Entre os cânones preliminares do CIC, que são apenas seis, encontramos o segundo que assim enuncia:

O Código, ordinariamente, não determina os ritos que deverão observar-se nas celebrações e nas ações litúrgicas; portanto, as leis litúrgicas vigentes até agora conservam sua força salvo quando alguma delas seja contrária aos cânones deste Código”.

No CCEO é o cânon terceiro que possui essa normativa, mutatis mutandi, já que, dentro das Igrejas Rituais Orientais Católicas, o direito litúrgico é ainda mais diversificado por sua riqueza, identificando, de certo modo, grande parte do próprio patrimônio de cada Igreja sui iuris.

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A normativa dos Códigos deixa perceber então, que existem as leis litúrgicas e que as mesmas, embora não contidas no texto dos referidos, não poderão estar em contradição com as normativas contidas neles e deverão ser devidamente observadas.

Participamos de tantas Celebrações Eucarísticas, – para o Oriente, Celebrações dos Divinos Mistérios – e podemos deixar passar, desapercebidamente, o profundo significado e, além disso, os momentos em que temos que pronunciar o Amém que, lamentavelmente, tantas vezes é inaudível, por outras vezes se diz onde não se deveria se dizer, ou até mesmo se deixa de se dizer onde ele realmente existe, embora fosse obrigatória a sua audível e uníssona  manifestação.

Neste artigo quero recordar, para melhor poder se viver, o que o direito litúrgico determina em relação à manifestação do nosso Amém, entretanto, antes disso, gostaria de analisar, en passant, no campo puramente etimológico o que ele quer dizer.

Em um dos mais utilizados dicionários de nossa lusitana língua, e que é editado em nosso país, encontramos a seguinte definição: 

AMÉM – palavra litúrgica de aclamação, que indica anuência firme, concordância perfeita, com um artigo de fé; assim seja; concordância; aprovação, consentimento, confirmação…

A definição etimológica, já deixa pistas evidentes que nos apontam o valor dessa palavra, cabendo agora percebermos onde deverá ser, por determinação do direito litúrgico empregado e aqui, nomeadamente no contexto da Celebração Eucarística, da Santa Missa, do Santo Sacrifício da Missa. Em tal Celebração, o Amém ocorre com grande frequência, tanto naquelas que são celebradas cotidianamente, quanto naquelas dominicais ou de solenidades, quando ainda mais ‘améns’ devemos pronunciar.

A pronúncia do Amém deve ser feita por parte dos fiéis, individualmente em um único momento, quando da recepção da Santíssima Eucaristia e como resposta ao bispo ou presbítero presidente, por toda a assembleia celebrante, na maior parte das vezes e oxalá de modo uníssono.

Eis, então, os momentos em que devemos pronunciar o AMÉM: 

  1. No início da Celebração, logo depois que se faz a persignação, quando somente o presidente deve dizer:

“Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.

Todos respondem: Amém.

  1. Como resposta a Oração, dita unicamente pelo presidente e que conclui o Ato Penitencial, que não é o Rito da Penitência ou Confissão e onde não se devem utilizar gestos próprios da absolvição sacramental:

“Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós, perdoe o nossos pecados e nos conduza a vida eterna”.

Todos respondem: Amém.

  1. Na conclusão da Oração da Coleta (Oração do Dia), que é dita unicamente pelo presidente em suas três possíveis formas para a doxologia final:

“Oremos…

Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus Convosco, na Unidade do Espírito Santo ou Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo e se vem dirigida a Jesus: Ele que é Deus Convosco na unidade do Espírito Santo ou Ele que é Convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

Todos respondem: Amém.

  1. Depois da conclusão feita pelo presidente à Oração dos Fiéis:

“Por Cristo, nosso Senhor”.

Todos respondem: Amém.

  1. No momento em que o presidente conclui a Oração sobre as Oferendas:

“Por Cristo, nosso Senhor”.

Todos respondem: Amém.

  1. No final da Oração Eucarística (cânon), que é dita pelo presidente acompanhado ou não pelos presbíteros concelebrantes, mas jamais pelos fiéis e depois da doxologia conclusiva:

“Por Cristo, com Cristo, em Cristo…

Todos respondem: Amém.

  1. Na conclusão das Orações depois do Pai Nosso (que não tem Amém), ditas pelo presidente somente, e imediatamente antes do Rito da Paz:

“Vós que sois Deus, com o Pai e o Espírito Santo.

Todos respondem: Amém.

É tão comum, ouvir depois da recitação do Pai Nosso o Amém, mas na missa ele não existe imediatamente depois, ele se dirá depois ao final da segunda oração depois do Pai nosso, ambas ditas apenas pelo Presidente.

  1. Durante a comunhão, em resposta às palavras do ministro ordinário ou extraordinário que distribui a Santíssima Eucaristia:

“Corpo de Cristo ou Corpo e Sangue de Cristo.

Individualmente e de modo audível, responde-se: Amém.

  1. No final da Oração Depois da Comunhão, dita unicamente pelo presidente:

“Por Cristo, nosso Senhor”.

Todos respondem: Amém.

  1. Como resposta à bênção final dada pelo presidente:

“Abençoe-vos Deus todo-poderoso, Pai e Filho e Espírito Santo.

Todos respondem: Amém.

Na Celebração Eucarística, em alguns casos somente realizadas nos Domingos e Solenidades a palavra Amém pode ressoar também em outras ocasiões:

  1. Quando se recita o Glória, seja em latim ou em língua vernácula

Todos respondem: Amém.

  1. Se está presente um diácono, antes de proclamar o Evangelho ele pede a bênção ao presbítero (Dá-me a tua bênção!); se for um Bispo que preside e um presbítero proclama, esse pede a bênção ao bispo (Dá-me a tua bênção!)

O diácono ou o presbítero respondem: Amém.

  1. Se há recitação do Credo, em língua vernácula ou latim, ao seu final

Todos respondem: Amém.

  1. Se a Bênção final é dada de forma solene, lamentavelmente, algo em desuso em tantos lugares,

Todos respondem: Amém, desse modo: depois do convite ao “inclinai-vos para receber a bênção!”, após cada uma das invocações feitas pelo presidente, geralmente três e também após a fórmula final de bênção.

Que o nosso Amém, portanto, seja dito com disposição e convicção, indicando anuência firme, concordância perfeita, com um artigo de fé; assim seja, bem haja; concordância; aprovação, consentimento, confirmação, do jeito certo, no lugar certo e também na hora certa. 

 

Hugo da Silva Cavalcante, OSB é Doutor em Direito Canônico, Sócio da SBC, da APC, Vigário Judicial do Tribunal Interdiocesano de Uberaba/MG, Consultor Canônico. Autor dos livros “Introdução ao Estudo do Código de Cânones das Igrejas Orientais”, Edições Loyola; “Os Conselhos Paroquiais”, pela DLL Book’s, dentre outros.

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