Após passar por uma intensa reforma com duração de 11 anos, a Igreja de Sant’Ana, em Nazaré, foi reinaugurada neste quinta-feira, 20. Sexta paróquia erguida em Salvador, em 1747, a igreja é o primeiro templo religioso católico construído com mão de obra genuína brasileira.

A restauração total da igreja só foi possível após um investimento de quase R$ 9 milhões em recursos do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), somados à colaboração da empresa Global Participação em Energia e à mobilização por parte dos paroquianos para arrecadar fundos.

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Em ruínas, a igreja estava irreconhecível, em vias de ir ao chão devido a infiltrações nas paredes, colônias de cupins e falta de forro, hoje a igreja pode exibir a riqueza das obras assinadas por artistas como o baiano Antônio Joaquim Franco Velasco, José Rodrigues Nunes e José da Costa Andrade.

O projeto de recuperação  foi cedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A igreja foi modernizada com elevador, iluminação cênica, climatização, banheiros, sem perder as características originais, que mesclam barroco com neoclássico.

Fechada 

Responsável pela paróquia, o padre Abel Pinheiro lembrou que o estado deplorável da igreja fez a Defesa Civil condenar o prédio, após o forro desabar, em 2005.

“Chegamos a ficar fechados por dois anos, o que só fazia afastar a comunidade”, lamentou o padre.

De acordo com Pinheiro, nos anos seguintes a igreja passou a funcionar parcialmente, quando chegou a haver celebrações de casamentos na sacristia, onde cabiam 120 pessoas. “Ficamos com muitas limitações, mas não podíamos esperar a reforma terminar”, disse.

Depois de passar pelas provações, padre Abel anseia pela devolução da vida à igreja, que abriga os restos mortais da heroína da Independência da Bahia Maria Quitéria.

“Quero que a igreja se torne um espaço acolhedor para os eventos da comunidade, como batismos, casamentos e missas”, deseja.

Recuperação 

Responsável pelo projeto artístico da igreja, o restaurador José Dirson Argolo conta que o trabalho de recuperação envolveu uma equipe com 45 profissionais. Além dos quadros, foram restauradas 20 imagens sacras, além de dois altares.

Ao iniciar os trabalhos, Argolo constatou que a pintura original do medalhão que ornamentava o forro da nave estava coberta por outras camadas de tinta de restaurações anteriores.

“As pinturas estavam rasgadas, com os vernizes oxidados, comidas por cupins, o que não permitia fazer a leitura das telas (de 11 painéis)”, avaliou. “Restabelecemos a originalidade das obras”, festejou Argolo.

Arquiteto

À frente da reforma civil, o arquiteto Luiz Humberto Carvalho diz que o projeto foi pensado para dar utilidade a todos os espaços dos três pavimentos: “A igreja decaiu por falta de uso dos espaços, todos fechados”.

Devido à relevância arquitetônica, histórica e cultural, ele prossegue, pensa-se em incluir a igreja na rota do turismo religioso. “É preciso estudar como viabilizar, até por causa das limitações de pessoal e de localização”, pondera o arquiteto.

O engenheiro Thales de Azevedo Filho, responsável pelo projeto elétrico, diz que o modelo da nova iluminação enfatiza as quatro partes principais da liturgia: rito de entrada, rito da palavra,  eucaristia e rito final. “Com isso, a gente pode criar cenas ao longo das celebrações”, pontua.

Fonte: A Tarde – Bahia

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