Foto: AP
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Realiza-se entre os dias 2 e 6 de agosto na Arquidiocese de Semara, na cidade de Yogyakarta (Ilha de Java), a VII Jornada Mundial da Juventude Asiática. A última edição foi realizada em 2014 na Coreia do Sul, na presença do Papa Francisco.

Java é a segunda maior ilha da Indonésia, onde se situa a capital do país, Jacarta. Em seus 124 413 km² de área, vivem – segundo dados de  2015 – 141.300 000 habitantes, que constituem 56,7% da população da Indonésia, maior país islâmico do mundo.

Encontros preparatórios

Os encontros preparatórios realizam-se de 30 de julho a 1º de agosto em várias dioceses indonésias, reunindo cerca de 3 mil jovens católicos provenientes de 21 países da Ásia, para viver e testemunhar o Evangelho na Ásia multicultural, como diz o próprio lema da Jornada “Joyful Asian Youth: Living the Gospel in Multicultural Asia”.

O evento confere particular significado para o arquipélago, ameaçado cada vez mais pela presença de grupos do islã radical, inimigos do sistema de convivência democrática e pluralista, garantido pela própria Constituição indonésia e pelo sistema de princípios nos quais se baseia, conhecido como “Pancasila”.

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Valeria Martano, da Comunidade de Santo Egídio, explicou à RV a importância do evento:

“A situação é muito delicada, sem sombra de dúvida em grande desenvolvimento, pela qual é justo sentir um pouco de ansiedade. Porque a Indonésia é o país muçulmano mais populoso do mundo; manteve sempre esta tradição democrática, pluralista, fundada na ideologia da “Pancasila”, que reconhece a unidade do país na diversidade das tradições religiosas, e promove a justiça social. Todavia esta situação é colocada à dura prova por um momento de tensão que faz pensar na existência de uma insurgência de células radicais”.

RV: Em finais de maio, justamente durante um simpósio organizado pela comunidade de Santo Egídio em Roma sobre pluralidade religiosa na Indonésia na era da Reforma, ocorreu um duplo atentado que causou apreensão nos participantes. Daquele momento até agora, como se desenrolaram os fatos em relação aos grupos extremistas?

“A situação é muito complexa. Sob um ponto de vista as duas grandes organizações muçulmanas indonésias – são as grandes organizações de massa, a Nahdlathul Ulama e Muhammadiyah: duas orientações ligeiramente diferentes, ainda que ambas encarnem o espírito da “Pancasila” – estão buscando, mesmo se com estratégias diferentes, manter o leme do país direcionado no sentido do pluralismo. O Governo, por sua vez, instituiu uma unidade especial de proteção da “Pancasila”: é uma novidade, um organismo novo, jovem, ainda a ser construído; porém é interessante o fato que tenha sido escolhido um caminho para deter as células radicais do ponto de vista cultural, ideológico, que insista, isto é, sobretudo na sociedade civil. Ao mesmo tempo, foram criadas leis especiais para colocar na ilegalidade algumas associações particularmente extremistas. É um momento extremamente delicado e também perigoso, porque no próximo ano haverá várias rodadas eleitorais; e portanto, é claro que esta insurgência radical está tentando tirar proveito disto o máximo possível”.

RV: Analistas consideram que a tutela do sistema democrático da Indonésia é particularmente importante para o equilíbrio de toda a região. Qual a sua opinião a este respeito?

“É correto. Esta é uma afirmação importante porque aqui estamos falando de um arquipélago imenso, uma população de 250 milhões de pessoas em grande desenvolvimento econômico, e onde efetivamente a convivência permitiu um grande desenvolvimento do país. Perder esta capacidade seria algo realmente muito preocupante também para a região, por aquilo que está acontecendo nas Filipinas, na Malásia”.

RV: Justamente um país assim complexo recebe a Jornada Mundial da Juventude asiática. O que representa este evento para o país e para a Igreja na Indonésia, sobretudo?

“Na minha opinião, a Asian Youth Day para a Igreja indonésia, e sobretudo e para os jovens – que são muitos, porque este país é muito jovem – efetivamente representa uma grande abertura, um momento de abertura muito importante; porque a Indonésia é um arquipélago: existe um problema de comunicação linguística que às vezes cria dificuldades nas relações com o resto do mundo, também à juventude da Indonésia. E por outro lado, esta afluência de tantos jovens – serão cerca de 3 mil – vindos de vários países asiáticos, é esperada com muito entusiasmo. Eu verifiquei também em nossas comunidades: nós temos por exemplo um movimento dos jovens pela paz do qual participam jovens que são muçulmanos; e dentro da Jornada Asiática da Juventude ele encontrará espaço”.

Fonte: Rádio Vaticano

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