto, que eu fiz quando cheguei à Paróquia Sagrado Coração de Jesus, na cidade de Antônio Prado/RS, recém-ordenado em 1993 foi visitar as famílias. Ir ao encontro das pessoas, lá onde elas estão: em casa, no Hospital, no trabalho, no esporte, lazer, na escola, no presídio, na creche, nas comunidades terapêuticas, junto aos catadores e recicladores de lixo, junto às organizações em prol de uma vida mais digna, sociedade justa, sindicatos, cooperativas e associações. Pensar na missão de Jesus que vai ao encontro das pessoas é fazer-se um com eles. Estar perto da pessoa que sofre – ser Samaritano. Estar junto na hora da dor e do sofrimento na ocasião da perda por um ente querido. Não se pode mais esperar que as pessoas venham até nós, é preciso ir ao encontro. É hora de sair de nós mesmos. Fazer-se discípulo e missionário de Jesus Cristo.

A missão compreende uma Igreja que vai ao encontro, uma Igreja que sai de si mesma e vai lá onde estão os sofridos da sociedade. Onde se encontra a realidade de morte por violência, desemprego, droga, falta de amor, a Igreja é chamada a frequentar e levar Jesus Bom Pastor como fonte de vida e esperança. Ir ao encontro para conhecer as ovelhas. Saber onde moram, quais as condições de vida, perceber quais os sofrimentos que as atormentam, sentir as cruzes que carregam as alegrias que sentem e partilhar o testemunho de fé que encoraja e anima a sua e a nossa vida. A espiritualidade do pastor é fortalecida pela Vida Pastoral das pessoas. “Sentir o cheiro das ovelhas” (Papa Francisco).

 

TERCEIRO PASSO: A FORMAÇÃO

 

“Ninguém ama o que não conhece” (Santo Agostinho). Com estas palavras de Santo Agostinho, devemos proporcionar aos fiéis o encontro pessoal com a pessoa de Jesus Cristo por meio do estudo-conhecimento, retiros espirituais por meio de uma formação aprofundada sempre no ensinamento dos Apóstolos. Ajudar os fiéis a se sentirem pertença a Cristo, à sua Igreja comunidade de fé e amor. Pensaria com muito carinho na formação permanente em vista de comunidades cristãs de base. É na base de uma formação, sentando-nos aos pés de Jesus que podemos escutar e “fazer tudo o que Ele nos disser”. Na base do sentar-se junto, estudar junto, e comer junto formar a Igreja dos amigos de Jesus. Construir junto.

 

QUARTO PASSO: CUIDAR DOS CARISMAS E MINISTÉRIOS

 

Criar oportunidade de participação a fim de que a Igreja seja renovada constantemente à luz do Concílio do Vaticano II. Despertar, portanto, neste espaço de comunhão, a presença de ministérios e carismas de todos os batizados. Oferecer oportunidade a todos para a graça de fazer parte e servir em uma comunidade de vida e paz. Valorizar os diferentes carismas como dom de Deus dado a todos na graça do Batismo. Assumir o rosto de uma Igreja jovem que vibra no sangue das veias, a esperança e edificação da “civilização do amor”. Que as mulheres sejam protagonistas de uma Igreja plena de harmonia e comunhão. Construir uma dinâmica ao alcance de todos, especialmente os caídos, machucados e os que mais sofrem. Lutar para construir uma sociedade sem violência. Cuidar com muito carinho e atenção dos jovens. Ser Igreja jovem. Antecipar o Reino do Pai que é justiça e paz no Espírito Santo. Evangelizar pessoas e estruturas em vista de uma “conversão pastoral” na direção da partilha e solidariedade para com todos. Cuidaria muito da família como casa e escola de tudo. Igreja de Ministérios Leigos: Ministros da Comunhão Eucarística, Ministros da Palavra e da Celebração, Diaconato Permanente. Formar pastores para as comunidades.

 

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Dom Neri José Tondello é Bispo Diocesano de Juína/MT, Doutor em Doutrina Social da Igreja e Mestre em Filosofia e Teologia.

Contato: [email protected]

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