Este milagre permitiria a beatificação do médico José Gregorio Hernández na Venezuela
Foto: Wikipedia / Domínio público

O Cardeal Jorge Urosa Savino, Arcebispo Emérito de Caracas, divulgou o que seria o milagre para a beatificação do venerável médico venezuelano José Gregorio Hernández.

Em declarações ao Grupo ACI, o Cardeal explicou que “recentemente aconteceu em San Fernando de Apure o processo canônico de um suposto milagre ocorrido nessa diocese”.

O Purpurado disse que este processo se realiza quando “se tem indícios de que um fato real não tem explicação natural. Trata-se de uma investigação oficial, eclesiástica e regida por normativas canônicas. É um estudo muito sério, diligente e muito detalhado do suposto fato sobrenatural”.

Neste caso, disse o Arcebispo Emérito, “o fato investigado como suposto milagre foi a cura extraordinária de uma menina que levou um tiro na cabeça, com prognóstico reservado”.

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“Apesar de muitas circunstâncias adversas: lugar distante, muito tempo transcorrido entre o incidente e a chegada ao hospital e do prognóstico inicialmente negativo dos médicos, a menina ficou totalmente curada, de modo inexplicável por causas naturais”, indicou o Cardeal Urosa ao Grupo ACI.

Para a cura da criança, foi pedida a intercessão de Gregorio Hernández e “a ele é atribuída a intervenção de Deus para a cura da menina”.

O Arcebispo explicou que o Cardeal Baltazar Porras, Administrador Apostólico de Caracas, Dom Tulio Ramírez, vice-postulador da causa de beatificação do venerável José Gregorio Hernández, “e os sacerdotes que realizaram a investigação têm muita confiança de que se possa obter em Roma a qualificação de milagre para este fato”.

A investigação foi concluída na Venezuela e será enviada à Congregação para as Causas dos Santos, no Vaticano.

O Cardeal Urosa disse ao Grupo ACI que “Gregorio tem fama de santidade desde o momento de sua morte e, ao longo dos anos, sua personalidade é percebida cada vez mais como um ser humana extraordinário, de grandes qualidades e virtudes”.

“Foi excelente professor universitário, pesquisador científico, médico corretíssimo e extremamente generoso, homem querido por toda a comunidade de Caracas de sua época, sem distinção de classes sociais”. Do mesmo modo, como católico praticante, “brilhou por seu ardente caridade para com o próximo, especialmente para com os pobres”.

“Seu testemunho nos convida a seguir o caminho de Jesus Cristo, que é o caminh0o para a felicidade e para a salvação eterna, e demonstra a importância da vivência da fé para o ótimo desempenho humano”, concluiu.

Breve biografia

José Gregorio Hernández nasceu em 26 de outubro de 1864 no pequeno povoado rural de Isnotú, no estado de Trujillo (Venezuela). Sua mãe faleceu quando ele tinha apenas oito anos.

Estudou medicina em Caracas e teve tanto sucesso que o presidente venezuelano o enviou para estudar microscopia, histologia, patologia e fisiologia experimental em Paris.

Ao retornar, foi professor na Universidade Central de Caracas. Depois de levar sua família para a capital, quis ser monge de clausura na Itália, para se dedicar apenas a Deus.

Em 1908, ingressou na Ordem Cartuja de Fartena, com o nome de irmão Marcelo. Entretanto, alguns meses depois, adoeceu e seu superior ordenou que voltasse para a Venezuela para se recuperar.

Chegou a Caracas em abril de 1909 e no mesmo mês, recebeu a permissão para ingressar no Seminário Santa Rosa de Lima, mas continuou desejando a vida monástica. Três anos depois, voltou para Roma, fez alguns cursos de Teologia no Colégio Pio Latino-americano, mas, novamente, ficou doente e teve que retornar para a Venezuela.

Compreendeu que Deus o queria leigo e não tentou mais voltar à vida religiosa. Decidiu se tornar um católico exemplar sendo médico, servindo ao Senhor nos enfermos.

Dedicava duas horas por dia para servir aos pobres.

Um dia, enquanto atravessava a rua para comprar remédios para uma idosa muito pobre, foi atropelado e levado a um hospital onde um sacerdote pôde lhe ministrar a unção dos enfermos antes de morrer em 29 de junho de 1919.

A cidade de Caracas se comoveu e muitos diziam: “Morreu um santo”. Tantas pessoas foram ao seu velório que as autoridades tiveram que intervir para organizar a multidão que queria se despedir dele.

Fonte: ACI Digital
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