Funcionária relembra trajetória na basílica após quase 50 anos de trabalho
Foto: Camilla Motta/G1

Maria Helena de Souza, de 63 anos, é a funcionária com maior tempo em atividade no templo. Santuário Nacional é o maior empregador de Aparecida (SP), com mais de 2 mil trabalhadores.

“O que mais me emociona é que além de todo aprendizado, trabalhar na basílica me permitiu ver de perto os três últimos papas”. Esse é o relato da Maria Helena de Souza, de 63 anos, que dedicou 46 anos deles ao trabalho no Santuário Nacional de Aparecida. Ela é a funcionária com mais tempo em atividade no local. Além dela, o maior templo católico do Brasil emprega mais de 2 mil pessoas. (leia mais abaixo)

Maria Helena começou a trabalhar no templo ainda na adolescência, aos 17 anos, como balconista em uma loja de lembranças e, ao longo de quase cinco décadas, passou por noves cargos diferentes. Atualmente ela é gerente financeira.

A ideia de começar a trabalhar no Santuário Nacional surgiu quando uma amiga que estudava com ela no ensino médio contou que tinha sido recrutada para trabalhar na igreja. “Eu e minha irmã também fomos pedir emprego no Santuário e acabamos gostando. Trabalhei por seis meses somente aos finais de semana, depois passei para todos os dias”, contou.

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Ela conta que a irmã se casou e decidiu se dedicar exclusivamente à família, enquanto ela continuou na basilica.

Ela lembra que a estrutura, que hoje impressiona os mais de 12 milhões de visitantes ao ano, já foi bem menor. Maria Helena viu de perto as várias etapas da expansão do templo.

“Quando eu entrei estavam terminando a frente do Santuário, depois vi a construção da torre, a capela das velas, o assentamento de pisos e todo revestimento de tijolinhos. É muito legal fazer parte de uma história dessa, ainda mais sendo tão devota de Nossa Senhora, como eu sou”, afirmou.

Além dessa experiência, ela faz um retrospecto do crescimento profissional, a partir das oportunidades que foram surgindo. Todas as funções administrativas, a funcionária aprendeu na prática.

“Abria uma vaga e eles perguntavam se eu queria aprender . Como gosto de desafios enfrentei. Passei por contabilidade, RH, contas a pagar. Quando fui para informática fiz um curso técnico para aprender ainda mais”, relembrou.

Maria Helena (à direira) com a irmã e colegas de trabalho na década de 70 no Santuário Nacional — Foto: Arquivo Pessoal

Visitas ilustres

Nesses 46 anos dedicados ao Santuário, além de fazer amizades e conhecer gente do mundo inteiro, o que mais marcou para Maria Helena foi a visita do Papa João Paulo 2º, em 1982, do Papa Bento 16, em 2007, e do Papa Francisco, em 2013.

“Como eu sou a funcionária mais antiga me deixaram comungar com o Papa Bento 16, foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. Uma coisa sem explicação. Fiquei muito perto de todos eles”, relembrou emocionada.

A gerente financeira acredita que o Santuário foi fundamental para definir o rumo da vida dela. “Não sei como seria minha vida hoje. Eu gosto do que eu faço, nunca foi um peso. Quero completar pelo menos 50 anos de trabalho antes de pensar em me aposentar”, contou.

Empregador

O Santuário Nacional de Aparecida emprega 2,1 mil pessoas, sendo 85 delas aprendizes e 100 portadoras de necessidades especiais. O número é quase o dobro da prefeitura do município, que emprega 1.332 servidores, entre os concursados, comissionados e temporários.

Além dos cargos mais conhecidos dos fiéis, como de vendedor, atendente, segurança e auxiliar de limpeza, a basílica emprega em funções como padeiro, maestro, auxiliar de coreografia, médicos, advogados, alpinistas (que escalam o templo para fazer a limpeza), encanador, pintor, pedreiro e até funcionários que atuam em uma estação de tratamento de água e esgoto, que fica dentro do templo.

A diretora de Recursos Humanos (RH), Aline Roma, conta que com o passar dos anos, ela percebeu uma mudança no perfil dos empregados.

“A gente sempre teve bem latente a visão que aqui é a ‘Casa da Mãe’ e os funcionários sempre são acolhidos. Um ambiente familiar onde a gente sempre contrata gente nova, mas não perdemos nosso porto seguro que é quem tem mais experiência e já está há algum tempo aqui. Só que a nova geração, estamos percebendo, que sempre quer novos desafios e acaba tendo uma rotatividade maior, mas ficamos felizes porque eles sempre carregam um pouco do santuário [para onde forem]”, contou.

Para ela, o principal desafio é administrar todos os funcionários para que o serviço a eles seja o melhor possível. “Em momentos de crise, por exemplo, mais fieis costumam vir pedir emprego para Nossa Senhora, então não podemos parar. Temos que oferecer um bom atendimento”, concluiu.

Fonte: G1

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