O tema da comunicação é fundamental para a antropologia e para a vida da Igreja. A pessoa humana é essencialmente relacional. Essa condição confirma a sua dimensão comunitária, política, racional e afetiva. Em tudo isso está o desejo de verdade.

O encontro com essa realidade a plenifica. Quando a pessoa lança ou é alcançada pela mentira; então existe o sofrimento, a dor e a morte. Sobre essa temática tenho em mente a mensagem para o dia das comunicações sociais do Papa Francisco: “A verdade vos tornará livres (Jo 8,32). Fake News e jornalismo de paz (13/05/2018)”. Recomendo a leitura e aprofundamento deste texto para que tenhamos presente o drama antropológico, ético e social deste fenômeno da “falsa notícia” na Era pós-moderna e digital.

Vivemos a época que está sendo descrita como a da “pós-verdade”. Diria que é um momento em que a mentira encontra muitas vias de propagação, já que a Verdade está sendo sufocada por verdades. É uma marca registrada destes tempos. A comunicação autêntica necessitada de um dado vinculante. Com o ofuscamento de Deus, que era uma garantia dogmática da verdade única e universal, há a busca existencial para uma possibilidade de verdade que venha da necessidade humana de encontrar o sentido da sua própria existência. Com isso, não desaparece, nem é relativizada, a verdade sobre Deus, a partir da fé, nem muito o seu lugar no mundo e na existência humana; mas, há a preocupação dialógica de assumir um novo estilo de confirmação de que Ele é a verdade à qual o ser humano precisa para o preenchimento da sua inquietude existencial.

A Igreja precisa está atenta aos sinais dos tempos; é urgente discerni-los. Para a sua ação evangelizadora, os meios de comunicação sempre foram indispensáveis. As pequenas comunidades, os púlpitos, as universidades, os catecismos e, o mais importante, a própria bíblia, sempre foram fundamentais. A Igreja católica sempre foi a maior comunicadora do ocidente. Ouso a dizer que a sua força temporal foi moldada por essa via. Até o surgimento da imprensa, no século XV, era ela que detinha, por sua capilaridade, os meios de propagação do que era considerado como verdade, ou mentira. Claro que, essa leitura e seu significado não podem ser anacrônicos. O seu sentido está ligado ao seu tempo.

Hoje, necessitamos assumir o uso dos meios de comunicação, com a revolução causada pelas novas mídias, com empenho, qualidade e responsabilidade. Não podemos fugir dessas novas maravilhas. Se bem usadas, podem ser canais formidáveis para o anúncio da Boa Notícia. Vejamos que o próprio Evangelho, com o seu conteúdo, é indissociável da ação de comunicar. É importante que abramos os olhos para o uso desses instrumentos. Não podemos permanecer nesse “analfabetismo digital”. As estruturas, a formação, o empenho, o investimento, a organização e outras atitudes devem fazer parte do anseio de aperfeiçoamento da ação missionária de todas as comunidades eclesiais, com seus agentes ordinários e extraordinários, pelo qualitativo e quantitativo uso dos meios de comunicação sociais.

Deixo aqui mais essa preocupação que é antiga e cada vez mais atual. Ocupemos espaços e aperfeiçoemos os processos. Vamos avançar para águas mais profundas. Usemos as rádios comunitárias, ou outras, tvs, mídias sociais, jornais, revistas e, sem dúvida, o mais importante: O investimento na formação de mais lideranças que sejam discípulos missionários de Jesus Cristo nos meios de comunicação, na Igreja e para o mundo. Num contexto de Fake News, sejamos propagadores da Verdade, que liberta e salva. Assim o seja!

Pe. Matias Soares
Mestrando em Teologia Moral
Gregoriana-Roma

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