Escultor da cruz dourada de Notre-Dame fala da atmosfera sobrenatural da catedral
Foto: Divulgação

“Não achei que a cruz fosse brilhar tanto; é muito estranho”, disse o artista após o incêndio


Durante décadas, a escultura da Virgem Maria segurando seu Filho crucificado foi o destaque do altar-mor da Catedral Notre-Dame, de Paris. A cruz da qual Jesus acabara de ser derrubado nesta cena de Pieta tinha que ficar apenas na imaginação do devoto.

Então, em 1994, um escultor chamado Marc Couturier ganhou uma competição para projetar uma cruz que seria instalada acima dessa cena. Agora, a cruz de ouro, que não tem a figura de Cristo pendurada nela, virou o centro das atenções ao resistir ao incêndio devastador em Notre Dame.

“Ainda estou aliviado”, disse Couturier em entrevista à France Bleu. “Eu não estava muito preocupado porque conhecia a arquitetura protegida. A abóbada e os pilares que compõem o coro são muito sólidos, assim como o trifório. Mas não achei que [a cruz] fosse brilhar tanto; é muito estranho. A luz que emana da cruz, é muito curiosa. Isso não é mágica, ela simplesmente cumpriu seu dever: ela brilhou à noite e no caos, graças à sua folha de ouro e sua forma”.

De acordo com uma biografia online, Couturier nasceu em Mirebeau-sur-Bèze, em Côte d’Or, em 1946. Ele atualmente vive e trabalha em Paris.

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As obras de Marc Couturier podem ser encontradas em uma grande variedade de coleções públicas e privadas de prestígio. Ele projetou vitrais para a Igreja de Saint-Léger em Oisilly (Côte-d’Or), uma cruz e um halo para a capela-mor da Catedral de Notre-Dame em Paris, o altar da Igreja Saint-Denis du Saint-Sacrement no Marais, em Paris, e a obra “Tremblement de ciel” (Skyquake).

Couturier atendeu ao pedido de projetos para a cruz que o cardeal Jean-Marie Lustiger, arcebispo de Paris, fez em uma competição estatal.

“Eu mesmo esculpi”, disse ele à France Bleu. “É feita de madeira resistente ao fogo, chamada samba, que eu sempre uso para minhas esculturas, e coberta com folhas de ouro, que é resplandecente”.

Ele ainda disse que, enquanto trabalhava na escultura, passou muitas noites na catedral. O artista descreveu o local como sendo “muito misterioso”: “Às vezes, o organista chegava por volta das 2 da manhã e tocava com uma força terrível ”, lembrou ele, acrescentando: “É um pouco mágico, sobrenatural.”

Fonte: Aleteia

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