A pergunta que não quer calar

Quando um casal aguarda a chegada de um bebê, surgem expectativas e sonhos no coração dos pais. No entanto, quando recebem a notícia de que seu filho possui alguma deficiência, a perspectiva muda, pois o novo ser requererá cuidados especiais. Além disso, os esforços realizados para o seu desenvolvimento deverão se multiplicar, e talvez não sejam suficientes para que seu filho acompanhe o ritmo dos outros.

Esta é a realidade de muitos pais de família que, no entanto, encontraram um novo sentido para a vida a partir da sua inesperada circunstância. A respeito disso, Marisela Cuellar Olvera, mãe do Felipe, que há 30 anos nasceu com deficiência intelectual, fala sobre seu caso.

Ela conta que, quando soube que seu filho tinha uma deficiência intelectual, pensou que não daria conta da responsabilidade, sobretudo porque Felipe ficava doente com muita facilidade.

“Os primeiros anos foram muito difíceis; precisei ter determinados cuidados com meu filho, dar-lhe muitos estímulos e uma alimentação especial, entre outras coisas. Além disso, precisei procurar instituições que apoiassem seu desenvolvimento. Devido às condições do Felipe, tive de recorrer a várias creches e depois escolas, tanto públicas como privadas, até conseguir que o recebessem.”

Uma das coisas mais difíceis que ela teve de enfrentar no início foram suas experiências com alguns especialistas, que, ao invés de orientá-la, emitiam opiniões carentes de juízo, como dizer-lhe que o melhor seria pedir a Deus que levasse seu filho, pois, do contrário, teria de batalhar muito e jamais conseguiria sua integração e desenvolvimento na sociedade.

“Felizmente, recebei o apoio de toda a minha família, de especialistas muito profissionais e da Igreja, da qual eu vivia bastante afastada, até que o Felipe nasceu. Foi então que comecei a me aproximar dela e, quando o Felipe completou a idade de fazer a primeira comunhão, perguntei pelos requisitos a um padre, quem me disse que era eu, não meu filho, quem precisava de uma preparação.”

“Então, comecei a me evangelizar e depois preparar-me para ser catequista. A primeira coisa que aconteceu foi que encontrei meu Deus; senti-me amada por Ele e, acima de tudo, senti esse amor dele pelo meu filho. Já sou catequista há 24 anos, 14 deles na Catequese Especial da arquidiocese do México.”

Marisela afirma estar convencida de que todos os seres humanos têm um propósito no plano de Deus, um propósito que não conseguimos enxergar no começo do caminho e que, no seu caso, ela pôde ver depois de um longo percurso junto ao seu filho, à sua família e aos seus amigos da catequese, ao perceber que o Felipe a havia ajudado a crescer espiritualmente e a compartilhar este crescimento com todos.

“Adoro ver seu sorriso, senti-lo vivo, ver como ele consegue se relacionar com as pessoas e transmitir-lhes seus sentimentos e emoções. Estou orgulhosa dele e sinto uma grande felicidade quando o vejo participar da missa.”

“Sinto-me sortuda ao ter o Felipe, meu companheiro da vida toda! Juntos, enfrentamos com alegria as mais diversas situações; ele transforma minha impaciência em paciência, meus medos em fortaleza e minha tristeza em alegria”, relata.

Sobre o tema, o Pe. Eduardo Mercado, diretor da Comissão de Catequese da arquidiocese do México, comentou que os pais de família que enfrentam esta situação geralmente têm um forte impacto no início e questionam muitas coisas; demoram para assimilar a circunstância e perceber que, dentro da deficiência, é possível levar uma vida plena, sobretudo buscando uma orientação adequada.

“Entre as muitas perguntas que os pais fazem, a mais comum é aquela do episódio evangélico do cego de nascimento: ‘Quem pecou para que ele nascesse assim?’. Mas Jesus responde: ‘Nem ele pecou, nem seus pais; isso acontece para que nele se manifestem as obras de Deus‘. Não é uma resposta fácil de assimilar, é preciso passar por um longo processo para descobrir o verdadeiro ensinamento de Jesus.”

O Pe. Eduardo comentou que, por meio da fé, que dá ferramentas para a aceitação e confiança na vontade de Deus, um filho com deficiência se torna um sinal com um propósito divino.

“É aqui que, como Igreja, precisamos ter a capacidade de apoiar e acompanhar as famílias na descoberta deste propósito. Eu já vi como as famílias nas quais há um filho com deficiência se aproximam mais de Deus, da Igreja; elas se unem, se compreendem.”

“A vida é um dom de Deus que não podemos desprezar. Quando um filho tem uma deficiência, é preciso ter a esperança de que, no futuro, essa dor se transformará em alegria.”

Por Alatéia

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