Texto de Dom Roberto Paz, Bispo de Campos no RJ

Se aproxima o Carnaval e fica sempre para o fiel cristão o desafio e as possibilidades diante deste evento tão marcante para a cultura brasileira. Uns se preparam para um momento de recolhimento nos chamados retiros de Carnaval ou Rebanhões, aprofundarão a oração e através do louvor e da intercessão renovarão a sua vida espiritual.

Outros menos avisados entrarão de cheio na mística de diversão, pensando que no Carnaval há férias para tudo, e como estava escrito nas cartografias da Renascença não existe pecado debaixo do Trópico. Assim seria lícito cometer toda espécie de exageros e desvios contra a vida e a família.

Parece que não haveria outra opção para bem viver o Carnaval como tempo de alegria e festa, embora muito contaminada pelo hedonismo e os apelos para uma sexualidade desenfreada. É pena termos esquecido a origem desta palavra: ” a carne vale”, para expressar que este tempo que antecipava a Quaresma não era preciso fazer abstinência de comer carne, e todo o povo participava celebrando a paixão e a alegria de viver, valores profundamente evangélicos.

O homem e a mulher bíblica tinham uma dimensão marcadamente festiva como prova a festa do Purim, que celebrava a salvação do povo pela atuação da Rainha Éster.

Hoje também é possível como o Rei Davi e João Batista no ventre materno pular com alegria, testemunhando o rosto amável, luminoso e belo do Bom Deus que nos chama a plenitude e a viver com inteireza a condição de filhos amados e sempre acompanhados por sua Presença.

Está faltando às vezes para os cristãos a vivência e a prática de uma verdadeira espiritualidade da alegria, que condiga desvelar e mostrar em quem acreditamos: o Deus da Paz e da Alegria.

Uma espiritualidade capaz de apontar no Carnaval onde se encontram a beleza, a completude e a verdadeira festa, partilhando com os carnavalescos, a ginga, os enredos que enobrecem o ser humano, e a espontaneidade generosa e solidária de quem se diverte não prejudicando a saúde nem a felicidade do irmão, mas busca plenificar estes instantes com esperança e desejo da Festa sem fim. Deus seja louvado!

Por Dom Roberto Francisco Ferreria Paz – Bispo de Campos (RJ)  – CNBB

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