Atingiremos nossos contemporâneos, sem a utilização dos modernos meios de comunicação?

Desde 1933 realizam-se no Brasil Congressos Eucarísticos Nacionais. Se os Internacionais, iniciados em 1881, pretendem unir todos os povos em torno da Eucaristia, os Nacionais procuram unir o Brasil em torno desse sacramento. Tem sido significativa, nesses momentos, a presença de bispos de todo o país, representando suas dioceses. Sempre que possível, fazem-se acompanhar de padres e diáconos, de religiosos e religiosas, de leigos e leigas. Até um passado recente, era unicamente por meio desses representantes, e de algumas reportagens em revistas e jornais católicos, que um Congresso Eucarístico chegava às dioceses. Nos últimos tempos, isso mudou: as TVs de orientação católica passaram a ser o veículo mais importante para levar os Congressos Eucarísticos até os mais distantes recantos de nosso país.

Fiz questão de fazer essa introdução, por dois motivos: em primeiro lugar, como expressão de minha gratidão, pois fui responsável pela preparação do 15° CEN, realizado em Florianópolis, de 18 a 21 de maio de 2006, que contou com a importante colaboração da Rede Vida de Televisão, da TV Canção Nova e da TV Século XXI; depois, para deixar claro o quanto é importante termos essas emissoras à disposição do mundo católico. Sem elas, não só nossos Congressos Eucarísticos não chegariam a todo o país, mas também as assembléias da CNBB e uma série de acontecimentos eclesiais que, mesmo importantes, não despertam interesse nas demais emissoras de televisão. Afinal, a programação desses canais “leigos” é rígida, fechada; mesmo que houvesse recursos para pagar determinadas transmissões, as consultas para fazê-lo barrariam em um “não” dos proprietários das emissoras, pelos compromissos por eles assumidos com seus patrocinadores.

Concordo com os que afirmam que as emissoras com programação de orientação católica têm ainda um longo caminho a percorrer. Qualquer passo, nesse campo, é envolvido por cifras impensáveis para nossa realidade, apesar de o catolicismo estar presente no Brasil desde a chegada das caravelas de Cabral. Mas, teimosamente, passos importantes já foram dados, em uma demonstração de que há um público interessado em ter à sua disposição esses canais. Há os que sonham com a união de todos em um só, em uma única emissora, como se fosse possível um único canal agradar à diversidade de público. Penso que é importante, sim, o apoio mútuo, a união em grandes momentos (leia-se: celebrações) e a busca da unidade em torno da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura, Educação e Comunicação Social, da CNBB. Dessa união poderão nascer propostas valiosas, em resposta ao apelo da Conferência de Aparecida: a realização de uma Grande Missão Continental – em nosso caso, Nacional. Nossas emissoras poderão nos ajudar a ir em busca dos católicos afastados, ao encontro dos que não conhecem Jesus Cristo e também daqueles que nos pedem as razões de nossa esperança.

Vejo com igual otimismo o esforço crescente de alguns grupos para ter emissoras de rádio a serviço da evangelização, a tentativa de unir essas emissoras em redes e a melhoria na qualidade dos programas apresentados. “Todos na Igreja estamos chamados a ser discípulos e missionários”, lembrou-nos a Conferência de Aparecida. “É necessário formar-nos e formar todo o Povo de Deus para cumprir com responsabilidade e audácia esta tarefa”. Alguém duvida da importância de emissoras de rádio, para atingirmos esse objetivo?

Outro campo em que é necessária a presença da Igreja é a internet, “que pode oferecer magníficas oportunidades de evangelização, se for usada com competência e uma clara consciência das suas forças e fraquezas. Oferecendo informações e suscitando o interesse, ela torna possível um encontro inicial com a mensagem cristã, de maneira especial entre os jovens que, cada vez mais, consideram os meios de comunicação como uma janela para o mundo” (“Anunciai a Boa Nova”, Editora Canção Nova, p. 54). Bendito seja Deus pelos ousados, que acreditam na necessidade de a Igreja ultrapassar não só os limites geográficos, mas também os confins culturais, e colocam suas energias e imaginação a serviço da proclamação do Evangelho, por meio da Internet!

“Temos de alimentar em nós a ânsia apostólica de transmitir a outros a luz e a alegria da fé e, para esse ideal, devemos educar todo o Povo de Deus”, insistia o saudoso Papa João Paulo II (RM, 86). Atingiremos nossos contemporâneos, sem a utilização dos modernos meios de comunicação? Utilizá-los, pois, não é um modismo ou apenas um hobby; é condição necessária para sermos fiéis à missão de evangelizar todos, em todo tempo e em toda parte.

Dom Murilo S.R. Krieger, SCJ é Arcebispo Metropolitano de São Salvador da Bahia/BA.

Fonte: Revista Paróquias & Casas Religiosas, n. 7.

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