A importância da Festa dos Padroeiros para a edificação da comunidade
Foto: Wikipédia

Uma das mais belas experiências que vivia quando estava à frente das paróquias, das quais fui pároco, era a festa dos padroeiros. Sempre as pensava e ensinava ao povo de Deus que aquelas eram grandes retiros populares. Sim! A festa dos padroeiros é um tempo forte de evangelização, aprofundamento da fé e confraternização da comunidade cristã. Durante o ano, dependendo da extensão e número de comunidades paroquiais, quantos momentos como estes não enobrecem a vida dos fiéis e, culturalmente, a vida dos municípios.

A festa dos padroeiros é um acontecimento que eleva e promove humanamente e espiritualmente a vida das pessoas. É um momento profundamente humanizante. As pessoas se encontram, trabalham em equipe, envolvem os vizinhos, enchem seus corações de esperança, em um mundo tão cheio de contradições e feridas. Já escrevi em outro momento que a festa dos padroeiros é um bem eclesial e eclesiástico. Primeiro porque é formada e em favor do povo de Deus; segundo porque é a Igreja, como instituição que a administra e a promove.

Em alguns lugares do Brasil, principalmente em nosso Nordeste, que é onde conheço mais, infelizmente, há uma usurpação e apropriação indevida do poder público, muitas vezes com a conivência das próprias lideranças, desta oportunidade impar de evangelização e manifestação cultural das comunidades. É o melhor lugar de marketing para as figuras oportunistas, pois tem a aceitação das pessoas. Normalmente, alguns membros da classe política tomam estas festas para fazer sua política de pão e circo.

Veja também:
A oração que o Papa Francisco fez diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida
Padre José Carlos explica algumas curiosidades sobre os símbolos do Natal

Ainda mais, há muitos sinais de que há até casos de favorecimento econômico de alguns deles quando patrocinam estas festividades. As bandas e os grupos que se apresentam, que são pagos com o dinheiro público, mas à custa da credibilidade e nome dos bens eclesiais, que tradicionalmente a Igreja tem o direito-dever de cuidar, zelar e salvaguardar. A Igreja tem respaldo legal para assumir essas suas prerrogativas.

Em algumas cidades existem outras festividades promovidas e financiadas pelo poder público. Contudo, nenhuma delas tem o valor de edificação e, porque não dizer, civilizacional das festas dos padroeiros. O alto índice de violência, drogas, roubos, assassinatos, estruturas precárias, os lugares inapropriados, a desorganização; pois, normalmente, são eventos que visam mais a manipulação e desorientação do povo para os reais problemas que afligem a vida das pessoas, a saber: educação de baixa qualidade, insegurança, falta de saneamento básico, prestação de contas inexistente.

O pior é que os próprios políticos sabem que eles precisam desses momentos para esconder a sua mediocridade administrativa e de promoção dos cidadãos. Um político quanto mais faz festa para o povo, mais sinaliza a sua profunda incapacidade de gestão. Não trabalha com prioridades. Sua intenção é alienar as pessoas.

Na festa dos padroeiros há a elevação da autoestima das comunidades. Na maioria dos municípios, quando é bem pensada, organizada e envolvente, ainda continua a ser o momento mais especial da vida e da identidade daquela comunidade. É a festa da paz, da alegria, da comunhão, participação e efetiva configuração do que é verdadeiramente marcante na vida das pessoas que vivem e foram criadas em determinado lugar, com seus costumes cristãos. É bom frisar que estas tradições vão sendo reformadas e adaptadas de acordo com cada momento histórico; tendo em vista que, quando falamos de Tradição, pensemos no que é essencial da vida da comunidade cristã, ou seja, o mistério de Jesus Cristo, que pela cultura é anunciado em todos os tempos e lugares do mundo.

As nossas comunidades cristãs precisam cada vez mais valorizar a festa dos padroeiros das suas comunidades. Elas não podem ser entregues ao poder público. Este deve apoiar, como parceiro, e não ousar a querer dominar o que não lhe pertence. Para isso, é muito importante a autonomia da Igreja na execução e na administração destes eventos das comunidades e paróquias.

Eles devem continuar a ser um momento de edificação e promoção de autênticos valores formadores da fé e da dignidade da caminhada de um povo. Um gestor público que não apoia a cultura e a história dos munícipes, não quer o bem dos cidadãos. Ele não tem o alcance, moral e político, do bem que este acontecimento tem para o bem comum, não só dos cristãos, mas de todos aqueles que compõem a dinâmica do município.

Por fim, pensemos sobre esta questão que, imediatamente, parece anacrônica; todavia, em tempos sombrios como os nossos, valorizar os canais de enobrecimento e elevação das nossas comunidades, é uma necessidade que cada um de nós tem a responsabilidade de pensar e provocar, tendo em vista o bem das pessoas e das suas verdadeiras alegrias. Assim o seja!

Pe. Matias Soares
Arquidiocese de Natal-RN

Adaptado por Redação Catholicus

Faça um comentário