Exposição precoce aos eletrônicos pode causar problemas cognitivos nas crianças

As estatísticas na França são alarmantes (e no resto do mundo não é diferente)

Mais uma vez, especialistas alertam sobre os perigos de expor crianças às telas de celulares, tablets, TV e computadores. Isso não é uma surpresa – os estudiosos já falam sobre as consequências deste hábito há algum tempo – mas os números (da França, neste caso) são alarmantes.

Em matéria publicada no jornal francês Le Monde em 17 de janeiro de 2019, profissionais do Collectif Surexposition Ecrans, ou CoSE, expressaram preocupação com o aumento acentuado de distúrbios intelectuais e cognitivos em crianças e alertam sobre a necessidade de lutar contra a superexposição precoce dos pequenos a telas eletrônicas.

O representante do CoSe diz que “o número de crianças entre 2 e 11 anos que sofrem de problemas intelectuais e cognitivos, problemas psicológicos e distúrbios de linguagem está aumentando dramaticamente. Desde 2010, os casos de distúrbios intelectuais e cognitivos aumentaram em 24%, os distúrbios psicológicos em 54% e os distúrbios de fala e linguagem em 94%. No espaço de 10 anos, as crianças desenvolveram cada vez mais dificuldade em se expressar, aprender e administrar suas emoções.”

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Uma ligação com a superexposição a telas?

Pediatras, psiquiatras infantis, psicólogos e especialistas de áreas afins perguntam: o fator ambiental poderia explicar o progresso desses sérios distúrbios em crianças?

Eles destacam os muitos estudos realizados ao longo dos últimos 20 anos, estabelecendo um nexo causal entre exposição precoce demais a telas e distúrbios do sono, linguagem, comportamento e atenção.

Para crianças mais velhas, outros estudos confirmam o impacto da exposição excessiva sobre as atividades físicas, o peso, a visão, o humor (ansiedade, isolamento e depressão) e as atitudes hipersexualizadas ou violentas devido à pornografia e à violência.

Crianças menores assistem TV demais

A batalha promete ser difícil, já que os pais não parecem levar isso em conta. Enquanto muitos especialistas defendem a não exposição de crianças a telas antes dos três anos de idade, outro estudo, o Longitudinal French Study From Childhood revela que dois terços das crianças de dois anos assistem televisão todos os dias. (As estatísticas na América sugerem que a situação não é melhor do que a do outro lado do Atlântico.) O coletivo apela às autoridades públicas para apoiar as equipes de pesquisa, a fim de que a França possa realizar estudos que eliminem todas as dúvidas sobre o assunto, além de desenvolver um estratégia nacional de prevenção de riscos, incluindo a criação de apoio aos pais.

Não espere que os outros ajam por você

Não há dúvida de que os eletrônicos são uma maneira fácil de entreter crianças de todas as idades e liberar os pais para o trabalho e outras atividades. Mas tudo indica que o preço de tal “saída fácil” é muito alto. É hora de os pais tomarem medidas para proteger o futuro de seus filhos, limitando o tempo de exposição às telas e voltando-se para outras formas de entretenimento e educação adequadas à idade, especialmente a interação entre pais e filhos (jogos de tabuleiro, ler e contar histórias, participar de artesanato, etc.).

Isso certamente exigirá sacrifícios – por exemplo, talvez precisemos começar limitando nosso próprio tempo à frente da TV ou do celular -, mas a recompensa será uma vida mais rica para nossos filhos.

Fonte: Aleteia

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