Sal e luz do mundo maturidade cristã

Quando pensamos em maturidade, o que nos vem à mente é a necessidade da responsabilidade. Uma pessoa madura é livre e responsável pelos seus atos. O cristão é a pessoa que converteu a sua vida à pessoa de Jesus Cristo. Ele, ou ela, acolheu aquele chamado declinado em (Cf. Mc 1,15).

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Progressivamente os evangelhos nos mostram essa dinâmica do discipulado. De um modo místico, teremos a tradução dessa experiência na pessoa do apóstolo Paulo.

Assim como existe um primado mariano e petrino, para pensarmos a existência do ser cristão e eclesial, precisamos do primado paulino para atualizar o significado da maturidade cristã (Cf. Fl 1, 21; 2,5).

O corpo da sua obra é uma gramática indispensável para meditarmos e confirmarmos a temática.

A vida cristã, na atualidade, está sendo bombardeada de vários modos. Normalmente, voltamos nossas preocupações mais para o laicismo ideológico que, orquestradamente, tenta de todos os modos minimizar o valor social dos ideais cristãos na vida pública.

Mas essa é uma questão antiga, à qual não quero tratar aqui. Esse é um aspecto que tem a ver com a situação fora da Igreja, que nós não precisamos temer, mas nos sentir desafiados a ter coragem para anunciar e testemunhar o evangelho.

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Há, também, outro aspecto que está mais relacionado com a situação dentro da Igreja. O Papa Francisco com sua preocupação de trazer para o centro da caminhada eclesial, a centralidade do Evangelho, como reiteradamente vem dizendo e testemunhando, também encontra resistências dentro das próprias comunidades eclesiais.

São grupos religiosos que estão numa fronteira obscura da vida cristã. Tentam, de todos os modos, colocar uma corrente no dinamismo evangélico e enjaular o protagonismo do Espírito Santo na História humana, através das pessoas.

No seio da Igreja, como candidamente dizia Santa Teresinha, não estão preocupados em ser o amor. Não! Perderam a memória do que verdadeiramente é a Tradição Viva da Igreja. Existe um infantilismo evangélico e eclesial.

Essa deficiência tem sérias consequências para que a Igreja, sem relativizar a Verdade da Divina Revelação, possa caminhar atualizando a mensagem querigmática e parenética da salvação. Na História da Igreja, a doutrina não caminhou sem a moral, mas a moral não caminhou sem a doutrina.

Neste sentido, a ignorância e a falta de aprofundamento dos ensinamentos do Vaticano II foram e estão sendo muito nocivos para que a Igreja possa avançar para águas mais profundas.

O que está gerando perplexidade no estilo pastoral do Papa Francisco é que os elementos essenciais do que o Concílio pensou, ainda não foram internalizados por muitos membros da Igreja, ou por má fé ou por dificuldade interpretativa.

Há quem esteja ainda iludido pensando que é o Mundo que tem que vir ao encontro da Igreja, e não Esta ir ao encontro do Mundo. Quando o Papa fala de uma “Igreja em Saída”, aí está implícito que existe um tempo de Deus e um mandamento de Jesus Cristo que a Igreja tem que assumir: A sua identidade missionária. A missão é trinitária.

A maturidade cristã dos batizados está condicionada à sua situação de discípulos missionários. Quem acompanha os ensinamentos e a teologia de Bergoglio percebe que ele tem muita clareza disso. Parece ser uma narrativa tão debatida, todavia não é.

Existe uma preocupação em preservar o status quo, que nos faz fazer muitos questionamentos sobre a qualidade cristã que existe dentro das comunidades eclesiais, nos tempos hodiernos.

Alguns grupos radicais e fundamentalistas que estão dentro da Igreja, sacerdotes, diáconos, religiosos, bispos e até cardeais, não estão dispostos a fazer esse processo de mudança e de conversão missionária.

Fingem que não estão entendendo o pensamento do Papa para a Igreja e relutam na transformação. Afirmam que ele não é profundo na doutrina, só que ainda não entenderam que a preocupação do Pontífice é fazer com que entendamos que a doutrina precisa estar a serviço da vida do povo de Deus.

A questão é pastoral, mais que doutrinal. Essa última já está definida. Francisco não está barateando o Evangelho. Tem clareza que a revolução que ele deseja para a Igreja é evangélica.

Não é ideológica, nem muito menos partidária e política. Orienta que os ministros ordenados sejam próximos e escutem o povo de Deus.

Muitos não captaram a mensagem das pessoas que só é levado a sério quem fala e tem testemunho de vida. Essa maturidade cristã é evocação para todos os cristãos e filhos da Igreja, que precisam ser sal e luz do Mundo.

Por isso, a atenção que precisa ser dada à identidade cristã e maturidade eclesial que estão no Ser dos fiéis batizados.

Que metodologia formativa pode ser trabalhada para que tenhamos cristãos mais convictos da sua fé e da importância da comunhão e sinodalidade para e na vida da Igreja?

O documento de Aparecida que, neste ano, está completando dez anos, já nos deu orientações. Contudo, não conseguiremos avançar se não assumirmos responsavelmente a nossa maturidade cristã. Assim o seja!

Pe. Matias Soares – Arquidiocese de Natal/RN, mestrando Pio Brasileiro em Roma.
Siga no twitter: @pe_matias

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